
Metamorfose
A lagarta vira borboleta.
Mas a borboleta não volta a ser lagarta.
Existem as boas mudanças e aquelas diante das quais exclamamos: eu achei que não podia piorar!
Quando mais jovem ouvi a expressão:
A mudança é a única constante da vida.
Adquirimos novos gostos, costumes, amores, desafetos, casas, amigos, opiniões e o que mais quisermos, ao longo da nossa vida.
Sem perceber… mudamos.
É bom?
Depende do ponto de vista.
Os pais acham ótimo ver os filhos tendo alterações tanto físicas quanto intelectuais.
Os filhos nem sempre simpatizam com a mudança dos pais. Percebem quando se tornam mais exigentes, mais críticos, e até mais audaciosos no modo de viver.
Com o tempo, passamos a notar melhor esse movimento, às vezes discreto, às vezes inevitável.
Embora não haja um instante exato em que algo se desloca.
Mesmo quando se diz ser apenas um ajuste às novas realidades.
Essas chegam sem alardes, e se estabelecem.
A pouca conversa dos jovens, o entrar e sair dos cômodos com os olhos presos ao celular, o “oi” dito por hábito. O que vivemos hoje é resultado de mudanças, pelo menos sob o olhar dos mais velhos. Para os jovens, nada está fora de lugar. Eles não mudaram.
O mundo agora é outro.
O tempo daquela adolescência barulhenta, risadas que animavam a casa inteira, a expectativa com os bailes, piqueniques, sessões de cinema, não existem mais. Em algum momento, se transformou. Sem alardes, nem anúncios. Apenas deixou de ser.
Mudou.
Para os jovens pais e seus filhos adolescentes, assistir a filmes sozinhos, conversar em grupos invisíveis, acompanhar vidas que cabem na palma da mão é muito natural. Saber o que veste e come determinado artista, ou alguém da mídia, pessoas que não fazem e nem farão parte das suas rotinas, das suas risadas, dos seus sonhos.
Não é mudança, é o normal. E não incomoda. Não se sente saudade do que não existiu.
Cada tempo entrega o que tem. Aos poucos, as pessoas vivem de outras formas, dançam outros ritmos, vivem novas distâncias.
Nada se perde por completo. Mas também não permanece igual.
E talvez seja isso o mais surpreendente: não é a vida que muda diante de nós, é o nosso olhar que se transforma dentro dela.
Somos nós que mudamos, vamos nos tornando outros, enquanto ela segue.
























