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dez- 2025 -11 dezembro
O peregrino
Levanta-te e anda!, disse aquele visionário de barba crespa e suja e olhos que anunciavam divindade. Lázaro, farto de mentiras sobre a vida e a morte, levantou-se e começou a caminhar. No meio da tarde estava já longe de tudo, do povoado coalhado de caseb
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11 dezembro
Um tom diferente na tinta da retina
No Renascimento foi inventada a sopa fortificante e restauradora, feita de carne de boi, carneiro e legumes, servida como refeição no século XVIII aos viajantes ou indivíduos extenuados, após um longo dia de trabalho. Era servida nas estalagens, tabernas
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10 dezembro
Nova idade
Nunca imaginei que fosse me apegar. Não fui do tipo dado a animais. Não porque os odeie, mas, sim, porque achava que os bichos não deveriam ser criados como gente e por gente. Tia Beta trata os seus cachorros melhor que muita gente por aí, e isso nunca entendi
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9 dezembro
O mar é logo ali
Na semana passada, fui ao Rio de Janeiro para o lançamento do livro “A reinvenção da metáfora: as bodas de Rogério Salgado”, publicado pela Ventura Editora, com organização do poeta Luiz Otávio Oliani, e que tive o orgulho de apresen
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8 dezembro
Poema #48: Instante de delírio
Olho para o vaziode meus olhos.O espelhonão reflete mais o amor,outrora visível. Imagens tão nítidasse me afloram perdidasna incongruência do vidro,uma vez descascada sua tintaprateada de reflexão. E agora as manhãstrazem o hálito da perda,do que fui e que no
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8 dezembro
Poema #09: Dominó
Não escanda a minha fala.Escancarar uma taranem sempre é um bom negócio. Esconda, miúdo, as manias que lhe movem.Um dia, quando nada sobrar,elas ainda farão o seu coração bater. É como diziam os romanos:tudo em latim.Ninguém entende, todo mundo concorda.
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8 dezembro
Obscuros
No dia seguinte à festinha de lançamento do primeiro single da banda Hollow Clowns, Zími ficou sabendo por redes sociais que Samir, baterista da banda, havia morrido por overdose de cocaína. Era considerado grande baterista, pela força, influência e domínio té
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7 dezembro
Caos contraproducente
Cheira à baunilha. Há banana e aveia em formato de osso e olhos ainda vacilantes e resistentes aos raios dominicais. Uma miríade de folhas, bocejos e pelos esparrama-se sobre o sofá-cama amarrotado pelas horas adormecidas. O sábado à noite fora um misto de con
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7 dezembro
A Leoa e o menino
O menino sonha os seus sonhos de menino. Voar, cantar, adestrar leões! A leoa faz o que uma leoa sabe fazer, observar atentamente e esperar o momento certo para atacar, afinal, o que um leão faz de melhor a não ser atacar com precisão a sua presa? O menino foi
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7 dezembro
O retratista fiel
Folhear álbuns de fotografias antigas — em papel ou digitais — tem me causado um certo estranhamento, uma sensação de que os ambientes, as pessoas, as fisionomias não eram bem assim como estão retratadas. Na foto do meu aniversário de 15 anos, o vestido que, à
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6 dezembro
Um ouvido novo, para uma história velha…
Que atire a primeira pedra quem não passou por isso! Todos nós conhecemos alguém que adora quando perguntam: e aí, tudo bem? Pronto, lá vem a amiga ou amigo traída(o) contar detalhes: como passou a desconfiar, quais sinais ela não percebeu, o quanto acreditou
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6 dezembro
Breve encontro
Hoje, por acaso, tropecei no passado. Um banco de madeira, daqueles que encontramos nas pracinhas, a sombra de uma árvore de flores amarelas e a brisa suave de um fim de tarde me levaram à infância. Lá encontrei minha inocência, o castelo suntuoso dos meus son
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5 dezembro
O amor, sem querer, acaba
“Sim, o amor acaba”, assim, Paulo Mendes Campos começou uma das suas mais célebres crônicas. Iniciou com uma assertiva que, no íntimo, sabemos ser verdade; não obstante algumas tentativas de mistificação, como na frase tantas vezes escutada “se acabou, é porqu
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5 dezembro
O Ouriço
Estou grudado no alto da porteira da mangueira das vacas. Lá embaixo o Duque late feito doido. Avança, negaceia, avança de novo – uma bruta valentia. É um ouriço acuado junto ao mourão da porteira. Ele rodopia, se eriça todo – coisinha indefesa, só tentando fu
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5 dezembro
Cultura popular
Ah, essa cultura popular do momento. Você leu direito: cultura popular do momento. Eu faço essa distinção porque entendo que existe aquela que é eterna em nossa memória. E outra que é tão densa quanto fumaça de xícara de café. Tem gente que prefere chamar esse
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4 dezembro
Não se deixe levar pelo contágio alheio!
A Sociedade Teosófica é um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor. Pode ser considerada uma das poucas democráticas disponíveis a todos os povos. Ela encoraja o estudo da Religião comparada a Filosofia
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4 dezembro
Lurdinha
No exato instante em que Lurdinha nasceu, exclamaram Coitada! Com o passar dos meses, acrescentaram ao Coitada! a frase Olhe a cabecinha dela, que pequenininha! Lurdinha cresceu com sua pequena cabeça e foi feliz, mesmo que não entende
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3 dezembro
Palavras insólitas, insólitas palavras
Viajava de ônibus outra vez pelo interior do estado. Na época, isso me era tão rotineiro quanto a atual preocupação com os seguidos e rechonchudos boletos, que parecem ter um prazer mórbido em aparecer sem avisar no meu e-mail, ou, de quando em vez, aqueles ma
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3 dezembro
Beleza
Naiana não me deixa em paz. Quer que eu mude de vida. Mesmo sabendo que ando muito sedentário, não tenho o menor interesse de ir à academia. Ela chegou a me levar três vezes. Para mim, que tenho autismo, nível de suporte um, é algo arrasador ter de lidar com a
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2 dezembro
O mundo nunca será só virtual
Quando inventaram o DVD, mataram o VHS. Pelo menos era essa a intenção — empurrar todo mundo para o novo aparelho brilhando no rack da sala. Depois o vinil virou CD. O CD virou arquivo. O arquivo virou link perdido no YouTube, no Spotify e em mais uma dúzia de
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1 dezembro
Poema #47: Andarilho deitado
O vento sopra um frio doido e esquisitona curva da esquina de um terreno baldio.Estou entre sapos e grilos e entulhos de lixo,atrás de um muro quebrado e com muitos cacosde vidro onde me escondo dos meus inimigos.Apaguei todas as luzes da esperançae estou send
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1 dezembro
Menções honrosas
“O conforto é o pior dos vícios!’ Essa foi a primeira frase que Mila Cox ouviu ao entrar no apartamento que dividia com seu parceiro musical Zími. “Hoje valorizo muito mais a vida que levo e as coisas legais que eu tenho, graças àquele períod
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nov- 2025 -30 novembro
Ode aos meus 3.7
Quero-me a mim como nunca antes,como quem encontra uma versão esquecida de si no fundo de uma gaveta emperrada: força um pouco e…– Crrrrr…..[o reconhecimento é recíproco pelo cheiro] Quero-me a mim com a presença de um personagem que não sofr
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30 novembro
A lágrima extra
O dia prometia ser quente e úmido — combinação ideal para cabelos rebelados e para quem trabalha imóvel ao ar livre. Depois de entregar o filho à vizinha que o levaria à creche, voltou ao seu reino: um quarto-cozinha-banheiro, tudo no mesmo perímetro afetivo.
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30 novembro
A fome
Uma mão vasculha alguma coisa que se possa comer no meio do papel, do plástico… Outra mão manuseia as teclas de um computador em um lugar distante e escreve este texto… Alguns olhos procuram nas calçadas e nas caçambas de lixo um alimento qualquer… Em uma esqu
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29 novembro
Me dê um lyke?
As redes sociais dominaram, não há como negar. Se aconteceu, está na rede. Se não estiver, deve ser irrelevante, e nem interessará a ninguém. Em tempos não tão longínquos, eram as redes de televisão e, antes ainda, os jornais e revistas. Os expoentes da comuni
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28 novembro
Fabulazinha
O velhinho enfiou os pés na água fria, distendeu os dedos doídos, espreguiçando-os, e saiu um pouquinho de dentro de si mesmo. Foi até ali em frente, no meio do lago, onde um pato nadava. Era um velhinho muito velho, com uma barba compridíssima – a pontinha bu
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28 novembro
Vê se me enrola pouco, pediu a musa
Vamos esclarecer esse negócio de musa inspiradora. Para início de conversa na tradição clássica ocidental eram nove as musas, todas filhas de Mnemósine, divindade grega da Memória, com o todo poderoso Zeus. Elas eram Calíope, Clio, Érato, Euterpe, Melpômene, P
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27 novembro
Como no Cinema
De pé na frente do último cinema de rua da cidade, Seu Alírio leu mais uma vez, com vagar, o cartaz que anunciava a demolição daquele edifício. Do seu edifício, hoje mais decadente que ele próprio e tão velho quanto. Aquele lugar tinha sido sua casa por quase
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26 novembro
Espectro
Laura é do tipo cismada e encabulada. Quando quer as coisas, vem logo no colo do pai pedir para que eu resolva. Desde pequenininha é assim, manhosa. No começo, eu aceitava, por ser tão pequena e não ter condições de resolver suas questões. Agora, com dez anos,
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