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  • ago- 2026 -
    11 agosto

    A quem você deve seu mérito

    No Brasil, o discurso da meritocracia ainda encontra solo fértil. Acredita-se, com quase cega devoção, que o topo da montanha foi conquistado a passos individuais – fruto exclusivo do talento, da disciplina e das noites mal dormidas. O discurso é sedutor, embora ignore uma pergunta que possa soar incômoda: quando você chegou lá, quem segurava a escada? ​Por trás de cada trajetória de sucesso, há uma estrutura invisível operando nos bastidores. Independente

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  • 10 agosto

    Poema #81: A lua escura

    “se soletra L-U-A” sabe,há um momentoem que a luafica escura. é quando,a escuridão maiorvinda dos montescobre a Rua Fácil. e tudo,vira um só quadronegro, uma lousafria que antecedea morte. Da Essencialidade da Água

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  • 10 agosto

    Caixinha de música

    — O que você faz aí? — Não está vendo? — Estou, mas por que aí? — Você não sabe? — Não! — O meu criador disse: “Vá e enfeite o mundo!” — Então você é um enfeite. — Sim. — Pra quem? — Pra todo mundo. — Mas não os vejo. — Quem? — Todo mundo. — Porque você me trouxe pra cá. — Então agora você é meu enfeite? — Sim. — Desça daí. — Para quê? — Vou mostrá-la a todo mundo. — Não entendi. Você não me trouxe pra você? — Eu te trouxe para ser. — Ser o quê

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  • 10 agosto

    Poema #10: Liturgia do instante

    Lento, tudo está lento…Vejo meus passos firmes, passos soltosE já não sei mais o que solto, pelo que passoSe quando firmo, não me atento. Doce, tudo está salvo.Tampouco o hoje é, sorte.Se é veneno um tanto, e quanto ao não que houve?E quando o há? Sabemos? Se o quanto ouço, ou vejoFizer mera semelhança ao sentido…Se por falar em sentir, se exaltar-lhe o tatoFor, ainda assim, coisa-fato… não me remeto ao senso de ser simples isto. Existo. Voo.Plaino sobre a

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  • 9 agosto

    Em Bocas de MATILDE

    Quando pequena, Matilde surpreendia a todos com sua estranha mania de engolir objetos. Chupetas, partes de brinquedos de borracha, bicos de mamadeira. Na escola impressionava colegas, engolindo canetas e lapiseiras. Era um dom. Todos diziam que no futuro ela trabalharia no circo como engolidora de espadas. A mãe culpava o pai por ter levado a menina no circo. Agora, essa novidade, engolidora de espadas… Matilde não vinha de uma família circense e nunca tev

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  • 9 agosto

    Quantos anos cabem no breve espaço das 03h17 de um amanhecer de sexta-feira?

    Quantos anos cabem no breve espaço das 03h17 de um amanhecer de sexta-feira? Há passos no eco, pisos empoeirados da semana passada, taciturnos. Há o Cachambi, que dorme, às três e dezessete da manhã, já dezoito. Há o streaming para quem, como eu, de tão cansada, não dorme. Há um filme pandêmico, dor humana, tristeza, perda do olfato. Num streaming — todo o meu amor aos streamings que nos fazem companhia junto a uma Hocus Pocus de 500ml, 8.5% de teor alcoól

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  • 9 agosto

    Essa vai para a coleção

    Meu armário abriga uma coleção curiosa: caixas vazias, sacolas elegantes e potes de vidro sem função definida. Em comum, todos carregam a mesma etiqueta imaginária: “Pode ser útil um dia.” Tenho uma verdadeira compulsão por colecionar inutilidades que considero superimportante guardar. Vai que surge um presente de última hora. Vai que resolvo organizar a papelada. Vai que abro uma loja de embalagens recicladas. Vai que descubro um talento ocult

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  • 9 agosto

    Poema #18: O menino e o pássaro

    O pequeno menino olha demoradamente o céu.O voo de um pássaro branco…excitado,leve, branco, branco e leve: um estalo.Alvas penas de um delírio todo seu. Corpo sem brilho é beijo de encontro à terra,um desespero brusco de última chance.Molhado pelo sangue o passeio se encerra…dentre tantos pássaros, quem quer, que cante. Asas se abrem e contorcem no mesmo instante.Tudo é ferida, escuridão, lágrimas e repeteo menino a dor do pássaro agonizante… Chora compuls

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  • 8 agosto

    Dia dos Pais

    Um dia em que se homenageiam os meninos que se tornam homens e, um belo dia, se descobrem pais. Descobrem-se pais e não há nenhuma alteração fisiológica! Não sentem o seio intumescer segundos antes de o bebê chorar. Não têm um corpo que lhes avise, de maneira tão evidente, que chegou a hora de alimentar a cria. Não amamentam, não experimentam as mesmas transformações físicas da gestação e do nascimento. As mães contam com uma espécie de alarde da natureza.

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  • 8 agosto

    Dois projéteis e um amor feito em pedaços

    (Domingo de manhã, quarto de Sofia) O rádio havia ficado ligado a noite toda. Naquele momento, ia ao ar um debate sobre a epidemia letal que tinha começado havia mais de um ano. Infelizmente, diziam os cientistas, o fim do tormento não era esperado para breve. Uma nova variante do vírus, muito mais transmissível, havia surgido no Marrocos, perto da fronteira com a Espanha. Sofia escancarou a janela e deu de cara com uma nuvem acinzentada e espessa. Aquele

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  • 8 agosto

    A Papiloscopista

    Papilo o quê? Expectorei na tosse esta pergunta para minha filha Violeta, liberando as vias áreas de um agente irritante. Nunca entendi o seu sonho de ser uma papiloscopista. Quando meninas sonhavam em ser princesas, a minha desejava ser papiloscopista. Hoje fico aliviada dela não ter brincado de cadáveres ao invés de bonecas. Quando ela me falou pela primeira vez da profissão tão sonhada, confesso que não entendi. Naquela manhã ensolarada, ela desembuchou

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  • 7 agosto

    Um gato chamado Bartolomeu

    Não, eu não vou arrumar um gato. Nem em sonho. Mas uma das minhas filhas sim. Quer dizer, essa é a intenção dela. Essa semana ela me procurou com essa conversa. Veio com aquele papinho sinuoso, típico de adolescente que quer algo. Se seria possível, quando ela se tornasse mais responsável, ter um gato. Ela tem 14 anos e tem um quarto só dela onde deixa uma bagunça razoavelmente organizada. Com as coisas da escola é bem responsável, não deixa nenhuma tarefa

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  • 7 agosto

    Traídos

    Chamava-se Marisa, era casada e não desgostava dessa condição. O que lhe era mais caro na vida, porém, era o seu sentimento de liberdade. Costumava comentar com Nébia, a amiga íntima: “Sempre fiz tudo, ou quase tudo, que quis”. A amiga contestava: “Tudo, não. Ninguém pode fazer tudo. E você é uma mulher casada”. Marisa reconhecia: “Claro, claro, sempre respeitei Eustáquio”. A outra: “E não está fazendo nenhum favor. Eustáquio é um homem corretíssimo. Além

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  • 7 agosto

    No dia seguinte

    O Zé balançou a cabeça, recostou-se no sofá, acariciando os cabelos, a cara, as orelhas, o nariz. Quando chegou no nariz, ele acordou. Olhou a Cida do lado, sardentinha, de olhos claros. Eram mais de três horas da tarde, e ele dormindo. Um gosto de cabo de guarda-chuva na boca! A Cida falava que tudo bem, ele ficou meio alegre ontem à noite, mas quem é que não ficou? Todo mundo achou o Zé engraçado, só o Boi que ficou meio contrariado. O Boi é assim, é só

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  • 6 agosto

    Preservação da dignidade

    Em 20 de dezembro de 1943, o bombardeiro americano B-17 “Ye Olde Pub”, severamente danificado, pilotado por Charlie Brown, de apenas 21 anos, retornava de uma missão sobre a cidade de Bremen, na Alemanha. A aeronave tinha dois motores destruídos, sistemas avariados, vários tripulantes feridos e um artilheiro morto. Voando como um “straggler” (retardatário), isolado de sua formação, o bombardeiro era um alvo fácil. Em um determinado

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  • 6 agosto

    DEIXA ESTAR

    — Por que você apareceu aqui no meu sonho, se o que eu quero agora é sonhar com minha mãe? — perguntei, achando graça na presença dele no meu sonho. — É impossível escolher com o que sonhar — respondeu Paul, sentando-se na beirada da cama. — Bom, imagino que seja porque ontem eu passei o dia lendo um livro que conta a história de sua mãe e daquela música. Então este sonho de agora é um reflexo do que vivi durante o dia. De acordo? Paul fez um movimento com

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  • 5 agosto

    As meias rotas do Presidente

    Não raramente, atribuímos a personagens importantes da história oficial qualidades inigualáveis e sobre-humanas. Altas autoridades, políticos de grande projeção, empresários bem-sucedidos, artistas de renome, todos eles adquirem um status que os coloca vários degraus acima da grande massa dos mais vis mortais. A fama, a riqueza e/ou o poder de que desfrutam obrigam-nos a projetar em suas figuras as características necessárias para que a atração e o frenesi

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  • 5 agosto

    Fé

    Djamila me ensinou a ter fé. Sempre fui avesso ou displicente com a religiosidade. Nem ao menos procurei entendê-la. Meu pai dizia que eu era ateu e que isso era um grande mal para mim, mas me percebi, por muito tempo, agnóstico, porque precisava de prova para acreditar. Muitas vezes me peguei cutucando os meus demônios, para que algo acontecesse. Saudava aos deuses, quando passava em frente à igreja ou a algum lugar de culto, meramente por respeito. Então

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  • 3 agosto

    Poema #80: A ilha

    A ilha com seu silênciome comunica a mortedos seres espectraisque nela vivem ou já viveram. A ilha cercada por manguesé um poço de lama e óleo. Os pescadores da ilhame comunicam o fimdos pescadores da ilha. Os pescadores da ilhame apresentam a pesca de um dia,nada. A ilha com sua morteme comunica o silênciodos seres superioresque a mataram e matam. A ilha abandonada pelos banhistasé um deserto de espuma e água. Os frequentadores da ilhame comunicam o desas

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  • 3 agosto

    Sobre voar

    — Desaprendeu? — desaprendi. — mas você era tão… — Era! Muito tempo atrás. Não sou mais. — Tem certeza? Isso a gente nunca esquece. Basta uma vez pra nunca mais esquecer. — Não foi só uma vez… — Não?! Bem, comigo… Pensei que tivesse sido apenas comigo… — A primeira sim, mas houve outras. Tantas… Tão boas, tão lindas… O que foi? — Nada! Quer dizer… nada! Nada não. — Ficou com ciúmes? — Sim. — Não fique. A primeira nunca esquecemos. — Não?! Então por que des

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  • 2 agosto

    Se eu me perder

    O silêncio cresceu com a sombra mais densa. Então, os fones acenderam as lâmpadas incandescentes da plataforma, que pousava, num instante eterno, sobre a água. Era um simples trajeto de retorno à casa: sobre rodas que não tinha controle, observava o horizonte em que nada tinha fim, tampouco início. De repente, uma centelha flutuou acima, no compasso de seu coração.  Itália. Fevereiro. Março. Aquele abraço… “Um simples caso de sorte genuína

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  • 2 agosto

    SOLIDÃO

    Do nada, ela resolveu se isolar do mundo. Sumir do mapa. Escafeder-se. Largar tudo de vez. Pensou numa viagem solitária de barco pelos oceanos. Mas Yolanda nem sabia nadar. Aposentada pelo INSS, seu último emprego foi como caixa do Banco do Brasil. Lidou com o público e com a absoluta contrariedade de fazer isso. Tinha dias que parecia explodir. Controlou-se à base de comprimidos e orações. Não tinha mais ninguém, nem amigos nem família. Sua única filha, f

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  • 2 agosto

    Amém

    Por debaixo da porta, a convocação. Primeira chamada às 19h. Salão lotado, ordem do dia sobre as cadeiras. Quando viu “3º item — sorteio das vagas”, Severo percebeu que cometera um erro grave: não tinha jantado. Leitura da ata.— Amém.Leitura do orçamento.— Amém.Leitura da troca do capacho.— Amém. … Sorteio das vagas. Aí o inferno começa. — Alguém tem algo a colocar antes do sorteio? A senhora do 1º andar logo se manifesta: — Temos que estabelec

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  • 2 agosto

    POLICARPO

    É Policarpo, seu país não veio, não vingou… A bandeira que tremula na haste não conta mais as glórias do passado (se é que um dia já contou) e tampouco vislumbra as glórias do presente… Sua pátria, escondida entre farrapos, negociações e falsas intenções, desmorona todo dia. Todos os dias! No trabalhador que sua e sangra e não descansa! Na esquina em que se perde uma outra infância! Nas escolas abandonadas e no futuro dos jovens. Na promessa quebrada em qu

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  • 1 agosto

    A loja do Joca

    — Oi! Vó do Digo, Vó do Digo! Eu tenho uma loja. Você quer comprar o que eu vendo? — Mas onde fica essa loja? Eu pergunto, com a maior naturalidade. — Peraí. Vou lá buscar. E saiu saltitando, feliz da vida com a possibilidade de fazer mais uma venda. Essa é a segunda empreitada comercial do Joca. Antes disso, foi caubói. Tinha cavalo, chapéu preto e colete de franjas. Depois virou dono de um caminhão de gado. Também foi tratorista. Mais tarde resolveu aban

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  • 1 agosto

    O dia do aniversário

    Doze horas em ponto, os sinos da igreja de Santo Antônio de Pádua anunciavam. No dia em que completava 50 anos, Joel saiu apressado do escritório do advogado e, ainda dentro do elevador, passou a organizar mentalmente as tarefas da tarde. Memória privilegiada, sua melhor agenda sempre foi a própria cabeça. Era quinta-feira, e apenas no sábado uma celebração ocorreria. Reunião modesta, só para os mais íntimos, como se costuma dizer. Afinal, nunca gostou mes

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  • jul- 2026 -
    31 julho

    O menino que se apagou num sopro

    Eram três meninos vendo os pais derrubar uma árvore. Quando a peroba foi derrubada, um dos meninos se apagou no sopro – o enorme deslocamento de ar que ela provocou. Parecia que tinha morrido, era o que os outros dois pensavam. Na cidade, o médico disse que estava em coma. Não tinha nenhum tratamento, o jeito era esperar. Ficou em coma por um tempo imenso. Os outros dois morriam de preocupação, esperando que ele acordasse. Passavam os dias, passavam as noi

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  • 30 julho

    Poema #07: Aeroporto

    só deus sabequantos e quantos aviões(entre sóisnuvensestrelas& luas)meus olhosdecolaram voos pra só assimdo outro lado do continentete aterrissare ser passageiro de tipor eternos instantes

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  • 30 julho

    Um homem de muita fé

    Ele desceu do trem numa estação qualquer, numa cidade desconhecida, e esperou por ela. Depois, entrou nas criptas das catedrais, onde o silêncio pulsa de tão denso, e esperou por ela. Empoleirou-se em árvores, em pontes, em terraços, em torres, em montanhas, em aviões, nas nuvens dos sonhos e, talvez, nas asas de algum anjo. Esperou por ela na dureza do inverno mais impiedoso, tremendo não de frio, mas de esperança. Também esperou por ela na chuva, até que

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  • 30 julho

    Sem direção

    Os humanos mais valentes creem que a solidão não vá corroer seus desejos, ao vagar pelo mundo sem olhos para fitar, que não é a forma mais sutil de ser gente. Passar minutos apreciando os outros se amontoarem em si, vagando em suas ideias ou cruzando pelas ruas frias e úmidas, pode nos trazer uma sabedoria solitária.  Porém, é uma companhia quase ausente de um par de mãos, que poderiam acalentar um nobre olhar. O oposto a esses instantes se percebe na

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