Autores

  • fev- 2026 -
    9 fevereiro

    Poema #55: Linguagem do escuro

    Agora que a luz se apagoue a solidão restabeleceu seu domínio,ouço com receio a linguagem do escuroque me des-norteia a vida. Nasci sob o signo da mortemas prefiro-a assim,conquistada aos poucos.Porção diária de venenoque injeto na raiz da vidaaté que ela, afi

    Leia mais »
  • 8 fevereiro

    Nas alturas, um café com o Redentor

    Próximo ao céu, onde nenhum obstáculo além de uma escada de marinheiro me separa do Cristo Redentor, a certeza de que nada é estável me invade. A mutabilidade da paisagem, colorida a cada noite por nuances de distintos pigmentos primitivos — esparsas, turvas,

    Leia mais »
  • 8 fevereiro

    Poema #02: Sem alarde

    Não era o primeiro a chegartambém não era o últimoficava no meio. Lugar pouco disputado,onde ninguém posae quase ninguém repara. Enquanto alguns se apressavam em brilhare outros reclamavam da falta de luzele aguardava. Não parecia esperar nada específicotalvez

    Leia mais »
  • 8 fevereiro

    Poema #15: Um Soneto da Lua

    Ainda que sejam versos pequenos…Uns simples versos que sejam ao menos,os ventos os empurrarão no tempoonde serão o eterno consentimento. Toda a lua brilha alta e resplandeceporque deseja muito o amor do mar.Acaricia um instante e depois reflete:é a busca de nu

    Leia mais »
  • 7 fevereiro

    Super pobres

    Muito se fala dos super ricos, grupinho reduzido de privilegiados que amealham fortunas tão descomunais que fazem o Tio Patinhas parecer um pobretão. Erguem mansões em localidades diversas com dezenas de cômodos em mármore maciço e um séquito enorme de serviça

    Leia mais »
  • 7 fevereiro

    Solidão x Solitude

    Costumamos dizer que seguimos com a mesma garra, a mesma força, a mesma independência, os mesmos “superpoderes”, embora já tenhamos atingido determinada idade. No fundo, porém, penso que isso talvez seja uma escolha. Optamos, de forma racional, por manter uma

    Leia mais »
  • 6 fevereiro

    Parada em ventania

    Aqui venta sempre desse jeito, sim senhor. Acho que é por isso que chamaram aqui de Ventania. Em Dois Córregos também venta muito. Foi a minha irmã, a Cida, que me contou. Não, eu não conheço lá. O senhor não está vendo as minhas pernas? Eu não conheço lugar n

    Leia mais »
  • 6 fevereiro

    Ser surpreendido

    Não tenho vergonha alguma em ser surpreendido. Já superei faz muitos anos aquela necessidade de ter que mostrar que sabia de tudo antes de todos. Desprezo a sensação de poder que a clarividência traz. A verdade é que adoro não saber das coisas antes que elas a

    Leia mais »
  • 5 fevereiro

    O grande acontecimento

    Ele tinha se tornado a principal atração daquela cidade à beira do mar. Quem lá fosse certamente ouviria na volta: “E aí, foi ver o…? O que achou?”, “Me conte, como é o…?”, “Não me diga que não foi ver o…!”. Era quase uma obrigação, para qual

    Leia mais »
  • 5 fevereiro

    Capacitismo

    A discriminação e o preconceito social contra pessoas com alguma deficiência, são vistos como normais em sociedades desinformadas ou mal-intencionadas, e essas pessoas são entendidas como exceções; eles creem que a deficiência é algo a ser superado ou corrigid

    Leia mais »
  • 4 fevereiro

    Matei

    Nada que pudesse dizer me livraria do pecado. Eu havia matado, ainda que por puro instinto e defesa. Naquela noite, eu lembro, estava afobado e cansado. Entrei em casa arrastando a bolsa do trabalho no chão. Havia brigado com o meu chefe Roberto por causa da s

    Leia mais »
  • 3 fevereiro

    Meu primeiro grito de carnaval

    Sempre fui tímido. E, para piorar, me meti muito cedo com os livros. Só através da imaginação eu viajava — na vida real, não. Todo carnaval, eu me escondia: procurava ler uma montanha interminável de livros, me informava sozinho no cinema ou passava horas tedi

    Leia mais »
  • 2 fevereiro

    Soberba

    No aniversário do vovô, a neta diz a ele: “Vovô, você foi chamado de soberbo pelo resto da família desde muito antes de eu saber o que isso queria dizer, mas tem sorte por já ter vivido bastante e não ter que se preocupar com o futuro, né?” O vovô respondeu: “

    Leia mais »
  • 1 fevereiro

    Alô, alô, seu Chacrinha – aquele abraço!

    Fevereiro começa no domingo, como quem abre as alegorias do descanso — esse mesmo que sonha com samba no pé e os zirigundús dos foliões. Janeiro já anunciava as entradas da folia, com blocos em teste espalhados pelas ruas do Rio de Janeiro Tive a oportunidade

    Leia mais »
  • 1 fevereiro

    Meu relógio é de borracha

    Às vezes, me canso um pouco de ler as crônicas do cotidiano publicadas nos inúmeros sites e veículos de comunicação (logo eu, que sou uma delas?). E não é por conta da qualidade literária dos textos — que, na maioria dos casos, é inquestionável —, mas por sent

    Leia mais »
  • 1 fevereiro

    Uma Crônica Canina – parte 4: Entre Cães e Monstros

    Em que ponto da nossa trajetória como humanas criaturas vamos nos perdendo de nossa essência?  Em que ponto dessa trajetória viramos bichos, ou melhor, monstros? Há uma semana, um crime brutal ocorreu em Santa Catarina, a violenta e absurda morte do cacho

    Leia mais »
  • 1 fevereiro

    Comunismo na prática

    São Petersburgo é uma das cidades mais espetaculares do mundo. Estive lá em três ocasiões, as duas primeiras quando ainda atendia pelo nome de Leningrado, em pleno regime comunista. Naquela época, se o visitante não tivesse incluído todas as refeições no pacot

    Leia mais »
  • jan- 2026 -
    31 janeiro

    BBB

    Aconchegue-se no sofá e prepare a pipoca. Esqueça preocupações do trabalho, problemas domésticos, aluguel, guerras, corrupção, mudanças climáticas, contas atrasadas, taxa de colesterol e todas as coisas chatas sobre as quais, quando questionado a respeito, voc

    Leia mais »
  • 31 janeiro

    A Presença

    Como assim o prêmio do concurso foi uma viagem a Gumi-si? Onde fica? É cidade, é país? Em que continente? Essas eram as perguntas que eu me fazia, repetidas vezes, enquanto também as dirigia ao agente de viagens que me contactou para dar os parabéns pelo prêmi

    Leia mais »
  • 31 janeiro

    Minha menina

    Ao final de um dia silenciado pela perda de uma amiga querida, bagunçado por estilhaços de memória, invadiu os meus ouvidos um som de infância vindo do parquinho do condomínio. Uma leveza quase me alcançou, não fosse a rispidez com que a tristeza amordaçou min

    Leia mais »
  • 30 janeiro

    Voz de IA

    Vou te falar, adotar essa postura tem evitado que eu me aborrecesse com mais frequência. Você tira a emoção das palavras e responde praticamente ao pé da letra tudo que te perguntam. Em alguns casos repete a mesma resposta se a pergunta for igual ou bem pareci

    Leia mais »
  • 30 janeiro

    Entre o que se escreve e o que se publica

    Até os melhores poetas já escreveram os piores versos, mas só os piores poetas os publicam. Isso já foi dito e redito, e aqui digo mais uma vez, porque parece extremamente certo e ainda necessário. A questão que se coloca é a da seleção dos poemas na formação

    Leia mais »
  • 30 janeiro

    Nono marido

    A coisa mais triste do mundo era a vó Ana me fazer as tranças. Eu ficava com a cabeça cheia de caroços de tanto croque que tomava para ficar quieta. Mas todo mal tem o seu bem: a compensação era ouvir a vó Ana falar dos seus maridos. Estavam pendurados na pare

    Leia mais »
  • 29 janeiro

    Trevas de nossas dúvidas!

    As coleiras com espinhos, consideradas um dos primeiros dispositivos de proteção para cães, foram criadas na Grécia antiga. Apesar de parecerem rudimentares pelos padrões atuais, essas coleiras cumpriram um papel essencial na segurança dos cães da época, espec

    Leia mais »
  • 29 janeiro

    STRIPTEASE

    De longe só se vê que há luz no quarto, mas pouco se distingue o que acontece lá dentro. Com meu binóculo, escondido atrás da cortina no apartamento do prédio em frente, tenho visão privilegiada e posso ver tudo com detalhe. Posso vê-la tirar a roupa, por exem

    Leia mais »
  • 29 janeiro

    Moça em janela de hotel

    Olho pela janela: é o Rio de Janeiro nublado e muito frio. Oculto. Imenso. Quase irreal. Ouço em meu headphopne um dos CDs que ele me deixou. Agora, uma grupo sinfônico que toca música do Metallica. Músicas de vários estilos e artistas estão misturadas num CD

    Leia mais »
  • 28 janeiro

    A falta

    Na falta de Ana, me apeguei a Larissa. Não é que fosse um pai relapso, mas dei muita importância ao meu trabalho, e deixei a infância de minha filha de lado. Não sou também um pai muito amoroso, apesar de tentar. Minha filha sempre procura chamar a minha atenç

    Leia mais »
  • 27 janeiro

    O Bom Humor de Cada Dia

    Não sei quanto a vocês, mas acho que o bom humor anda em falta no mercado. Houve um tempo em que bastava virar pro sujeito no ponto de ônibus, reclamar da demora, e alguém já emendava uma piada. O dono da banca comentava o calor, o porteiro dizia qualquer boba

    Leia mais »
  • 26 janeiro

    Vilania

    Seus trabalhos remunerados os sustentavam e não eram tão degradantes. Mila Cox e Zími sabiam que a distância que mantinham do mainstream era de se esperar.  A repercussão que conquistaram resistindo, e às vezes  se arrastando no underground durante os últimos

    Leia mais »
  • 26 janeiro

    Poema #54: Intervalo

    “Eu quero os meus brinquedos novamente!Sou um pobre meninoQue envelheceu, um dia, de repente!”Mário Quintana (1906-1994) Tenho quarenta e cinco anose já neste meu último aniversáriofoi levantada a hipótese irreversíveldo envelhecimento antes da morte,mas nunca

    Leia mais »
Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Desative para continuar