Crônicas

No raso, a/mar não ensina — derruba

Aquosa, a superfície reflexiva.

– custa a –

Imprópria ao banho… Mergulhar machuca [jamais acolhe]; rasga, sangra, desfaz a um e à outra sem que se fundam; era ela o acaso.

– …entender que aquela é –

(A/) Ela – narrativa, aqui; não fofoca – que, sem distorcer o sentido da prosa, faleciam palavras para exprimir o que sentia. Sentia – e segue sentindo – a falta de si, dela própria; demora-se na compreensão da charada. Só então veste-se de si mesma.

– … mesmo ela, –

Que ama o mar — mas não é a/mar para ninguém.

Os olhos estão sempre, em qualquer tentativa, no mesmo plano; ou não. Realidade x expressionismo fajuto.

– … só… –

Era o acaso. É o acaso. O caso é (ela).

– no raso.

Não longe, às três e quarenta e seis da manhã, do escuro ouve-se um galo cantar, repetida e ritmicamente. Seria um galo ou… o toque insistente de um celular?

Bia Mies

BIA MIES é carioca da Serra Fluminense, autointitula-se "do mundo" e reflete em sua escrita um olhar sensível sobre a vida do seu "entremeio": cada crônica torna-se uma interação entre o trivial e a reflexão poética, uma tapeçaria de influências e insights. Tece pontes entre arquitetura, urbanismo, artes visuais e cênicas, moda, leituras, cafés, viagens, família, amores, Zeca (seu fiel companheiro de quatro patas), amigos, Itália e "experiências dos usuários", área na qual atualmente se especializa. Cada percepção transforma-se em texto, numa busca exploratória de pensamentos e emoções, através de uma visão pessoal do cotidiano e do extraordinário. Celebra a beleza da imperfeição e convida o leitor a uma jornada introspectiva, onde cada palavra é cuidadosamente escolhida para ressoar e provocar. Como o sopro das vivências que se entrelaçam pelo seu caminho, Bia Mies homenageia quase duas décadas de exploração literária no Crônicas Cariocas.

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