
O VÔ ZÉ
Quando o vô Zé estava para morrer, pediu para sair de casa. Fraquinho, não parava em pé, mas quis por força sair no pomar.
– Eu quero abraçar as minhas árvores – disse.
Mal balbuciava as palavras, mas insistia:
– Eu plantei essas árvores. Vi crescer que nem minhas filhas. Eu quero abraçar minhas filhas pela última vez.
Tive que carregá-lo nos braços. Não aguentou abraçar mais que três árvores. Fez questão de abraçar a mangueira de manga-espada, no centro do pomar, a jaqueira e uma jabuticabeira do mato, enormes.
– Agora posso morrer quase feliz – disse, com os olhos marejados de lágrimas.
Não pudera sair até o pasto, abraçar a grande figueira e as paineiras com seus espinhos.
Pequenininho nos meus braços, segurando no meu pescoço, olhou o cafezal ao longe:
– Eu plantei cada uma dessas mudinhas. Elas falam comigo, me pedem a bênção.
Enxugando as lágrimas com a manga da camisa, ergueu o braço direito.
– Um pai que é pai conhece os seus filhos – concluiu, abençoando.























