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  • ago- 2026 -
    31 agosto

    Poema #84: A Solidão e o Poema

    O poemanecessita de um outropoemaassim como o poetanecessitade uma con/vivência poética.Os versosnão nascem do nadaassim, exclusivamente,inspiração.A noiteprecede o sopro líricoe ambos se integramao poema acabado.O poeta,este ser solitário,desce das montanhasde seus sonhospara recolher os fragmentosda realidade dos homens,e com eles constrói no poemauma unidade hipotética.O Acaso das Manhãs

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  • 31 agosto

    Retrato

    De Pipa para Pernambuco, pela estreita estrada, seguimos. Nada no peito, a não ser a batida do novo. Um beat surdo que ecoa, único, em cada ouvido. Seguimos. Somos expectativa e viagem. Os olhos decifram a paisagem: o pequeno cemitério cheio de árvores floridas e um homem só, que olha o túmulo de alguém que, pela primeira vez, está só. O caminho não é este, mas termina no encontro do rio com o mar. Beleza pura. Voltamos à estrada desejada, à experiência pl

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  • 30 agosto

    E Ainda é Agosto

    “É 29 de agosto. Em 48 horas, sua vida mudará para sempre.” Mais uma vez estava eu vidrada diante da tela. O dia era 29 de agosto, ontem, como foi no ano passado e no ano antes dele. A melodia inebriante preenchia os vazios que o ar-condicionado a 21ºC fazia flutuar no quarto hermético do Cachambi: O som avança em pequenos impulsos, como passos curtos e apressados que de repente… desaceleram. Expande e…. recolhe. O acordeão dá a sensação de ar

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  • 30 agosto

    Poema #20: Mar e Voz

    O fraco risco frágile trêmulo uma vozuma voz apenasruído longínquo e espessouma vozum frasco, riscomurmúrio e sonhovoo largo e concreto da voznum desencontro imponderávela pedra a areia o riscoinevitávelvoz das brumasvoz das sombrasvoz apenasde tudo o que se podiatudo o que se queriatudo que se sonhavae nada se viavoz apenasvoz de melancoliamar marulhar marulhobrumaa escuna no escuroo som da vozna vozfozinominável voztrêmula, espessa, rarainevitável desenc

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  • 30 agosto

    A arte de pensar com as mãos ocupadas

    Desde pequena desenvolvi uma habilidade peculiar: só penso direito quando minhas mãos estão ocupadas. Dê-me um novelo de lã e duas agulhas e, pronto, minhas ideias começam a trabalhar — às vezes até antes de mim. Sempre achei que esse hábito era apenas um jeito de evitar a ociosidade manual, uma espécie de TOC artesanal. Até perceber que havia ali um mecanismo mais profundo, quase científico, embora absolutamente nada acadêmico. Foi observando uma laçada s

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  • 30 agosto

    O Sorriso Perdido

    Jandira teve uma infância de indigente. Criada com mais seis irmãos numa cidade pequena no interior, enquanto seu pai trabalhava na roça, ela ajudava a mãe a cuidar da casa e das crianças. Na tapera em que moravam, a miséria acompanhava de perto a família. Não havia comida todos os dias, faltava luz elétrica e, no caso de Jandira, lhe faltavam todos os dentes da frente. Era pobre, raquítica e banguela. Com dez anos, foi entregue aos cuidados de uma senhora

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  • 29 agosto

    O fim do mundo

    Francisco saltou do metrô apressado. Estava a 300 metros do consultório, e faltavam apenas cinco minutos para o início da sessão. Não se atrasava nunca e, ao contrário de muitos, estava sempre bem-disposto às segundas-feiras. O terapeuta também raramente o atendia fora do horário. Naquele dia, tudo foi diferente. Entrou 45 minutos depois da hora marcada. Tinha muita coisa para falar, havia ensaiado um discurso na véspera. Havia feito anotações no bloco de

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  • 28 agosto

    O PARDALZINHO

    O nenê era como um pardal palpitando na palma da mão. Estava morto? Não sei o que vou fazer. Depósito com cuidado na covinha, aberta no jardim, cercada de flores. Aí ele pára de se mexer. Dá uma respirada comprida, dá que nem uma tossinha engasgada, dá outra respirada já meio sumida, e pronto: agora está morto. A Cida ainda está chorando. Mulher chora por qualquer coisa. Era o filho dela? Também era o meu filho. Nunca mais vou-me esquecer daquele montinho

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  • 27 agosto

    Isso é para a vovó

    Meu primo Alfredo chegou correndo e me entregou um pacote pequeno. Disse: “É pra entregar pra vó.” Entrei em casa e falei: “O Alfredo mandou entregar isso pra vovó.” Paty, minha irmã menor, fazia a lição da escola na mesa da copa e gritou na direção da cozinha: “Manhê, o Juca falou que o Alfredinho mandou uma coisa pra vó.” Minha mãe, sem parar de mexer nas panelas, virou o rosto e alterou a voz: “Então fala pro Juca levar logo isso pra sua avó.” Juquinha

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  • 27 agosto

    Em algum lugar

    Passei boa parte da vida correndo atrás de muita coisa, bufando como todos aqueles que chegam numa plataforma de trem, atrasados, na busca do encontro com a felicidade. Até que um dia, parei na esquina da minha rua, para conversar com seu Almeida, o jornaleiro. Ele não é daqueles que só empurram jornal com café requentado, com um pão de queijo de ontem. Ele lê cada notícia, comenta o tempo, pergunta do cachorro da gente, e guarda um doce para as crianças d

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  • 26 agosto

    Imagine a minha dor

    Me vi no fundo do copo. É aterrorizante se ver distorcido, confuso, sem se entender bem. Vi também todos os meus achaques ali, quando me sentei e pensei em Ludmila. Ela me deixou, há anos, sem chão. Não porque quisesse. Ela me foi arrancada, a fórceps, como num nascimento complicado. E olhe que Ludmila se cuidava. Não fumava nem bebia, como eu. Aliás, todas as minhas doenças advêm disso, da minha vida tresloucada, irresponsável, principalmente depois da pa

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  • 26 agosto

    O que te mantém vivo?

    Uma ideologia política, uma crença religiosa, uma visão de mundo ou um passatempo qualquer. A ambição por riqueza, a busca de reconhecimento, a luta por poder ou a simples necessidade de sobrevivência. Muitas podem ser as razões que nos mantêm vivos. Das mais vulgares às mais sublimes; das mais egocêntricas às mais altruístas. A natureza daquilo que nos estimula a levantar todas as manhãs pode dizer muito sobre nós mesmos, nossas histórias e nossas perspec

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  • 25 agosto

    Vasco x Fluminense

    Junto à porta entreaberta, olhou para o fundo da sala. No Sofá, o pai aguardava o início da transmissão pelo Première. Vestia a tradicional camisa verde, branca e grená. Atrás, o número dez e o nome eterno: Rivelino. Não quis colocar o próprio nome, como faziam por aí. Era o de Rivelino, e não o dele, que vararia os tempos. O rapaz fitava o pai, antes de afinal sair. “Boa sorte pra vocês”, e acenou para o velho, que retribuiu a nobreza do gesto. Eram adver

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  • 24 agosto

    Poema #83: A Queda

    Não digo que estouno fundo do poçoporque este não é mensurávele sempre se pode cair mais ainda.Mas estou numa queda livree vertiginosa.A roupa do passado não me serve,o presente é rotoe estou sem vestes para o futuro.E numa queda os laços vão-se rompendo,se dissolvendo,desagregando-se.Nenhum laço segura um homemque cai por muito tempo.A dignidade é uma palavra para pessoas de pé.Na horizontal os conceitos são outros. A Sentinela em Fuga e Outras Ausências

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  • 24 agosto

    Percepção

    Ela enxerga poesia, vê histórias em todos os lugares. Se viaja, escreve mentalmente histórias que jamais tomarão forma na tela ou no papel. Quanto mais longa a viagem, mais tempo em silêncio com seus pensamentos. Entretanto, nunca precisou de uma viagem física para sair do lugar, percorrer mundos, encontrar pessoas e ouvir e falar palavras que apenas ela conhecia, que apenas a ela eram ditas. Este é o ar que ela respira: há poesia no contraste de cores ine

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  • 23 agosto

    Era só uma bicicleta

    Era só uma bicicleta! E Cláudio Rafael não havia roubado nada! Apenas saiu com a bicicleta de sua irmã! Ainda que tivesse acontecido um roubo, nada justifica a cena de selvageria que ocorreu em Copacabana. Pior, a cena de espancamento e linchamento de Cláudio Rafael escancara o quão estamos doentes! Que sociedade é essa que mata? Que sociedade é esta que banaliza a morte? Na fúria do dia a dia, vamos perdendo um pouco de nós mesmos. Na fúria do dia a dia,

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  • 23 agosto

    Bolero de Tecalitlán

    Bolero de Tecalitlán, ao pé do ouvido em pleno 2026, soa como uma serenata de amor cantada à janela de uma casa que já não existe. Ou existe? existe: passou apenas a caber na tela de um smartphone. Informes contemporâneos. A linguagem sempre como logradouro de encontros. Disseram-nos que: • …a globalização tornaria o mundo uniforme;• …a tecnologia achataria os afetos;• …algoritmos substituiriam as coincidências.(…) Descubro, porém,

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  • 23 agosto

    Token inválido

    O infarto foi fulminante. Quatro tentativas de reanimação. Nada. Resistiu bravamente até a última atualização. Merecia um fim digno. Logo ao chegar à recepção, um rapaz o atendeu, solícito. — Fique tranquilo: aqui, tudo tem solução. — O senhor deseja fazer a migração completa? Severo aceitou o pacote funerário. Os universitários iniciaram o ritual de reencarnação. Transplantada a memória. O outro, novo, reluzente, exibiu seu sorriso de maçã. Faltou a ident

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  • 23 agosto

    REINO ANIMAL

    A primeira vez que Joana trouxe um sapo para casa foi um alvoroço. A família não sabia como agir, a menina tinha só cinco anos e uma afinidade especial com os bichos. Até quis levar o sapo para dormir com ela. A muito custo, conseguiram convencê-la de que o sapo precisava voltar para casa dele a fim de se despedir dos amigos. Depois do sapo, foi um pintinho da feira, que acabou virando frango e morreu de estresse. Um jabuti habitou a banheira da casa apena

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  • 22 agosto

    Seria a eternidade um mineral?

    Quem sabe a imortalidade seja um mineral formado por átomos de carbono puro dispostos em uma estrutura cristalina cúbica. Nosso inconsciente não acredita na própria morte pois não possui nenhum registro psíquico ou representação para ela, e se comporta como se fosse imortal. Não queremos papo com a finitude, ponto e basta! É ao testemunhar a morte de alguém querido que somos forçados a confrontar a realidade da perda. Mas nem isto abala a invulnerabilidade

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  • 22 agosto

    Uma história de gatos e ratos

    — Verônica! Finalmente resolveu aparecer depois de tanto tempo. Ainda se lembra do caminho de casa? Bem, acho que essa não é mais sua casa. — Quarenta e sete dias. —Você não atendia meus telefonemas… — Não quero falar sobre isso agora. Passei aqui porque preciso pegar umas coisas. Rafael, você tá molhado, pingando. Sai, tenho uma reunião de trabalho daqui a pouco. — Fiquei o dia todo na piscina. A água me faz bem, me purifica. Como estamos longe do m

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  • 22 agosto

    Manifesto

    Confesso: eu era indiferente. Simplesmente não os notava. Não detestava, nem amava. Eles eram transparentes para mim. Daqueles de quem se diz: nem cheiram, nem fedem. Foi assim por dois terços dos meus dias. E nem queiram saber quantos foram. Centenas. Não procurei terapia, nem explicações. Até que aconteceu. Assim, sem me preparar, pensar ou conjecturar, um belo dia eu me apaixonei! Paixão de deixar boba. Olhar nos olhos, admirar as nuances, o chamego, o

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  • 21 agosto

    Vida nova mas o mesmo eu, ou não?

    Vida nova para mim mesmo teve início nesse mês de agosto. Do casulo do home office para o palco do magistério. Direto , sem escalas e muito desejado. O silêncio perdeu seu espaço privilegiado em minha rotina. Antes, era soberano, só cedia seu lugar sagrado para as eventuais intervenções de minhas filhas. Agora precisa se contentar com as horas que sobra, como as horas mortas de Garcia Marques. Ruim? Nem tanto. A tudo, ou quase, se acostuma. Em lugar do sil

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  • 21 agosto

    O pião

    Quando o tio Luís encontrava alguns meninos brincando com pião, logo se oferecia para demonstrar a sua habilidade. Escolhia o pião mais gordinho, que era o de que mais gostava, e mais liso, de tanto uso. Enrolava a fieira no pião com um capricho minucioso de filósofo. Escolhia a área de terra mais limpa, que não tivesse nenhum empecilho para quando o pião girasse sobre si mesmo. E então o lançava, não para a terra, como seria de se esperar, mas para a fren

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  • 21 agosto

    Tudo é Rio (menos Niterói e São Gonçalo)

    Quando me mudei para o Rio, achei que bastaria algum tempo para entender a geografia, os costumes e, por osmose, me tornar um carioca da gema. Vã ilusão. Aqui nada é tão simples quanto parece. A lógica que rege os lugares homônimos ou com nomes parecidos parece ter sido concebida por um sambista bêbado, como se a cidade já não fosse complicada o bastante com a sua coleção de túneis, morros, largos, viadutos, encruzilhadas, ruas estreitas e ladeiras. Pega a

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  • 20 agosto

    OS CADERNOS

    “Sempre diremos tudo um ao outro, inclusive o que não for bom. Mesmo o que for desagradável deverá ser dito. Porque calar é perigoso. Não nos separe o silêncio, nunca.” Assim foi o pacto que fizeram Carlos e Isabel, tão logo se descobriram apaixonados e dispostos a viver juntos vida afora. “Tem a minha palavra”, disse Carlos. “Tem a minha palavra”, respondeu Isabel. Casaram-se poucos dias depois. Ao cabo de dez anos, com a paixão um tanto esgarçada e froux

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  • 20 agosto

    Nossa nave

    Há pouco mais de quarenta anos, a sonda Voyager 1, já distante mais de 6 bilhões de quilômetros de casa, recebeu uma ordem inusitada: virar-se e, com sua câmera já cansada, fotografar o ponto de onde viera. Carl Sagan chamou a imagem de “Pálido Ponto Azul”. Nessa fotografia, a Terra ocupa menos de um pixel. É um grão de poeira suspenso num raio de luz solar. Dalí Nenhum mapa, nenhuma fronteira, nenhum presidente, nenhuma guerra, nenhum amor ou

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  • 20 agosto

    Bubbaloo tutti-frutti

    Reunião de pais e mestres. — Mãe, o Anderson é um bom menino, educado, gentil, quietinho, não dá trabalho. No entanto, precisa prestar mais atenção nas aulas. Tem horas que ele parece viver no mundo da lua. A mãe olha o boletim, que segue com notas regulares, sem nenhum vermelho. Mais tarde em casa, ela parabeniza seu filho por ter recebido elogios da professora, e por não ter ficado abaixo da média. Perfeito, não iria perder o videogame aos finais de sema

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  • 19 agosto

    Desperdício de amar

    Dandara tinha uma casa espetacular. Sendo minha melhor amiga, me chamava várias vezes para visitá-la. Brincávamos e esquecíamos do tempo. Dormi algumas vezes lá durante as férias. Sua mãe gostava de mim porque eu era educada e estudiosa, talvez pensasse que eu seria uma boa companhia para a filha. Seu pai era arquiteto de “mão cheia”, como dizia mamãe. Era uma família endinheirada, diferente da minha, que não chegava à classe média. Nunca percebi qualquer

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  • 19 agosto

    A Nora, o cachorro da Nora, os namorados da Nora e o adestrador

    A Nora tinha um cachorro. A Nora também tinha um namorado. O cachorro não gostava do namorado da Nora. A Nora contratou um adestrador pra fazer o cachorro acostumar-se com o namorado. Já que ainda não existe adestrador de namorado. Pouco tempo depois, quando o cachorro já estava amiguinho do namorado, o namorado caiu fora. A Nora tinha dotes físicos e intelectuais exuberantes e logo trouxe outro namorado. Pro outro namorado também foi precis

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