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  • out- 2026 -
    21 outubro

    Engasgo

    Tenho tanto para dizer. Engasgado. Entalado. Falei enquanto pude. Sou conhecido nacionalmente, por ser historiador e filósofo, e, principalmente, com o conhecimento que tenho, por defender a soberania, a justiça social e a democracia. Quando meu pai era vivo, tinha algum respaldo, porque ele foi do movimento estudantil, lutou contra a ditadura militar, inclusive foi preso por isso; amargou anos de sofrimento, até mudar de cidade e conhecer a minha mãe, mom

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  • 21 outubro

    De onde se escapa o amor?

    De onde se escapa o amor? Quem não se limita a viver só talvez também não saiba viver com o outro. Quem não encara a própria solidão a sós, não, a só, talvez não suporte a presença de alguém sem transformá-la numa tentativa de preencher aquilo que lhe falta. Dizem que o amor transforma. Mas o que seria essa transformação? Tornar-se dor? Amar também dói, é verdade, mas a dor não pode ser a única testemunha do amor. Quando tudo o que resta é sofrer, pode-se

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  • 21 outubro

    Eleições 2026

    No dia 04 de outubro de 2026, ocorreu o 1° turno das eleições para deputado, senador, governador e Presidente da República, em uma representação da maior festa da democracia. Democracia é uma palavra velha, já desgastada pelo uso, de origem grega, a qual remete a um governo que possui participação popular nas decisões políticas, seja por meio direto ou indireto. Às vésperas do começo das apurações, mesmo sem ser repórter ou jornalista, já me encontrava de

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  • 21 outubro

    Conversa de elevador

    Em meio à correria de nossas rotinas, costumamos ser presenteados com boas e instigantes conversas. Com o condão de provocarem a reflexão, muitas delas podem até mesmo incitar em nós a revisão de nossas opiniões e de nossos atos. Mas existem também aqueles momentos mais descontraídos, perfeitos para a descontração de um bom chiste ou para a leveza de um bom causo. Afinal, a vida não é feita apenas dos acidentados e pedregosos terrenos da filosofia e da pol

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  • 20 outubro

    O amor que Ela nunca quis viver

    “Nossa, que cheiro de maconha é esse?”, Mirella quis saber, olhando ao redor. Era denso, encorpado. Alguém queimava forte por ali. “Certamente é aí de cima, tem um cara nesse prédio que pega de jeito”, Marcelo explicou apontando para o alto, para o prédio de apenas três andares que ficava em cima do bar. Mirella não disse nada. Quando o assunto era maconha, não fazia cara de quem gostava nem de quem condenava. “O pessoal do meu trabalho acha que eu sou mac

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  • 20 outubro

    Relembrar é resistir!

    Estamos passando por dias tensos. Há uma ansiedade pesada no ar e um aperto no peito sobre o que será do nosso país nos próximos dias. O cenário político é incerto, e o mais alarmante é ver como a memória coletiva vacila rápido diante do tempo. Parece que muitos se esqueceram do caos recente – das lições que nos custaram tantas vidas. No documentário Anatomia do Caos (2025), a cineasta Dandara Ferreira resgata os bastidores da CPI da Covid-19 e expõe uma l

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  • 19 outubro

    Detalhes

    Entra na confeitaria pensando em tomar um espresso para aquecer a tarde chuvosa. Pede um salgado e um refrigerante pequeno. Não sabe por que mudou de ideia. Senta-se de frente para a rua. Gosta de admirar as pessoas que passam e ouvir os pequenos fragmentos do dia a dia de cada uma delas. Na confeitaria, um homem emocionado conta ao balconista histórias de sua juventude ligadas ao lugar. Levou sua primeira namorada para comer um doce com morangos. Demora-s

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  • 19 outubro

    Nostalgia Jornalesca

    Durante a noite, eu havia escutado trovoadas. Imaginei uma grande luta no céu. As nuvens, o sol, a lua e as estrelas numa verdadeira batalha, disputando quem reinaria no novo dia que se aproximava. Um elegante duelo de Titãs. Amanheceu. Para meu espanto, o sol havia perdido. As nuvens, um pouco arroxeadas, mostravam os sinais de que havia sido uma grande luta. Elas estavam carregadas de chuva, haviam dominado o dia e deixado meu amigo sol em total nocaute.

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  • 19 outubro

    Poema #91: Anos 70

    há muito que não a vejocalibro a saudade no peitoalfa centauro, sorteio:não sei se te beijoou se bebo.Uma Escada que Deságua no Silêncio

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  • 18 outubro

    A palavra medo

    Cena de guerra e fuzil e sangue… Onde estão os afagos e os beijos e o abraço? Cena de guerra e mãos para cima e mãos algemadas e confusão. Uma crônica áspera e truncada e difícil, um senão. Os beijos e os afagos e o abraço onde estão? É só poeira e tristeza e desilusão. Estarão juntos o beijo e o tiro, o abraço e o fuzil, os afagos e a agressão? Cena de guerra, uma página na história, botas, farda, faca entre os dentes, caveirão. A violência constant

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  • 18 outubro

    As cortinas do meu infinito

    Já cantava minha mui querida Rita Lee — Baila comigo — lá no meu esconderijo. O meu. Secretíssimo. Um canto feito de flores antigas, perfumes esquecidos e aquela luz dourada das tardes de outono. Raios que atravessam as frestas das cortinas voadoras e transformam minha janela em portal. Um portal para o infinito. Mas não um infinito qualquer. O meu infinito. Aquele que mora dentro de mim. É ali que reparto com minha criança interior o sabor das balas puxa-

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  • 18 outubro

    Os destaques da semana

    1. Exercício literário: chamado a partir de post do instagram | … Estive. Dadas as indevidas proporções. Horas antagônicas, gotas de minutos que se desarmavam em câmera lenta. E eu, lá… L.A: Lugar Amargo. Estive, tempo-espaço-ação demasiadamente prolongado; fracionando demais, passei, compareci, permaneci, existi, permaneci, fiquei. Divagando. Desproporcionalmente, estive. 2. Das primeiras vezes Kickboxing. Fiz minha primeira aula, estreando em

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  • 17 outubro

    Assassina

    Adelaide nunca desejou se transformar numa assassina. Achava mesmo que não apresentava tal vocação. Afinal, era discreta e vestia-se com sobriedade. Tinha uma vozinha fina e pausada, um cabelo bem cortado tingido de ruivo desde os vinte e poucos, uma pele alva salpicada de sardas, além de gestos econômicos e displicentes, que não combinavam nada com um jeito criminoso de ser. Ademais, esses programas sensacionalistas da TV, repletos de sangue, de crime e d

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  • 17 outubro

    Estou chateada

    Logo eu! Tão receptiva, beneplácita, afetiva…  Isso não é legal… Atravessei oceanos, vi cometas, vivi em dois séculos, acendi fogo com casca de milho seco, meu fogão é de indução… E muito além dessas coisinhas bobas aprendi a escrever “cobrindo” as letras, o que nos fazia ter letras clone às das professoras. Nada de letras de forma para depois aprender letras cursivas. Datilografei  eu mesma os trabalhos escolares, na maquininha Olivetti portátil

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  • 17 outubro

    BRAZIL 3027

    Em 3027, nosso país afinal encontrará sua vocação mercadológico-espiritual, tornando-nos oficialmente uma nação teocrática. À Constituição de 1988 será incorporada, como apêndice, uma versão da Bíblia Sagrada prefaciada e revisada por Silas Malafaia. Inaugura-se assim o princípio basilar da Nação de Cristo, sob a égide da fé e do livre mercado. O STF perde sua soberania jurisdicional. Suas decisões passarão a ser submetidas à apreciação do Grande Conselho

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  • 16 outubro

    A folha e a pedrinha

    No caminho encontrei uma folha e uma pedrinha. A folha havia caído suave ao chão, a pedrinha veio presa ao calçado de alguém e se soltou ficando junto a folha. Nenhuma das duas chegou ali por força de algum planejamento. As duas ficaram juntas como parte de tudo que vem carregado pela corrente aleatória dos fatos da vida. Um acaso só. A folha e a pedrinha um dia fizeram parte de algo maior. Uma estava na árvore, outra no rochedo. Cada uma em sua origem era

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  • 16 outubro

    O enterrado vivo

    Porque hoje é dia de São Sebastião, e estouram foguetes na minha janela, lembrando que é dia de festa, vou falar da sua história, Sebastião Fidélis, que você merece festa. Ninguém mais fiel que um Sebastião Fidélis, fiel até no nome, fiel à vida e seus caminhos e descaminhos. Imagino você, velho caipira mineiro de Campo do Meio, velho apesar de apenas 43 anos de idade, de cócoras entre os túmulos, se benzendo, acendendo duas velas, e cuspindo o fumo de lad

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  • 15 outubro

    A grande obra

    Deixei tudo para escrever a obra da minha vida. Sou um grande escritor. Ninguém sabe disso ainda porque nunca escrevi nada, mas quando eu escrever meu livro, meu grande romance… A admiração de todos será um acontecimento, não tenho dúvida. Para levar a cabo essa minha missão, pedi desligamento do meu emprego público e… do que mais me desliguei? De nada mais, porque nunca tive amigos e os parentes há muito tempo se esqueceram da minha existência. Isso posto

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  • 15 outubro

    Seu nome no mundo

    Existem entrelaços perigosos, e é seguro dizer que, depois de 72 horas de confidências indistintas, esse é um deles. Inauguramos uma nova fase: eu te contei um segredo. Um gesto tão pequeno e tão grande. A trilha sonora de fundo combina com a adrenalina que eu sinto, tão diferente de todo o resto, e diz: “você parece tão legal, fique”. E eu já associo essa música a você. Afinal, essa é a história que parece um encanto no meio de tantos desencontros. E, de

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  • 15 outubro

    Passou o tempo de roubar amoras

    “Passou o tempo de roubar amoras, mangas, goiabas e mexericas no quintal do vizinho”.Elias José, em “Cantigas de adolescer” Nunca fui de subir em árvore. Fui um menino tímido. Era ruim de bola e não subia na laje para soltar pipas. Mas teve um acontecimento que me deixou um gosto de aventura: foi quando, pela primeira vez, eu ouvi “I want to hold your hand”, dos Beatles. Eu não sabia quem eram os Beatles. Não sabia nadin

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  • 14 outubro

    Em boa hora

    Fui arrebatado por aquele olhar. Nem sabia que sentimento algum podia me pegar. Profetizei, seguro, que não me “juntaria” com alguém até estabilizar a minha vida financeira. Depois que acabei o namoro com Daniela, com quem achava que iria casar (um namoro morno e regular), resolvi me dedicar aos estudos e à profissão. Sou recém-formado em Odontologia (faz três anos que concluí o curso) e estou fazendo das tripas coração para montar um consultório no centro

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  • 14 outubro

    Precisei me matar para renascer

    Precisei me matar para voltar a ser quem sou. Há uma obscenidade nessa constatação, eu sei. Como se a existência, em algum momento, tivesse exigido de mim a minha própria ausência para que eu pudesse regressar. Não sei exatamente quem morreu. Talvez tenha sido aquele que eu acreditava ser. Talvez tenha sido o outro, esse que me habitava sem pedir licença e que, durante muito tempo, confundi comigo. Há mortes que não deixam cadáveres. Deixam sobreviventes.

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  • 14 outubro

    As muitas faces de seu Levi

    Poucas ou inexistentes são as pessoas que se destacam apenas por suas qualidades. Como seres falíveis que somos, tanto nossos defeitos como nossas aptidões podem bem ser usadas para descrever nossas personalidades àqueles que não nos conhecem. A depender do relator, se um apologista ou um detrator, nossos feitos serão realçados de uma maneira ou de outra, sem que a validade do informe seja, necessariamente, comprometida. São essas coisas que me vêm à cabeç

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  • 13 outubro

    Os sonhos do Lupércio

    Um deles era ser entrevistado: como os atores, os cantores, os escritores e os jogadores de futebol. Imaginou e pôs em prática um plano sui generis: ajudou a atravessar uma velhinha e largou ela no meio da avenida. A velhinha fez um baita dum escândalo, chamaram a polícia, e ele, o Lupércio, foi parar na delegacia. Batata! Como ele queria, foi entrevistado pelo delegado.  O delegado disse bom dia, como vai? e ele respondeu que tudo bem. — Cafezinho? — Obri

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  • 13 outubro

    Saudades dos tucanos

    Blackbird singing in the dead of night / Take these broken wings and learn to fly / All your life / You were only waiting for this moment to arise – “Blackbird”, The Beatles Fecho os olhos, e tucanos da minha infância planam em meus pensamentos. Há mais animais que desfilam, como cachorros, micos e papagaios. Os tucanos se destacam, porque eles sumiram. Ao contrário dos outros bichos, que, ocasionalmente, encontro na cidade grande. Vê-los significava féria

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  • 12 outubro

    Poema #90: Alguns homens

    Aqueles que esperamque todos durmampara então se revelaremno escuro do mundoagora despovoadode leis e de homensque foram fatigadospela batalha diáriade se ganhar dinheiroe etcetera e coisa.Aqueles que se recolhemquando todos já acordadosrecomeçam o ciclo da vidasubitamente interrompidopara o ensaio da mortee que assim em movimentonão percebem os sonhosespalhados na noitepor gente incógnitaque digere o mundopara o sustento possívelde uma impossível unidadec

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  • 12 outubro

    Poema #12: O sabor dos ventos

    nuvens cor de marnelas posso navegarsem barco nem remosó com as mãos e a coragem quem cai, não se afogaquem se perde, não temeque nas águas desse lugaras ondas embalam sem engolir longe da praia, longe de lámais perto do céu, onde eu quero estarbrisa em que o corpo flutua, sem náusea,entregue, convicto, ao ritmo do ar nuvens cor de maruma só não bastaránum oceano de sentidos,quantos destinos podeum marinheiro encontrar?

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  • 12 outubro

    Aos 16!

    Enfrenta seus porquês: quer respostas, quer experimentar… Arrisca-se, arroga-se, ensoberbece! Sabe o que ninguém nunca soube. Seu caminho, com certeza, será diferente de todos os outros. Empina o nariz, responde com autoridade, briga com o vento. Sabe, mas não sabe. Pensa que não, mas precisa… O som alto disfarça a ansiedade, os amigos disfarçam a solidão. Envolvida numa interna guerra entre ser e querer, todos os caminhos estão diante de si. T

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  • 11 outubro

    XÊNIA precisa matar alguém

    Xênia estava a ponto de desistir de tudo. Vinha tendo problemas com o marido e os filhos. Ele, gordo, careca, sempre doente e reclamando da próstata que aumentara, do café frio, da chuva, do custo de vida e do governo. E, principalmente, dela. O filho mais velho, vagabundo, demente e drogado, sonhando ser cantor de rock. E não gostava de banho. A menina, uma amoral rebelde e chata, tinha o corpo coberto de tatuagens e piercings. Havia feito três abortos e

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  • 11 outubro

    Quatro patas — dentro e fora de mim

    Chove. Acordo na escuridão com o som de gotas furiosas contra a telha ondulante a minha direita, no vão coberto entre o edifício em que me encontro e o do lado. Ouço o ritmo onírico do meu Zeca roncando. Ele sonha. É lindo. Expressão da mais tenra felicidade em mim, tanto quanto a sensação de ter seu pesinho peludo em meu colo, ou seu pulinho, todo molhado, ao sair do banho e deitar de bruços, confiante, sobre a toalha limpa estendida sobre minhas pernas e

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