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  • maio- 2026 -
    2 maio

    Sertanejo Universitário

    “Ô saudade que eu tava da vida de cachorrada, da vida de putaria” — (Gusttavo Lima) Quando ouvi pela primeira falar em ‘sertanejo universitário’, a ideia que me passou pela cabeça é que se tratava de uma versão mais elaborada do sertanejo ‘mainstream’&nb

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  • 2 maio

    A aventura

    Com um sentimento de alívio pelo dever cumprido, Tarcísio depositou a última caixa na carroceria. O esforço solitário doía nos braços. Abriu a porta do lado do motorista, sentou-se ao volante e girou a chave. Passou os olhos pela lista de compras que segurava:

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  • 2 maio

    Metamorfose

    A lagarta vira borboleta.      Mas a borboleta não volta a                  ser lagarta.  Existem as boas mudanças e aquelas diante das quais exclamamos: eu achei que não podia piorar! Quando mais jovem ouvi a expressão: A mudança é a única constante da vida.

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  • 1 maio

    Zebras à vista na copa do mundo

    Estava passando em revista os 12 grupos da copa do mundo de futebol e conhecendo as 48 equipes. Um comportamento estranho, admito, porque nunca fui fã de copa do mundo, como atestam as pessoas que me conhecem. Verdade. Me entusiasmei mais com a copa do mundo d

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  • 1 maio

    Os dois chapéus

    Os dois chapéus vinham boiando nas águas revoltas do rio; quase soçobravam nas ondas encapeladas, entre tábuas, troncos, montes de lixo e um ou outro cadáver, sob o voo indiferente dos urubus; mas vinham resolutos, altaneiros, ostentando orgulhosos as suas ins

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  • abr- 2026 -
    30 abril

    Como sempre foi

    Quando fecho os olhos, o mundo desaparece. Quando os abro, o mundo corre para se recompor no mesmo instante. Às vezes, durante o período infinitesimal dessa transição — e isso é apenas uma percepção —, acredito surpreendê-lo ultimando seu trabalho de recomposi

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  • 30 abril

    Lugar interno

    Há mendigos que não estendem a mão nas esquinas, nem carregam embrulhos com roupas sujas. Sua fome não é de pão, mas de palavras; sua sede é de olhares que os reconheçam. São os mendigos emocionais, aqueles que vagueiam pelos corredores das relações com uma ti

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  • 29 abril

    Não arredo pé

    Natyely se deleita com o meu fracasso. Ela é o único ser que conheço que não tem empatia. Quando éramos criança, ela ria das minhas quedas, até quando fraturei o braço. Na ida para o hospital, não parava de rir, um riso estridente e sarcástico, como se eu foss

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  • 28 abril

    Todos os meus amigos são caretas

    Todos os meus amigos são caretas. Talvez um só não seja, mas os outros, todos, são. Foi esta frase que, de repente, ao acordar — antes mesmo do café da manhã —, vim correndo aqui anotar. Nenhum amigo meu bebe, fuma; nenhum é notívago, folião de carnaval. Não t

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  • 27 abril

    Poema #67: Saldo

    De cotidianos resíduosarrancados na solidão de prisioneiroem que todo o meu ser se devora,tento compor uma imagem humanaque me faça aceitável a mim mesmo. No silêncio da morte aparentena qual me recolho ao túmulo previstonão sei com que ânsia mórbida de calma,

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  • 27 abril

    Assintomáticos

    Zími chegou em casa no domingo de manhã depois de dar um rolê  sozinho. Saiu do elevador às sete e trinta e cinco. No corredor do apartamento que dividia com Mila Cox, pairava densamente um cheiro que era misto de café, xampu e maconha. Mila Cox já havia acord

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  • 26 abril

    Fluxo e pulso das horas

    “A gente jamais esquece o primeiro relógio.”¹ “ […] As últimas datas, descobertas, invenções,sociedades, autores antigos e novos,Meu jantar, roupas, amigos, olhares, cumprimentos, dívidas,A indiferença real ou fantasiosa de um homemou mulher que eu amo,A doenç

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  • 26 abril

    Match fatal

    Nunca tinha entrado em sites de relacionamento, mas naquela noite decidiu experimentar. O universo digital estava ali, ao alcance de um clique — por que não se aventurar? Ouviu dizer que era uma forma infalível de conhecer mulheres disponíveis. Bastava preench

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  • 26 abril

    Poema #17: Quem é poeta quem é vigia

    Soldado canta tristeSentinela!Quem é poeta? Vento que prestaBarco a velaQuem é poeta? Pescador lança triste o anzolPoeta!Quem é vigia? Vento que espiaAmor que esfriaQuem é vigia? Moça olha triste o céuEspera.Quem é poeta?Quem é vigia? Vento que prestaVento que

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  • 26 abril

    O talento dos outros

    Tenho imensa gratidão pelas pessoas que fazem aquilo que não sei ou não gosto de fazer. Cozinhar, ainda que a contragosto, é possível, mas fazer meus próprios sapatos está fora de questão. A lista das profissões que me atraem é infinitamente menor do que a lis

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  • 26 abril

    COMPULSÃO

    Elisa sempre quis ser advogada. Formou-se bacharel em Direito e exerceu a atividade jurídica durante quatro anos numa firma de advocacia, especializada em Direito Familiar. Após a graduação, passou em concurso público para ocupar o cargo de Juíza Substituta. C

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  • 25 abril

    VIOLETA

    “O louco é estrangeiro em sua própria pátria” — Livia Garcia-Roza Eu, Violeta Pinheiro do Nascimento Vasconcelos, estava lá quando ela chegou. Eu fui parte desse nascimento, ela saiu de dentro de mim. Eu a expeli. Ela nasceu antes do tempo e me sur

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  • 25 abril

    Detesto o meu novo amigo!

    Ele sempre me corrige, acha que sabe mais do que eu, e pior, quer empurrar a ideia dele, na força das argumentações. Sim, pois nisso ele é bom! Me põe como sonsa, fútil e até ignorante. Destila o seu suposto saber, com exemplos, ideias atravessadas, tudo em no

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  • 25 abril

    É difício

    “Da força da grana que ergue e destrói coisas belas” (Caetano Veloso, Sampa) Quem tem, como eu, a desventura de residir em São Paulo, já se deu conta, angustiado, da incontrolável proliferação de novos prédios que vêm pipocando pela metrópole, em especial nos

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  • 24 abril

    O papagaio de Humboldt

    Em fevereiro de 1800, o barão Alexander von Humboldt inicia a exploração do rio Orinoco. Recolhe diversas espécies de plantas e animais desconhecidos, mede meticulosamente a temperatura do rio, do solo e do ar, a pressão atmosférica e a inclinação magnética. D

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  • 23 abril

    Aprendi a ser o máximo de mim mesmo!

    Essas foram palavras deixadas por Nelson Rodrigues, um mago da literatura, escritor, jornalista, romancista, teatrólogo, contista e cronista de costumes, e de futebol brasileiro. É considerado o mais influente dramaturgo do Brasil.  Além dessas palavras, acres

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  • 23 abril

    Os olhos e o sorriso dela

    Existiu há muito tempo um homem que dedicou sua vida a estudar o sorriso mais famoso do mundo. Enigmático, indecifrável, dissimulado, insolente — ele jamais admitiu esses adjetivos para descrever o que chamava de “o mais belo ricto da história da espécie human

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  • 22 abril

    O chamado

    O telefone tocou. Não olhei, de primeira, porque estava preparando o café e o pão com mortadela, para o desjejum. Entre uma coisa e outra, vacilei e vi o nome de Iasmin na tela do celular. Por que fiz isso? Foi instintivo ou uma premonição? Uma coisa absolutam

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  • 22 abril

    O fantasma do ferro-velho

    Nunca fui de me impressionar com coisas sobrenaturais. Acho-as, inclusive, enfadonhas e desnecessárias, pois em nada contribuem para a vida prática. Trata-se de um mercado tão comum como qualquer outro. Primeiro criam um problema, depois vendem soluções fracio

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  • 21 abril

    As 7 Palavras de Cristo na Cruz

    A pergunta foi direta como um chute do infalível Bruce Lee em seus melhores dias: por que as últimas 7 palavras de Cristo na cruz? E o poeta, sem querer fazer poesia, respondeu na sua forma sertaneja de ser. Mas, afinal, por que “sertaneja”? Simples. O poeta,

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  • 21 abril

    A certeza que cansa o olhar

    Otto Lara Resende escreveu uma das minhas crônicas favoritas: “Vista cansada”. Li pela primeira vez na faculdade de Letras. Depois, voltei a ela muitas vezes, sempre com o mesmo incômodo. É uma crônica triste, muito triste. Diz que, de tanto ver, chega uma hor

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  • 20 abril

    Do avesso

    Mila Cox achou que Zími estava enlouquecendo de verdade quando ele lhe contou sobre um de seus dilemas.  Estavam no banco de trás da Kombi do amigo e vizinho uruguaio Silvano.  Era um domingo pela manhã, e voltavam de um show que fizeram com mais trê

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  • 20 abril

    Poema #65: Rio Grande

    O Rio Grande não é apenasgrande, ele é tambémreferencial de um sonho(ponte de água clarainterligando abismos).Dreno com meus olhos líquidosa sua enseada como quem nãodrena nada, exceto a visão da água. E como a viagem não permiteque se fique sempre às margensd

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  • 19 abril

    Duas sessões: um respiro, apesar de # e @

    Quanto mais Inteligência Artificial, maior a cobrança por performance, por entrega, por prazos que já deixaram de ser humanos. O mundo segue tendo seus ciclos — noite e dia, dias que viram semanas, semanas que viram meses — e, num piscar de olhos, os anos pass

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  • 19 abril

    Vigília

    O relógio marcava três da manhã. Maria Augusta se revira na cama pela enésima vez. Maldita insônia. Olha agora o teto do quarto e procura entender por que não dormia. Luzes apagadas, silêncio, tinha acordado cedo, sentia-se cansada, mas o infeliz do sono não v

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