A culpa do descanso

  • A culpa do descanso

    Domingo à tarde, Severo olhou para a poltrona da varanda.

    Titubeou.

    Será que não seria bom aproveitar para tirar toda a roupa do armário e decidir o que pode ir para doação?

    Titubeou.

    — Hoje, acho que não.

    Então, por que não fazer uma limpeza nos boletos que chegaram e organizar tudo nas pastas?

    Titubeou.

    — Deixa pra lá. Não é prioridade.

    Colocar as roupas na máquina para adiantar o trabalho de amanhã?

    Titubeou.

    — Bobagem. A faxineira fará isso.

    Então poderia pegar aquele livro que estava tentando terminar havia tempos.

    Titubeou.

    — Humm… sem vontade.

    E se simplesmente se sentasse na varanda, sem fazer nada?

    Titubeou.

    — Mas… como é isso?

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