Recentemente, no feed da minha rede social, deparei-me com uma notícia curiosa, que me chamou bastante atenção pelo alerta que evocava logo em seu título, expondo, com todas as letras, aquilo que, até então, só tinha visto em filmes de ficção científica: “[…] risco de a IA exterminar a humanidade”. Mas, como indivíduo que não acredita em tudo o que é postado na internet, fui analisar a fonte da matéria. E descobri um fato que me deixou em choque: a notícia era verdadeira. Não só isso: era de um veículo de comunicação confiável e de representação internacional: a BBC News Brasil. E agora? O fim dos tempos está batendo à porta?
Ao fato supramencionado dediquei não mais do que poucos minutos, já o suficiente para o algoritmo da plataforma avaliá-lo como sendo algo de elevado interesse para mim. Passou, então, a recomendar várias postagens relacionadas à notícia visualizada. Com isso, foi suscitado, diante dos meus olhos, um debate sobre os usos da inteligência artificial na sociedade contemporânea, bem como seus impactos no âmbito pessoal e profissional dos indivíduos. Por um lado, eram destacados os avanços da IA sob uma ótica de benefícios à sociedade, frisando suas contribuições tanto na resolução de problemas complexos quanto na geração de métricas para o apoio à tomada de decisões fundamentadas. Em contrapartida, por outro lado, eram explicitados efeitos negativos, como a dependência tecnológica, a substituição da mão de obra humana em algumas profissões, questões éticas no tocante à coleta de dados pessoais e à segurança dos mesmos.
São discussões que até parecem não ter grande valor agora. Entretanto, são de suma importância para o futuro da humanidade. Imagine se, algum dia, a obra decidir unilateralmente exterminar o criador — ou melhor, os criadores. O que faremos? Estaríamos perdidos, uma vez que a IA sabe de tudo. Ela não é onipresente, mas está em todos os lugares, na palma da mão de todo mundo. Não é onisciente, mas sabe dos nossos gostos, do local onde moramos, do nome das pessoas que amamos, da nossa personalidade… Fiquei perplexo ao saber que existem pessoas perguntando ao ChatGPT até se devem terminar um relacionamento, se devem responder a uma mensagem de determinada maneira e, pasmem, se há formas eficazes e indolores de cometer suicídio…
Já fiz provas sobre essa temática, apresentei seminários, assisti a filmes e documentários… Ou seja, não é algo distante; pelo contrário, está expressivamente presente em nossa vida diária, mesmo que não nos demos conta. Ao refletir sobre uma possível retaliação da IA por meio de robôs e sistemas inteligentes, impelido pela notícia da BBC, fico imaginando: a “inteligência” que a IA possui advém do processamento de inúmeras fontes de dados em uma fração de segundos. E essas fontes não surgem ao acaso, muito menos são elaboradas por ela, mas, sim, por seres humanos reais que investem no conhecimento, os quais passam anos e anos fazendo graduações e pós-graduações para dominar um tema de pesquisa ou uma área de aprofundamento específica, diante de um mar de saberes que nunca serão explorados em sua totalidade, pois sempre há algo a aprender.
Acredito, portanto, que as máquinas podem, sim, sair de controle. Por isso, deve haver preocupação nacional e internacional em regular o avanço dessas tecnologias. Todavia, não considero que a IA consiga ser 100% independente dos seres humanos, mesmo com as capacidades absurdas que possui. Quem quer descobrir?
Em uma possível revolução, espero não estar mais presente. Usemos as ferramentas de modo consciente e cobremos medidas que contenham os perigos da nossa própria criação.