No último domingo, eu vi a cena mais impressionante da minha vida. A emoção foi imensa, não pude conter. Nos abraçamos, eu e minha família. Uma virada histórica colocou o nosso presidente em primeiro lugar. Senti um alívio. Foram meses de luta, de angústia e aflição, sem dormir, sem ficar quieto por um mísero segundo. Muitas pessoas falavam em psicose coletiva, mas, a bem da verdade, era e foi somente a luta pela liberdade e pela democracia. Tudo estava em cheque, principalmente serem apagados os diversos crimes dos bolsonaristas – ou a provável soltura do chefão. Jamais iria permitir que a corja dominasse o Brasil, com a sua bandidagem escancarada, miliciana, e envolvida nos piores crimes. Um colega me pediu paciência, que eu estava muito exaltado. Isso é pura ironia, porque, apesar de nervoso, eu não passei dos limites da civilidade. O cara queria me tirar de tempo, bolsonarista, claro, para que eu ficasse pianinho e não movimentasse as redes sociais – e isso, com certeza, foi um impulso para que eu me mexesse mais. Sabendo ele que eu tinha um bom alcance virtual, quis me silenciar. Não dei a mínima, continuei com as minhas postagens, no exército de Lula. Chegamos, com Janones, a dez milhões de seguidores do dito exército, uma referência aos fiéis ao grande estadista do país. Foi prazeroso, encontrei pessoas incríveis, imbuídas dos mais nobres sentimentos. O colega relatado disse que eu precisava de um tratamento. Eu, como não sei mentir, disse que ele precisava de dois ou mais, além de estudar história e ser comprometido com a coletividade, que a vida não girava em torno de seu umbigo. O homem veio me ameaçar, tudo digitalmente, para que eu parasse de falar “asneira”. Asno, pelo que eu saiba, é um bichinho bem fofinho; não fiquei com raiva da alusão. Por fim, ele disse que eu precisava de um internamento urgente, que estava como um zumbi defendendo um bandido. Perguntei: mas que bandido? Que crimes? Ele inventou que eu era comunista safado e que merecia levar uma surra – sem um pingo de argumento, quis me atacar, já não mais veladamente. Me ameaçou diretamente. Disse que eu estava sendo vigiado. Eu o bloqueei instantaneamente. Antes disso, falei que ele era um tremendo de um babaca, dono da verdade suprema; um fajuto sabichão. Mandei-o para a puta que pariu e fui curtir a minha vitória, não tinha tempo a perder com protetores de miliciano. O dia passou, a vida mudou. Quando acordei, senti uma aura tranquila, como se um novo Brasil se abrisse em minha frente. O mundo todo noticiou a grande vitória, menos os EUA, claro. Aqui bolsonarista, extrema-direita, não tem vez. Mãos à obra e democracia, sempre. E, para que fique claro, continuarei na luta, para que o nosso país possa oferecer uma vida de qualidade para os mais pobres, principalmente, para que possam mudar efetivamente de vida.
*NOTA: Textos assinados por colunistas não refletem necessariamente a opinião do portal Crônicas Cariocas, que busca manter um espaço amplo e aberto a diferentes vozes. Sobre o deputado André Janones, apontado como uma das lideranças de mobilização do governo Lula, pesa uma medida protetiva baseada na Lei Maria da Penha com validade até 2025. Além disso, o parlamentar foi acusado de prática de “rachadinha”, acusação que inicialmente negou, mas que posteriormente culminou em um acordo com o Ministério Público.