O menino que escrevia versos

  • O menino que escrevia versos

    O menino e a palavra eram amigos desde sempre.

    Inseparáveis como as horas e o tempo.

    Sensação, coração e pensamento.

    A palavra era a bola, a rasteira, a corrida, as travessuras…

    A palavra era o rosto, as descobertas, as noites escuras.

    O menino escrevia a vida e as suas cores em palavras pequenas, palavras grandes, palavras muitas ou palavras poucas. Cidades e
    ruas.

    A palavra se fazia chuva, sol, mar e vento, beijo e estrada, sonho, abraço, sentido, tudo e nada!

    O menino era poeta! Dizia com assombro a mãe!

    O menino era poeta! Falava paralisado o pai!

    O menino se metia com os versos? Indagava um e outro familiar.

    Não havia ser vivente que não questionasse o porquê dos versos.

    A verdade é que o menino abria os olhos e, para enxergar o mundo, escrevia. Escrevia suas histórias, registrava suas memórias e
    juntava lugares e nomes e sentimentos.

    Misturava o que ouvia, inventava o que não existia e simplesmente escrevia…

    Depois de algum tempo, já sabedores da situação, ninguém mais perguntava a razão.

    O menino é assim mesmo!

    Bola, papel, pião. Catavento, sopro, dragão.

    Laço, entrelaço, uma mão.

    Caminho, descaminho, construção.

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