há muito não via um
trem.
com o peito ofegante
e os ombros dormentes,
não por carregar latinhas e papelão
o dia todo,
mas algo invisível
na corrente de seu pescoço
pesava mais que mil cachorros.
arfava, junto aos matos
e entulhos, um bafo quente de boas-vindas.
estava a menos de cinquenta passos da linha férrea.
olhou pra cima.
um céu sem estrelas, sem lua. outra noite sem filme.
imagens granuladas
invadiam sua míope memória em noites assim.
abriu um Corote,
sentou-se na varanda
e uma estrela cadente
atravessou
alguma história de criança.
há muito não via um
trem.
para algum lugar
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Poema #10: para algum lugar