Poema 22: Línguia

  • Língua

    Língua breve, toda clara, toda escura,
    Aos poucos caminha, para, continua
    e entre o areal, a bruma, a leve chuva
    a face se mostra, inquieta e muda.

    Língua instante – objeto nada – rara, pouca
    Para, continua, para… tonta e louca
    Ensaia um grito, uma palavra, outra,
    A voz se insinua, miúda e rouca.

    No entanto, nas contradições do descaminho,
    Faz-se a língua na própria língua
    Faz-se o verso em todo o canto.

    O poeta, imagem irreal, o instinto,
    Busca a palavra, suga-lhe o sentido
    Regurgita o poema sob aplausos e espanto.

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Desative para continuar