Trending Topic

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    Quando nasci ninguém prestou muita atenção em mim. Ao sentir as dores, minha mãe não achou necessário avisar a parteira nem incomodar meu pai, que dormia e roncava de boca aberta, largado no sofá da sala, o copo vazio de cerveja na mão. Fui o sexto filho, e parir tinha virado rotina na casa em que vim ao mundo. Minha mãe fez tudo sozinha, já estava acostumada. Afastou os lençóis, forrou a cama com um par de panos brancos que depois seriam jogados fora — ela sabia da quantidade de sangue e secreções que jorraria do meio de suas coxas —, deitou-se de costas, abriu as pernas e empinou o quadril. Fez força para que eu saísse de dentro dela. Gemeu baixinho e em poucos minutos lançou-me ao mundo. Depois dormiu. Acordou com o som do telefone celular, avisando que tinha mensagem. Esticou o braço e pegou o aparelho em cima da mesinha de cabeceira. Leu o tuíte “A este mundo chegamos sozinhos e a solidão nos acompanhará por toda a vida”. Achou graça e riu. A mensagem era trending topic nas redes sociais. Minha mãe me olhou com ternura, pegou-me nos braços e enfiou o bico de um seio em minha boca. Enquanto eu mamava, criou um perfil bonitinho para mim no Facebook e no Instagram e me adicionou à sua lista de seguidores, conectando-me devidamente a este mundo.

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