há muito que não a vejo
calibro a saudade no peito
alfa centauro, sorteio:
não sei se te beijo
ou se bebo.
Uma Escada que Deságua no Silêncio
Uma Escada que Deságua no Silêncio
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Poema #91: Anos 70
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Poema #47: Andarilho deitado
O vento sopra um frio doido e esquisito
na curva da esquina de um terreno baldio.
Estou entre sapos e grilos e entulhos de lixo,
atrás de um muro quebrado e com muitos cacos
de vidro onde me escondo dos meus inimigos.
Apaguei todas as luzes da esperança
e estou sendo mordido por cachorros de rua.
“Atualmente eu vivo rodeado por minhas
paixões defuntas”. Todas inclusive,
menos uma delas: a paixão do absoluto.
Ando sozinho pelas ruas de bairros e ouço:
(você quer pegar os balões? Coitado, mas
eles são feitos de sonhos que estão muito
acima da sua compleição). Talvez nunca,
quem sabe, mas eu acabei de comer agora
uma casca de pão e um pedaço de linguiça
como tira-gosto da pinga. Houve uma época
distante em que eu comia arroz e tomate
nos degraus da escada de uma igreja no alto.
A vida estava lá embaixo, mas havia pessoas comigo.
Hoje eu quero morrer sem contar pra ninguém que eu fiz isso.Uma Escada que Deságua no Silêncio
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Marinhas de Vinna
Tábuas e pincéis compondo perspectivas de azuis caminhos nas águas de Mina. Walls and bridges interrompendo os verdes dos juncos, ao redor de paisagens recuperadas. Cavalos a toda brida nos levam a estreitos caminhos cavados nas encostas dos morros: paisagens nórdicas, mineiras e paulistas equivalem-se no absoluto do mundo, afinal diluído em contornos de magia, de luz e sombras em meio aos destroços do navio, como se a vida fosse isso – árvores de frio, anjos com substância de crianças, orquídeas de vidro, estampas de pátinas brilhando à sombra dos mistérios e pássaros de lata despertando Maras. Fileiras de peixes nas trilhas do universo e os sinais e os signos que saltam ao chamamento das águas. Estenografia de códigos rompendo o silêncio e o diário de Jonathan esquecido nos caixotes do castelo de Mairiporã. Nada afinal daquilo que fosse submerso, subterrâneo: tudo dista. A esperança atravessou a quilha e não encontrou nada além da terra nativa pulverizada de cinzas e os fantasmas. E parecia simples seguir o diário de bordo. O capitão já estava morto e amarrado ao leme. A meia linha inteira que nunca se concretiza. O camarote, o beliche e aquela escotilha que nunca se fecha de noite, as vagas do mar bem dentro, o meu esforço supremo de escrever e o ateliê de sensibilidades de Vinna.
Uma Escada que Deságua no Silêncio