Sônia; Quem é Sônia?
Ecoa Nelson Rodrigues em plena sexta-feira, atuação digna dos aplausos em pé. Pés despidos, móveis nus, perda da consciência e dos rostos… espelhos… será que existem?
Na praça, um conglomerado de várias idades, posições sociais, gêneros: há uma festa bonita, há bandeiras em prol de uma redemocracia, da manutenção da floresta amazônica, das diferenças que nos fortalecem enquanto seres humanos, do olhar digno para o próximo. A lua praticamente cheia resplandece no céu, há sorrisos em todos os transeuntes.
Vejo tudo de uma altura além; são as botas longas de salto fino sobre a calça de couro. Quem diria que, em outubro, arrumar-se para o teatro incluiria blusa de pelos com gola alta e braços cobertos? Um blazer de mangas 3/4, tecido leve, ameniza o clima contrastante: auge da primavera, temperaturas gélidas. O look não era só para o teatro; é parte de uma sentença de mim para mim:
Todos os dias hei de vestir-me lindamente ou com estilo.
A vida é curta demais; sua brevidade, por si só, já é ocasião suficiente para não comer mal, não se amar pela metade e não se vestir de um jeito qualquer. Estou viva.
Quanto a Sônia…Quem é tal mulher? O Dr. Junqueira era o médico da família… e Paulo?? Quem é Paulo, esse nome sem rosto? Quero nomes, apenas nomes, alguém pode me dar nomes?
Quem responde, mais tarde, é a Marta. Já estou em meu pijama amarelo de capuz e calças longas. Marta é a chefe do Gabriel, anjo que se fez humano, apaixonou-se por vícios, virtudes, erros e pela humanidade. Asas parcas indisponíveis; nuggets e psicodélicos.
O palco de antes, conhecido; uma performance de monólogo com distintos personagens, vívidos aos olhos da plateia, sem que precisásemos piscar. Saias intermináveis como tudo o que a memória peneira, Paulo. Nome sem face, o rosto que a água sequestrou do reflexo, encarceramento de vida. Fim de linha, linha nova, eis o fio da experiência que remendamos todo Santo dia para costurar novas histórias.
Quando o céu se engana, Keanu Reeves vem resgatar meus sonhos de outrora. Em um mundo onde pessoas têm elasticidade artística e empatia, a IA é opcional, os indivíduos votam conscientemente e se recusam a trocar o pulmão do mundo por mais consumismo. Meu Zeca tem um só pulmão e vai bem, obrigada. Mas ele é um cachorro; cachorros não causam desumanidades.