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dez- 2024 -22 dezembro
Nem tudo está nos cartões postais
Quando o assunto é viagem a propaganda e as fotos quase sempre são melhores que a realidade, mas mesmo sabendo disso às vezes entramos em furadas. Uma observação óbvia que vale tanto para escolher um hotel quanto para iniciar um relacionamento à distância (risos). Arrisquei uma viagem de ferry com um carro de matrícula inglesa para ir à então belicosa Irlanda do Norte visitar a famosa ‘Calçada dos Gigantes’ (Giant´s Causeway), uma formação geológica à qual
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22 dezembro
Então é natal!
♫ Então é natal!E o vendedor na esquina oferece milhares de produtos aos que passam. E vende-se isso e aquilo! E vende-se com muito brilho! ♫ Então é natal!E as filas dobram, triplicam, numa algazarra somente vista nesta época. Ninguém tem paciência para nada! ♫ Então é natal!E as vitrines anunciam roupas e calçados e eletrônicos dos mais variados tipos e tamanhos. Muitos e tantos produtos que não é possível imaginar! ♫ Então é natal!E a promoção de 50% na
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21 dezembro
Retrospectiva 2025
Sandra saiu do Pilates, numa segunda-feira qualquer, em direção à parada de ônibus. Na cabeça, a lista de coisas para fazer: acupuntura, mercado, roupa para lavar, para passar, almoço, banco. Quinze minutos esperando a condução e nada. Repassava pela vigésima vez a lista de afazeres quando sentiu um aperto no pescoço, uma ponta de faca na orelha e uma voz de mulher gritando coisas que ela não conseguia entender. Alguns segundos foram suficientes para const
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19 dezembro
Tricô com gente!
Por vezes os meios digitais nos mostram vídeos que valem um comentário e inclusive ser assistido até o final. Do ponto de vista de quem assiste pode chamar atenção aquele momento que observamos atentos o ator ou atriz que se dispôs a passar uma mensagem útil para nossas mentes carentes de espaço, para conversar ou tricotar sobre nossas vidas calejadas de angústia e solidão. Um jovem ao sentar no banco do metrô aproveita esse momento para não ler mensagens
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19 dezembro
A filha do Frankenstein
Quando minha mãe ficou grávida de novo, meu pai me disse que, dali em diante, eu teria que ir sozinho à escola, pra que ela pudesse descansar. No começo, tive nojo dos vômitos dela, sempre na hora em que estávamos comendo, depois me acostumei. Ela vomitava numa toalha felpuda que logo era jogada na máquina de lavar. Depois os enjoos diminuíram conforme a barriga crescia. Passou a devorar tudo o que encontrava pela frente, até os meus salgadinhos. Por sorte
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17 dezembro
Por trás do muro azul
Todos os dias ela saia às 16 horas em ponto. Seu destino era certo, mas ninguém sabia suas motivações. Nem mesmo seu marido, que nunca desconfiou dessas saídas no meio da tarde de Ana Maria. Ela nunca lhe deu motivo para desconfiança, mesmo sendo ainda muito bonita e com corpo esbelto. Devota, mulher prendada e dedicada a ele, Rogério saia tranquilo todos os dias para o trabalho sem nunca imaginar o que acontecia no íntimo de sua quase santa esposa. Ana se
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17 dezembro
Poesias de 1 a 99
#01 – METAMORPHOTHRILLER Liberdade ilusãoVontade reprimidaPrisão de si mesmoEncaixe em moldesDECEPÇÃO…Nunca foi o que realmente era, considerava o seu próprio ser repugnante aos grandes olhos dos filtros sociais. Lamentava, vestia a máscara e… FIN-GI-A…DECEPÇÃO…Continuava a Tentar…Encaixar…Nos moldes | Nos padrõesEram pequenos, causavam desconfortoO Desconforto… DESconfortavaDECEPCIONAVA…Necessidade de…FUGAMedo/co…co…co…co…CORAGEM!Coragem/necessidade
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16 dezembro
Poesias de 1 a 99
#03: Paredes Estou cercado de objetossem expressão ou significados(utensílios para o desempenhode um trabalho sem utilidade).Tenho as mãos ocupadasna tarefa de preenchero vazio com papéisde números impressos.A cabeça gira à procurade lembranças que possamdesviá-la do tédiode ver gentes.Arquiteto planossem propósito algumalém de preencheras horas de um expediente.Estou cercado pelosquatro lados de um cômodoonde recebo clientesde um banco de dados.Tudo é mui
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15 dezembro
A e I; ou:
Antônia, astuta, a afastar abelhas altivas, alertou Adélia, a angelical, ao avistar Altevo apaixonado. Ambas apáticas, antes apreciavam a aurora anêmica, amarelada, anormal, alva, altíssima: amanhecer acolhedor, animado, adorado! Alargou-se a atenção; a alameda aparecia, abria-se, acompanhando as “asas”: albatrozes, animais alados, aves, aviões – alumínio autêntico, atraente – abrandavam a ascensão acertiva: azul. Acima, alusão, alt
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15 dezembro
Mundo natalino
Bolas vermelhas, luzes piscando, pinheirinhos enfeitados, presentes. No Brasil, assim como em outros lugares de tradição católica, é hora de preparar a ceia de Natal para celebrar o nascimento de Jesus Cristo, o filho de Deus, ponto alto de todas as datas comemorativas do cristianismo. Envolta na mística religiosa, a data reafirma a fé de que o cordeiro de Deus veio para tirar os pecados do mundo, e esse é o momento de fazer uma retrospectiva do ano que pa
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14 dezembro
Uma ponte entre mundos
Hoje eu acordei sonhando com o paraíso. Curiosamente, não era um lugar florido, gramado e com cascatas cristalinas. Ao contrário, era um espaço urbano, cheio de viadutos, prédios, buzinas, um congestionamento aqui outro ali, shoppings e sinais de trânsito. Se não me engano, acho que me lembro, também tinham muitos pisca-piscas nas varandas e um enorme Papai Noel numa janela. Eu caminhava pelas ruas com uma leveza só experimentada na infância, fruto da tra
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12 dezembro
Encontro com o redentor!
O espírito do tempo eventualmente demonstra uma apatia quando não tomamos as rédeas de nossas vidas. Aquela sensação de enxugar gelo decorrente das escolhas estressantes e exaustivas, nos faz adoecer ao invés de sentir a real emoção saudável que uma vida deve proporcionar. E a cada época o espírito se apresenta diferente porque as escolhas que você fez passam a ser mais seletivas e com conteúdos complexos, formulados pela impaciência nossa de cada dia.&nbs
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12 dezembro
A cena vencedora
Um casal de velhinhos com a roupa encharcada de merda e vergonha caminha com esforço pela calçada, esgueirando-se pelas paredes. Os dois vão para casa e querem chegar logo. As pernas não ajudam e eles percebem isso. Olham para os lados, que ninguém os veja no estado em que estão. Balbuciam palavras um ao outro, procurando entender o que tinha acontecido. O operário da prefeitura, responsável pela obra, ia atrás deles explicando, quase em prantos, o lamentá
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11 dezembro
Alienígenas do futuro
A precisão temporal inexiste, mas quando perceberam já não havia mais tempo. Dentre os estudos publicados, podemos destacar uma corrente pregando o retorno às origens, que não angariou grandes esperanças na virada de prumo. Nesse período, confiaram em Deus, retocaram ensinamentos, refizeram passos, adoraram falsos Messias, mataram inocentes, morreram por déspotas, fizeram e foram feitos de bobos. O valor moral do trabalho decaiu quando tudo, ou praticament
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10 dezembro
Uma história de desapego
C. considerava ter uma vida normal. Geralmente, sua rotina era casa/trabalho. Neste ele era um sério senhor que fazia tudo conforme mandavam as regras. Em sua casa, libertava seu lado criativo e passava suas horas escrevendo. Todos os dias saia do forno um novo texto. Não considerava ser um escritor, mas jamais imaginou conseguir viver sem exercitar esse seu lado. Às vezes, se dava ao luxo de sonhar em ter seus trabalhos reconhecidos e fazer sucesso. Quand
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9 dezembro
Poesias de 1 a 99
002# – AGUACEIRO A chuva cessou de chovere já agora eu possotirar as mãos dos bolsose atravessar a rua. Mas já não tenho mãose nem tampouco possoatravessar esta rua, poisa água levou-me as pernas. E a rua, embora chovida, está seca.Eu fui a chuva que choveu e ninguém viu. Milton Rezende in “O Acaso das Manhãs”
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8 dezembro
Lugares imaginados: Madagascar
É inevitável criar expectativas antes de viajar para novos destinos, o que rende algumas decepções. Um dia ainda vou falar sobre esse assunto, mas hoje fico só com Madagascar. Não posso dizer que conheci o país porque estive apenas em uma cidade, Nosy-be, no entanto posso dizer que não pretendo voltar para conhecer o resto. A culpa não é deles, é minha por deixar-me levar por uma visão cor-de-rosa inspirada no título de um filme homônimo da Disney que nem
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8 dezembro
A minha pátria
Quando escrevo sobre a minha pátria, eu fico confuso. Penso em tudo que amo e, ao mesmo tempo, penso em tudo que odeio. Quando escrevo sobre a minha pátria, sinto calor, arrepio, felicidade, dor, enjoo, sinto frio… Quando escrevo sobre a minha pátria, a palavra evidente é contradição! A minha pátria é o paraíso, o céu azul, o mar aberto e profundo, o olhar da moça cor de cobre, o lugar mais lindo do mundo. A minha pátria é o embuste, o ridículo, os p
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8 dezembro
Torturante band-aid no calcanhar
Toda vez que alguma coisa me incomoda, lembro da música São dois pra lá, dois pra cá, de João Bosco e Aldir Blanc, cantada magistralmente por Elis Regina. Acho que não existe coisa pior do que sentir a presença de alguma coisa que não deveria dar sinal de vida, como um band-aid no calcanhar. Sua função é proteger um machucado, torná-lo imperceptível, mas ele cisma em sair do lugar para nos torturar. Mas esse não é um caso isolado; minha lista de “torturant
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7 dezembro
Sobre partir
Hoje eu pretendia escrever sobre o poder que os enfeites natalinos têm de me levar de volta ao Papai Noel da minha infância, a maionese da minha avó e ao cheiro de família daqueles dias. Enquanto refletia sobre essas coisas, esbarrei com uma matéria na internet (certifiquei sua veracidade) que me catapultou para o agora de forma assustadora: um estudo chinês conseguiu a proeza de fazer um pequeno robô, chamado Er Bai, convencer um grupo de robôs maiores a
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6 dezembro
Três passarinhos
Três passarinhos vieram me ver um dia desses. Se penduraram na rede de proteção da minha janela e me chamaram. Parei o que estava fazendo e fique a observa-los. Piavam muito. Em princípio achei que era só animação matinal mas depois reparei que eles giravam o corpo e ficavam pendurados na rede do lado de dentro do meu quarto. Fiquei com receio que voassem por dentro do apartamento. Mas isso não aconteceu. Com o tempo parado em função do piar deles imaginei
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5 dezembro
E se?
Há uma palavra em coreano “in-yun”, que quer dizer providência ou destino. Ela se refere especificamente a relacionamentos entre pessoas, que talvez venha do budismo e da reencarnação. O in-yun acontece até quando você passa por alguém na rua e suas roupas esbarram sem querer, isso significa que alguma coisa aconteceu entre vocês em vidas passadas. Se duas pessoas se casam dizem que é porque houve 8 mil camadas de in-yun, ou seja, mais de 8 mil
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5 dezembro
A poeira branca
O professor mandou que eu entregasse um bilhete pra minha mãe. Antes li o que estava escrito: dizia que precisava falar com ela porque eu estava com as notas baixas, não sabia a lição, estava com dificuldade para aprender e andava muito distraído. Deixei o papelzinho sobre o criado-mudo, perto do copo de leite que eu tinha posto lá de manhã. Ela não bebeu. Olhei pra minha mãe jogada na cama, o cabelo sem lavar e o rosto amarelado, e pensei em quanto tempo
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3 dezembro
Sérgio e a coroa de flores
Nem eram tão amigos assim. Colegas de trabalho, se cumprimentavam cordialmente, participavam das mesmas rodinhas de café, talvez tenham se encontrado em um ou dois “happy hours.” E só. Mas o desespero e a dor têm o dom de aproximar os desavisados e foi nesse momento que Sérgio assinou o seu destino. Ficou sabendo que o tio de Cleide havia falecido no dia anterior e foi prestar condolências. Ela, ainda com os olhos inchados do choro da véspera, tentava se f
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3 dezembro
Desencontro
Após um ano de intercâmbio, Clara retornava a sua cidade natal. A menina que partiu, agora era uma mulher. Todos os seus medos e inseguranças, foram vencidos por suas novas experiências. Entendeu ser o mundo gigantesco e plural, cercado por pessoas diversas e muito diferentes do seu antigo e pequeno quadrado. Ela era um barco novíssimo em folha e iniciava sua navegação rumo a um oceano infinito. De seu passado, cada vez mais distante, deixou uma paixão, ag
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2 dezembro
Poesias de 1 a 99
#01: Instante de Pura Poesia eu ontem, passando na calçada,deparei-me com uma visãoaterradora de um pássaroque, ao defender seu espaçode um intruso invasor, levoua pior na batalha sangrenta e,roto e estropiado, na arvorezinhamirrada, olhando de soslaio,entre sangues, o espaço míticoque habitara e cuidara durantelongos anos, agora perdidopara sempre. solidariedade ao pássaroferido de morte. Da Essencialidade da Água.
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1 dezembro
Folhas ao vento
Entro no parque e na primeira curva avisto o Soprano, nome que atribui a um funcionário do parque. Fácil identificar o Soprano de longe, mesmo que vestindo o mesmo uniforme dos outros funcionários – ele anda com seu companheiro fiel, o soprador de folhas, sempre a tira-colo. Conforme chego perto, umas nuvens de folhas secas, sob o comando de Soprano, vão voando para a calha do meio fio e, de lá, graciosamente, se acomodam na beira do jardim, embaixo das ár
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1 dezembro
Crônica Burocrática
A crônica começaria agora, mas é preciso antes que o leitor e o cronista paguem a taxa necessária ao andamento das crônicas. A TADC. Parágrafos são caros. Quando saem do mundo real então! Cada palavra tem seu preço tabelado. Cada figura de linguagem uma alíquota a mais. Por isso, cuidado com as vias! Uma para o leitor, outra para o cronista. E, depois disso tudo, ainda hão de enfrentar, cronista e leitor, uma fila no Banco da Estupidez, uma passada na Seçã
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nov- 2024 -30 novembro
Dica de milhões
Algumas coisas que acontecem no meu dia a dia são tão estapafúrdias que me levam a patinar na velha dúvida: falo ou calo? Minha primeira opção, nessas ocasiões, é calar, sobretudo quando aquilo que pretendo dizer é óbvio e deveria dispensar apresentações. Por outro lado, se, mesmo sendo óbvio, a outra parte insiste em ignorar os limites da razoável convivência, entendo que o irmão de raça carece de uma interpelação. Refiro-me aqui, mais exatamente, ao in
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29 novembro
Nova 99, a estrada perfeita
Toda vez que eu me vejo diante de uma situação de entrave burocrático causado pela tecnologia eu me lembro da Nova 99. Era uma autoestrada controlada por computador, considerada perfeita, e era personagem de uma estória em quadrinhos publicada na saudosa revista Kripta, lá dos loucos anos 70, que misturava ficção e terror. No enredo uma família entra com seu carro autônomo, programava seu destino e quantas paradas fariam, e seguiam descansados e contentes
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