Meu primo Alfredo chegou correndo e me entregou um pacote pequeno. Disse: “É pra entregar pra vó.” Entrei em casa e falei: “O Alfredo mandou entregar isso pra vovó.” Paty, minha irmã menor, fazia a lição da escola na mesa da copa e gritou na direção da cozinha: “Manhê, o Juca falou que o Alfredinho mandou uma coisa pra vó.” Minha mãe, sem parar de mexer nas panelas, virou o rosto e alterou a voz: “Então fala pro Juca levar logo isso pra sua avó.” Juquinha foi até a sala onde seu pai lia o jornal e falou: “Paiê, olha aqui, o Alfredo trouxe isso e falou que é pra vovó.” O pai olhou na direção do quarto de costura em que a velha finalizava um vestido de baile feito por encomenda e gritou: “Mãe, olha, tem uma encomenda aqui, o Alfredinho, filho da Virgínia e do Alencar, foi quem mandou. Ele disse que é pra entregar pra senhora, pega aqui?”
A avó primeiro tirou os óculos e os olhos do vestido esticado sobre a Singer, pensou um pouco e sorriu para si mesma. Ajeitou os cabelos num coque apressado. Levantou-se e caminhou devagarinho desde o fundo do quarto até a sala. Tinha um sorriso tímido nos lábios e uma esperança brilhando no olhar.