Quantos anos cabem no breve espaço das 03h17 de um amanhecer de sexta-feira?

  • Quantos anos cabem no breve espaço das 03h17 de um amanhecer de sexta-feira?

    Quantos anos cabem no breve espaço das 03h17 de um amanhecer de sexta-feira? Há passos no eco, pisos empoeirados da semana passada, taciturnos. Há o Cachambi, que dorme, às três e dezessete da manhã, já dezoito. Há o streaming para quem, como eu, de tão cansada, não dorme. Há um filme pandêmico, dor humana, tristeza, perda do olfato. Num streaming — todo o meu amor aos streamings que nos fazem companhia junto a uma Hocus Pocus de 500ml, 8.5% de teor alcoólico, promoção no Carrefour. Há a camisa verde oliva com cheiro do improvável. Lençóis limpos, travesseiros e a camisa verde que não reflete a cor dos olhos, mas do destino. Nada além, a pele é o único resquício, entre tecidos, aromas e memória.

    — É Tarde, entra

    — Toc-toc

    — Quem bate?

    — Sou eu

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