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Crônicas
O Edgar tem cada uma
Para Luis Fernando Verissimo, com saudade* O Edgar está longe de ser bonito, mas anda empenhado em virar um grande sedutor. Acha que é só questão de lábia, de saber xavecar do jeito certo: o papo, o feeling, o timing. Nos sebos, vai direto à estante dos livros de autoajuda, escritos por coachs que ensinam o menino chei
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Crônicas
O que a última Virada Cultural diz sobre nós
Fui ver uns shows na Virada Cultural de BH, onde moro, no sábado e no domingo, dias 23 e 24. No sábado, assisti ao show das meninas do Fat Family, homenageando Tim Maia. No domingo, voltei para ver o Olodum e, logo em seguida, Carlinhos Brown, numa apresentação afinadíssima com a Orquestra de Ouro Preto. Os shows foram
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Crônicas
Que graça tem um livro?
A graça de um livro? Ele te dá prazer. Se você não está lendo por obrigação, está envolvido na viagem mais deliciosa que poderia fazer — não apenas por países, sem precisar de passaporte, mas também por épocas. Um livro faz voltar no tempo. E a razão é única: prazer. Você escolhe uma história, se delicia lendo sinopses
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Crônicas
O Prazer de Desviar
Não sei quanto a vocês, mas há palavras que me cansam só de ouvir. “Focar”, por exemplo. Palavra querida de coachs e gurus, parece um cabresto moderno: manda olhar sempre na mesma direção, quando é das distrações que a vida se enche de beleza. É como se, nos últimos tempos, quiséssemos eliminar do mundo todos os imprev
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Crônicas
Amizade caça jeito
Alguém já se perguntou como ficam as nossas amizades depois dos 40? Sorry, mas não é a mesma coisa. As pessoas casam, separam, brigam por pensão, focam no trabalho (aliás, o que uma palavra tão feia quanto “focar” está fazendo aqui? Arre!). O tempo para ver os amigos encolhe. Foi daí que me veio a frase que batizou est
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Crônicas
Preta foi para o céu
Preta Gil foi para o céu. O Brasil ficou órfão de sua alegria escandalosa. Preta perdeu sua última batalha contra o câncer. Perdemos a cantora, a empresária, a apresentadora, o exemplo de mãe, a mulher inspiradora que ela foi. Preta foi embora no último domingo, dia 20, nos Estados Unidos. Preta descobriu cedo sua forç
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Crônicas
Aprendizado à beira-mar
A primeira vez que vi o mar foi um acontecimento. Foram horas — acho que oito, talvez dez — de Belo Horizonte até Marataízes, com aquelas paradas que hoje soariam enfadonhas, mas que na infância tinham gosto de festa: milho cozido na beira da estrada, mingau de milho fumegante, almoço simples com farofa crocante. Eu ac
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Crônicas
A VINGANÇA DO LAPTOP**
*— Quando a tecnologia resolve mostrar quem manda (e vira protagonista da reunião) O relógio marcava 14h30 e ele estava numa reunião remota de marketing da Agência Pixel & Café*, com o chefe, as meninas do RH, as estagiárias… e até o Padre Marcelo, convidado para “abençoar” o projeto. O computador, num surto de reb
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Crônicas
Postei que me amo, mas o Wi-Fi não curtiu
Sabe aquele dia que a gente acorda meio piegas, sentimental demais, como se tivesse engolido um coach motivacional junto com o café? Se nunca acordou assim, por favor, me indique o remédio, porque eu sou refém dessas crises. Pois foi numa segunda-feira dessas que eu acordei cafona demais, abri o Facebook e vi a clássic
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Crônicas
Deixa o mundo lá fora, vai
À primeira vista, nenhuma graça. A turma está lá fora, jogando bola, tomando cerveja no boteco, nadando no clube. E você? Está ali, concentrado, alheio, lendo. “Que programa mais besta!”, “Quem lê demais fica doido!” — já ouvi de tudo. Mas ler é outra história. Bem diferente de ver série, filme ou novela. Quando alguém
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Crônicas
O porteiro que era dono de uma ilha de livros
No trabalho, ele anotava placas e nomes de pessoas. Na hora do almoço, abria livros. Porteiro da Praia do Forte, na Bahia, dono de uma ilha de livros, guardião de entradas e saídas. E, sem que ninguém desconfiasse, dono também de uma ilha de livros. Começou quando foi fazer o primeiro ano do fundamental. Analfabeto fun
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Contos Eróticos
Com quantos anos ainda se pode dançar?
Depende. Depende das juntas, da artrite, da saúde em geral, depende de tanta coisa. Naquele sábado, na pista da Pink Flamingo, os garotos com preguiça do flerte – dançavam, riam, bebiam. Ninguém se olhava. Ninguém se deixava gostar. Foi quando ele – camisa branca, jeans comum e tênis – foi para a pist
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Contos Eróticos
Feliz Dia dos Namorados
Ele entrou no carro — com sono atrasado e a alma desabada. — Bom dia — disse para a motorista.— Bom dia — respondeu ela. Ele vinha cansado. Noite inteira no hospital: gente gripada, filas enormes, enfermeiras com três noites sem dormir, indo de um plantão para o outro. Com anos como enfermeiro, aprendeu a não exigir so
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Contos Eróticos
Pink Flamingo, o mergulho
Quando a segurança abriu a porta, senti como se entrasse num ventre da noite. A Pink Flamingo tinha um borogodó raro: homens de bermuda acima do joelho, corpos de Zeus, gringos loiros, negros cariocas, certinhos, caretas — todo mundo no mesmo caldeirão da carençolândia, como diria Xico Sá. Uns de camisa da moda marrom,
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Contos Eróticos
Pink Flamingo, o devasso e o certinho
Peguei o táxi na Visconde de Pirajá como quem vai saltar de paraquedas — eu, sedento pela farra, e o poeta carioca ao meu lado, trajando cachecol marrom e sorriso aberto, pronto para qualquer desvio de conduta. No rádio, Caetano entoava seu inconformismo poético: “Vaca das divinas tetasderrama o leite bom na minha cara
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Contos Eróticos
A Calcinha de Ipanema
Ela estava sentada com as amigas em uma mesa de um bar ali na Joana Angélica, esquina com a Vieira Souto, perto do Posto 9, e entrou no banheiro. Quando saiu de lá, tinha cara de quem tinha achado um poço de petróleo no calçadão. Foi logo anunciando a boa nova: — Olha aqui, gente… tá novinha! Exibia, triunfante,
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Contos Eróticos
A Pílula dos Sonhos Eróticos
O nome do negócio é Reveride. Uma pílula azul-turquesa, lisinha, meio translúcida, parecendo bala de hortelã gourmet. E a promessa? Simplesmente esta: você escolhe com quem quer sonhar, o cenário, a trilha sonora — tudo sob medida, como um delivery de delírio. Na primeira noite, fui de Emmanuelle, interpretada por Sylv
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Crônicas
Viver para Contar
Chegaram à Rua Joana Angélica com uma mala por cabeça e outra, invisível, cheia de expectativas. Um queria o mar. O outro, o cardápio — pediu antes mesmo do check-in. O terceiro viria do Méier de Uber, com o cronômetro interno calibrado no “se a gente se organizar direitinho, dá tempo”. Hospedaram-se num hostel de nome
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Crônicas
Cachaça, reza e um Papa gente boa
Naquela segunda-feira chuvosa em Ipanema, o sol tirou folga. Depois de um fim de semana vaidoso, ensolarado e cheio de turistas na areia, ele se recolheu como quem respeita um luto. No lugar dele, veio a garoa. Capas de chuva nas calçadas, cangas de folga no armário e um silêncio molhado pairando sobre a cidade. Eu, mi
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Crônicas
O azul e a lágrima
A manhã estava calma. Calma como um gato se espreguiçando. Tinha combinado de almoçar com um amigo, ali pros lados do Mercado Central. Um passeio tipicamente mineiro: caminhar pelo centro sem pressa, sem carros, sem aquela multidão apressada. Nem buzinas, nem o relógio invisível cobrando compromissos. Conversávamos sob
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Crônicas
A coleira do cão e a coleira do homem
Um homem de “maus bofes” passeia pela rua com seu cachorro de estimação que, apesar do jeito ranzinza do seu dono, vai caminhando ao lado dele alegre, saltitante, interessado, bem mais que o seu dono, nas alegrias do mundo. A alegria do cachorrinho é fascinante, parece totalmente livre e independente do pés
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