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Poema #50: Andarilho Descalço
estou sem almoçoe sem jantae com duas costelasquebradas meu caminhar é pelesobre o bronzedo asfalto, atritosuave de quem sonha estou sofrendocom as calças e tudoe isso é nada paraquem vive na rua. Um Andarilho Dentro de Casa
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Poema #49: Identificação
Identifico-me com a noitee com o que ela trazde específico a si mesma,e assim fazendo, aceitoo convívio de seres opacose da nova ordem e estado de coisasque o escuro inaugura.Identifico-me com o avessosou aliás o próprio avesso de mim,e assim sendo, conheçoas esquinas sombriasnas quais se disfarçaa inexorável nulidade.
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Poema #48: Instante de delírio
Olho para o vaziode meus olhos.O espelhonão reflete mais o amor,outrora visível. Imagens tão nítidasse me afloram perdidasna incongruência do vidro,uma vez descascada sua tintaprateada de reflexão. E agora as manhãstrazem o hálito da perda,do que fui e que no meu delíriose esgotou em fome. Não a fome dos homensdo norde
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Poema #47: Andarilho deitado
O vento sopra um frio doido e esquisitona curva da esquina de um terreno baldio.Estou entre sapos e grilos e entulhos de lixo,atrás de um muro quebrado e com muitos cacosde vidro onde me escondo dos meus inimigos.Apaguei todas as luzes da esperançae estou sendo mordido por cachorros de rua.“Atualmente eu vivo rodeado p
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Poema #46: Um Cão
Um cão latindo na noiteé sempre um cão.Sem cor, sem nome e semsignificadopara quem o está ouvindo. No entanto este cãotraz em seu latido,sombras de milhões de outros cãessintetizadosem uníssono noite adentro. A chuva não consegue abafareste inquietante latir,profanando o sono dos homense o sectarismo estáticodas coisas
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Poema #45: Saldo
De cotidianos resíduosarrancados na solidão de prisioneiroem que todo o meu ser se devora,tento compor uma imagem humanaque me faça aceitável a mim mesmo. No silêncio da morte aparentena qual me recolho ao túmulo previstonão sei com que ânsia mórbida de calma,procuro juntar os cacos de culpa diáriaque reunidos formam u
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Poema #44: Numa Janela do Mundo
As nuvens tecemuma história diáriae sem antecedentes.Não sei se podechamar de trabalho(o trabalho das nuvens)o que parece ser maisum deslizar contínuode um sonho que nãose sabe a si mesmoe apenas escorrepara um vazio profundo. Eu, que estou na janela,vejo as nuvense não enxergo a razãode se estar a vê-lassem que se pos
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Contos
Marinhas de Vinna
Tábuas e pincéis compondo perspectivas de azuis caminhos nas águas de Mina. Walls and bridges interrompendo os verdes dos juncos, ao redor de paisagens recuperadas. Cavalos a toda brida nos levam a estreitos caminhos cavados nas encostas dos morros: paisagens nórdicas, mineiras e paulistas equivalem-se no absoluto do m
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Poema #43: Carnaval, Bandeira e Eu
Quero banhar-me nas águas sujasQuero banhar-me nas águas sórdidasSou a mais solitária das criaturasMe sinto só. Confiei às mulheres os meus amoresCaí de quatro pelas sarjetasCobri minha alma de decepçõesValei-me Manuel Bandeira. Vozes da morte contai a históriaDa pessoa boa que sempre fuiE eu dormia ouvindo o ruído cal
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Poema #42: Chuva Noturna
A chuva no asfaltoleva papéis/cigarrose o vômito de ontem.Amanhã novos resíduosvirão para preenchero vazio do meio-fio.Areia (À Fragmentação da Pedra)
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Sem categoria
Poema #41: Disritmia
acredito que hajadentro em mimuma separação entrecorpo e espírito,espírito e mente.a cabeça pensa de uma formae o corpo age de maneira diversa,nunca se coadunam em alma de ser.sou o intervalo exato, inexpressivo,entre o talvez e o se e o quando serásendo que sou este ser, de si ausente,defeituoso e desengonçado. Da Ess
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Poema #40: Interstícios da Vida
Deixar de ser cúmplice da vidade outros que em mim personificama parcela da culpa que subtraiodo erro coletivo e meu, individualizado. Obscurecer o reflexo do sofrimentode homens que não vejo em presença,mas que em espécie me julgam dignode vê-los (como testemunha da mortesem remissão de si) em que se abrigam. A desvis
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Poema #38: Em Brancas Nuvens
Alguns dos meuspoemas são comoletras de músicasem música. Alguns dos meusgestos são comoatos de uma peçasem atores. Alguns dos meussonhos são comoum comício públicosem plateia. Alguns dos meusatos são comoum filme mudosem cenário. Alguns dos meusdelírios são comouma transgressãoda vida no sonho. Muitas das minhasloucur
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Poema #37: Um Vazio Suficientemente Cheio
Subtraímos da vidaa sua menor parcelapara o preenchimentode nossas carências. Mas ao assumirmos ocontrole desta mínimapropriedade, sentimos que ela não nos bastaposto que a enxergamosapartada de sua totalidade. Acrescentamos então à vidaa parte restante que faltapara completar a visão quenós temos do seu conjunto. Mas
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Crônicas
FERIADO
Estou sentado, sozinho, na mesa de um bar, numa dessas noites perdidas. Lá fora a chuva impede-me de sair e eu fico observando este meu impedimento que na verdade é fuga a uma determinação que não tenho tido. Olho para a chuva e vejo a sua cortina de indiferença. A chuva escorre e a água correndo parece trazer-me uma e
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Poema #36: Nu
O teu corpo,pássaro esculpidono assento dosofá da salade visitas,é uma ampla salaonde te visito(abolida a noçãode sonhosob o teu vestido),sempre que o desejodo corpo desenhaa moldura de umpássaroem teu assentoInventário de Sombras
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Poema #35: BREVE E LONGÍNQUO
“… você marcou a minha vida, viveu, morreu na minha história, chego a ter medo do futuro e dasolidão que em minha porta bate… eu corro e fujo destas sombras, em sonhos vejo este passado, ena parede do meu quarto, ainda está o seu retrato, não quero ver pra não lembrar, pensei até emme mudar… lugar qualquer que não exis
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Poema #34: Changing Of The Guards
“eu cavalguei por ruínas e era preciso ter coragem para a troca de guarda”Bob Dylan Algo me diz que é chegada a horada troca de guarda. devo sair. Estive 35 anos de pé junto ao balcãovigiando os esquifes dos homens mesquinhosque idolatravam a coroa de latão que traziamsobre o caixão de madeira nobre e já podre. Minha t
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Poema #33: Sea Of Monsters
inspirado em versos de Lennon/McCartney Estamos num barcono meio do oceano.Toda compreensão de mundoque temos não ultrapassao nosso raio de visão. E como nossa visão é curta(e não nos conformamos com isso),às vezes utilizamos algum instrumentoque nos dê a sensação de transcendência. Mas por mais largos que sejam ouposs
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Poema #32: Versos Lastimosos
a gentesempre se ressentecontra quemsupostamentese diz muitofeliz Da Essencialidade da Água
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Poema #31: CACTOS
No meio da tardeNo meio do mundoNo meio da salaestamos plantadoscomo uns cactos. No meio da vidaNo meio do sonhoNo meio do amorestamos atadoscomo uns escravos. No meio do caminhoNo meio da raivaNo meio do medoestamos presoscomo uns condenados. No meio de tudoNo meio de nadaNo meio sem meiosestamos perdidoscomo uns abor
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Poema #30: Porém, Nada Dizia
Gosto do silêncio.Prefiro ficar em silêncio.Vejo as pessoas conversandoe a imagem que me fica é ado cuspe trocado entre elas.
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Poema #30: A Voz do Silêncio
Estou acordadoe não sonho,mas a realidadeantecipadame envolve. A barba se medesprende do rostofio a fio num friomaior onde estoume enregelando. Tudo se dissolvena aparência de ossosde que fui formado,e que é minha formamais resistente no mundo. Mas a terra(com seus vermes)decompõe ao seu contatotodo o meu aprendizadodo
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Poema #29: Novas Lendas Urbanas Inventadas do Nada
Eu estava de tocaia na praça em frente à sua casaaí ela chegou de bicicleta e quando foi abrir a portaeu ataquei, agarrando-a por trás e já sentindo o delíriodaquelas carnes macias que me foram negadas em vida. Havia crianças por perto e então eu achei melhorinterromper o procedimento e levá-la para um lugarescuro e de
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Poema #28: ANÍMICA
quando eu tinha todos os movimentoseu era sol entre nuvensaves de arribaçãoqualquer coisa de menos sólidapor haver.eu via cachoeiras em meus sonhosremanso de riospedra grande de sentar meninoflorestas a esculpir. Da Essencialidade da Água
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Poema #27: Uma Poesia a Marteladas
eu faço versoscomo quem martelaas sílabas do vocabulário:trôpego quase sempre. eu faço poemascomo quem sofreas pancadas do destino:difíceis como sempre. eu sobrevivocomo quem hibernana escuridão da noite:dilacerado sempre e sempre. com a música do Led Zeppelin“since i’ve loving you”para acompanharo meu enterro. Da Esse
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POEMA #26: AVALIAÇÃO NOTURNA
Este pedaço de céuque me foi permitido entreverentre os edifícios,assemelha-se a uma parte de mimque ainda se resguardapara nada.Areia (À Fragmentação da Pedra)
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Poema #25: Becos e galerias que se bifurcam em T & L
A paixãoé a antessalade uma paranoiana qual entramoscom um sorriso largode quem não sabeque penetrou num túmulo.A Sentinela em Fuga e Outras Ausências
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Poema #24: RETORNO AO FINAL
“meu Deus, porque me abandonaste?se sabias que eu não era Deus,se sabias que eu era fraco”Drummond protagonistade minha vida pregressahoje sou coadjuvantede ruinas. nas águas do riofiz algumas tentativasmas acabei afogandona correnteza. mudei de fase:virei pescadorde sonhos frustradosà beira dos barrancos. galopei como
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