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  • dez- 2025 -
    10 dezembro

    Nova idade

    Nunca imaginei que fosse me apegar. Não fui do tipo dado a animais. Não porque os odeie, mas, sim, porque achava que os bichos não deveriam ser criados como gente e por gente. Tia Beta trata os seus cachorros melhor que muita gente por aí, e isso nunca entendi. Ela tem para além de oito animais, juntando até papagaio, e os cria com roupinha, chazinho e tudo o mais. Achava um exagero sem tamanho, me enojava da paparicada. Onde já se viu dormir na cama com u

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  • 9 dezembro

    O mar é logo ali

    Na semana passada, fui ao Rio de Janeiro para o lançamento do livro “A reinvenção da metáfora: as bodas de Rogério Salgado”, publicado pela Ventura Editora, com organização do poeta Luiz Otávio Oliani, e que tive o orgulho de apresentar na orelha. Enquanto estive no Rio, uma frase não saía do meu pensamento: “Poxa vida, o mar está tão perto, é logo ali.” O carioca vive tão perto do mar que, às vezes, parece fingir que não se dá c

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  • 8 dezembro

    Poema #48: Instante de delírio

    Olho para o vaziode meus olhos.O espelhonão reflete mais o amor,outrora visível. Imagens tão nítidasse me afloram perdidasna incongruência do vidro,uma vez descascada sua tintaprateada de reflexão. E agora as manhãstrazem o hálito da perda,do que fui e que no meu delíriose esgotou em fome. Não a fome dos homensdo nordeste, biológica.Tampouco a fome dos homenscivilizados, que inventaram a fomepara dois terços do mundo. Mas fome ela mesma,que não se come e m

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  • 8 dezembro

    Poema #09: Dominó

    Não escanda a minha fala.Escancarar uma taranem sempre é um bom negócio. Esconda, miúdo, as manias que lhe movem.Um dia, quando nada sobrar,elas ainda farão o seu coração bater. É como diziam os romanos:tudo em latim.Ninguém entende, todo mundo concorda.

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  • 8 dezembro

    Obscuros

    No dia seguinte à festinha de lançamento do primeiro single da banda Hollow Clowns, Zími ficou sabendo por redes sociais que Samir, baterista da banda, havia morrido por overdose de cocaína. Era considerado grande baterista, pela força, influência e domínio técnico do instrumento. Samir tocava numa banda de punk rock, mas poderia tocar numa banda de rock progressivo.   Ele tinha trinta e oito anos. Samir era discreto e aparentava ter boa saúde, o que poten

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  • 7 dezembro

    Caos contraproducente

    Cheira à baunilha. Há banana e aveia em formato de osso e olhos ainda vacilantes e resistentes aos raios dominicais. Uma miríade de folhas, bocejos e pelos esparrama-se sobre o sofá-cama amarrotado pelas horas adormecidas. O sábado à noite fora um misto de contagem e revolta; em meio à desordem em percentual crescente do que também pode ser um ramo de gravetos1 , o caos é quase palpável. Percebi, ao procurar o volume no topo de rol das minhas leituras que,

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  • 7 dezembro

    A Leoa e o menino

    O menino sonha os seus sonhos de menino. Voar, cantar, adestrar leões! A leoa faz o que uma leoa sabe fazer, observar atentamente e esperar o momento certo para atacar, afinal, o que um leão faz de melhor a não ser atacar com precisão a sua presa? O menino foi esquecido pelo tempo, pelo relógio e pelos olhares. O menino esqueceu-se de si mesmo… Solto nas ruas, fechou-se em si mesmo nos seus sonhos e nos seus devaneios. A leoa treina e treina cada pulo, cad

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  • 7 dezembro

    O retratista fiel

    Folhear álbuns de fotografias antigas — em papel ou digitais — tem me causado um certo estranhamento, uma sensação de que os ambientes, as pessoas, as fisionomias não eram bem assim como estão retratadas. Na foto do meu aniversário de 15 anos, o vestido que, à época, me fez sentir uma princesa hoje mais parece um tule de cobrir bolo. Difícil acreditar que fui eu mesma quem escolheu aquela roupa, que em nada me valorizava. Na varanda da casa onde morei com

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  • 6 dezembro

    Breve encontro

    Hoje, por acaso, tropecei no passado. Um banco de madeira, daqueles que encontramos nas pracinhas, a sombra de uma árvore de flores amarelas e a brisa suave de um fim de tarde me levaram à infância. Lá encontrei minha inocência, o castelo suntuoso dos meus sonhos, a paz de saber-me neta da minha avó e todas as garantias de amparo advindas dessa benção.  Bolas de sabão sopradas ao vento pela menina de vestido floral faziam ecoar no tempo as gargalhadas

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  • 6 dezembro

    Um ouvido novo, para uma história velha…

    Que atire a primeira pedra quem não passou por isso! Todos nós conhecemos alguém que adora quando perguntam: e aí, tudo bem? Pronto, lá vem a amiga ou amigo traída(o) contar detalhes: como passou a desconfiar, quais sinais ela não percebeu, o quanto acreditou no traste, como foi a certeza, a decisão, o que sofreu, a separação, o pós, o agora. Dependendo do ambiente, terá lágrimas, e você perdeu a sua ida despretensiosa à cafeteria, ou ao salão, ou a tarde

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  • 5 dezembro

    O Ouriço

    Estou grudado no alto da porteira da mangueira das vacas. Lá embaixo o Duque late feito doido. Avança, negaceia, avança de novo – uma bruta valentia. É um ouriço acuado junto ao mourão da porteira. Ele rodopia, se eriça todo – coisinha indefesa, só tentando fugir do ataque. Mas de cada ataque o Duque é que foge, ganindo – um choro longo e fino de doer na gente. Estou tremendo inteirinho aqui escanchado na tábua de cima da porteira. O Duque não pode morder

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  • 5 dezembro

    Cultura popular

    Ah, essa cultura popular do momento. Você leu direito: cultura popular do momento. Eu faço essa distinção porque entendo que existe aquela que é eterna em nossa memória. E outra que é tão densa quanto fumaça de xícara de café. Tem gente que prefere chamar esse tipo de manifestação cultural por outros termos mais pejorativos, alguns até derivados da própria palavra popular. Em respeito às leitoras e leitores que gentilmente se dão ao trabalho de ler o que e

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  • 5 dezembro

    O amor, sem querer, acaba

    “Sim, o amor acaba”, assim, Paulo Mendes Campos começou uma das suas mais célebres crônicas. Iniciou com uma assertiva que, no íntimo, sabemos ser verdade; não obstante algumas tentativas de mistificação, como na frase tantas vezes escutada “se acabou, é porque não era de verdade”, nada mais falso do que isso. Até o mais autêntico, puro e intenso amor alcança o instante postimeiro. Expira tendo sido amor. Há, evidentemente, os casais que findam a vida sem

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  • 4 dezembro

    Não se deixe levar pelo contágio alheio!

    A Sociedade Teosófica é um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor. Pode ser considerada uma das poucas democráticas disponíveis a todos os povos. Ela encoraja o estudo da Religião comparada a Filosofia e Ciência, e Investiga as leis não explicadas da Natureza, e os poderes latentes no homem. Ela não impõe nenhuma crença sobre seus membros, que se unem espontaneamente pelo objetivo comum de buscar a

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  • 4 dezembro

    Lurdinha

    No exato instante em que Lurdinha nasceu, exclamaram Coitada! Com o passar dos meses, acrescentaram ao Coitada! a frase Olhe a cabecinha dela, que pequenininha! Lurdinha cresceu com sua pequena cabeça e foi feliz, mesmo que não entendesse tudo o que a mãe lhe dizia e ensinava. Chegou à avançada idade de oito anos sem assimilar muita coisa, embora compreendesse o necessário. Se tivesse que perguntar algo na rua — por exemp

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  • 3 dezembro

    Beleza

    Naiana não me deixa em paz. Quer que eu mude de vida. Mesmo sabendo que ando muito sedentário, não tenho o menor interesse de ir à academia. Ela chegou a me levar três vezes. Para mim, que tenho autismo, nível de suporte um, é algo arrasador ter de lidar com aquela multidão de gente descolada, revezar máquina, ter de escutar músicas horríveis – levei um fone tapa-ruído, mas não teve o menor efeito ante a descarga de som eletrônico. Bati o pé e disse, novam

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  • 3 dezembro

    Palavras insólitas, insólitas palavras

    Viajava de ônibus outra vez pelo interior do estado. Na época, isso me era tão rotineiro quanto a atual preocupação com os seguidos e rechonchudos boletos, que parecem ter um prazer mórbido em aparecer sem avisar no meu e-mail, ou, de quando em vez, aqueles mais austeros e resolutos, na minha caixa de correio. Saímos de Porto Alegre com vinte minutos de atraso por conta de algum problema no trânsito próximo à rodoviária. Chovia torrencialmente desde a madr

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  • 2 dezembro

    O mundo nunca será só virtual

    Quando inventaram o DVD, mataram o VHS. Pelo menos era essa a intenção — empurrar todo mundo para o novo aparelho brilhando no rack da sala. Depois o vinil virou CD. O CD virou arquivo. O arquivo virou link perdido no YouTube, no Spotify e em mais uma dúzia de plataformas que juram guardar toda a música do mundo, mas nunca têm aquela faixa que você procura. O cinema, coitado, saiu da tela grande para cair no streaming. Cada filme numa prateleira

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  • 1 dezembro

    Poema #47: Andarilho deitado

    O vento sopra um frio doido e esquisitona curva da esquina de um terreno baldio.Estou entre sapos e grilos e entulhos de lixo,atrás de um muro quebrado e com muitos cacosde vidro onde me escondo dos meus inimigos.Apaguei todas as luzes da esperançae estou sendo mordido por cachorros de rua.“Atualmente eu vivo rodeado por minhaspaixões defuntas”. Todas inclusive,menos uma delas: a paixão do absoluto.Ando sozinho pelas ruas de bairros e ouço:(você quer pegar

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  • 1 dezembro

    Menções honrosas

    “O conforto é o pior dos vícios!’ Essa foi a primeira frase que Mila Cox ouviu ao entrar no apartamento que dividia com seu parceiro musical Zími. “Hoje valorizo muito mais a vida que levo e as coisas legais que eu tenho, graças àquele período difícil da minha vida.” Ele conversava com o amigo e vizinho, o multiinstrumentista uruguaio Silvano, que era uma banda de um homem só, e fazia apresentações junto dos Crop Circles, projeto mu

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  • nov- 2025 -
    30 novembro

    Ode aos meus 3.7

    Quero-me a mim como nunca antes,como quem encontra uma versão esquecida de si no fundo de uma gaveta emperrada: força um pouco e…– Crrrrr…..[o reconhecimento é recíproco pelo cheiro] Quero-me a mim com a presença de um personagem que não sofre expectativas: meras sinas de ator, sempre certo de poder controlar algo ou alguém Quero a beleza e a felicidade que se mantêm intactas dentro de umpresente que se mantem por conta própria:tortolumin

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  • 30 novembro

    A lágrima extra

    O dia prometia ser quente e úmido — combinação ideal para cabelos rebelados e para quem trabalha imóvel ao ar livre. Depois de entregar o filho à vizinha que o levaria à creche, voltou ao seu reino: um quarto-cozinha-banheiro, tudo no mesmo perímetro afetivo. Abriu o velho armário que rangia como se quisesse dar opinião. De lá tirou seu uniforme de batalha: camisa preta com gravata borboleta, colete branco, calças bufantes que herdara de algum século passa

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  • 30 novembro

    A fome

    Uma mão vasculha alguma coisa que se possa comer no meio do papel, do plástico… Outra mão manuseia as teclas de um computador em um lugar distante e escreve este texto… Alguns olhos procuram nas calçadas e nas caçambas de lixo um alimento qualquer… Em uma esquina de uma grande cidade, outros olhos observam o espetáculo de luzes e imagens nos telões expostos na avenida. Como podemos viver, ao mesmo tempo, tantos avanços tecnológicos e ainda presenciarmos a

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  • 29 novembro

    Me dê um lyke?

    As redes sociais dominaram, não há como negar. Se aconteceu, está na rede. Se não estiver, deve ser irrelevante, e nem interessará a ninguém. Em tempos não tão longínquos, eram as redes de televisão e, antes ainda, os jornais e revistas. Os expoentes da comunicação tornavam-se celebridades, a quem conhecíamos pelos nomes. Redatores, colunistas, apresentadores e repórteres passavam a ser nossos “amigos”. Ah, e o que dizer dos publicitários? Esses eram mais

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  • 28 novembro

    Fabulazinha

    O velhinho enfiou os pés na água fria, distendeu os dedos doídos, espreguiçando-os, e saiu um pouquinho de dentro de si mesmo. Foi até ali em frente, no meio do lago, onde um pato nadava. Era um velhinho muito velho, com uma barba compridíssima – a pontinha bulindo na água – e branquinha, da cor do pato que deslizava mansamente, mal se movendo. As grandes árvores copadas coavam a luz finíssima do sol, restiazinhas de bem-querer. O velhinho punha os olhos n

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  • 28 novembro

    Vê se me enrola pouco, pediu a musa

    Vamos esclarecer esse negócio de musa inspiradora. Para início de conversa na tradição clássica ocidental eram nove as musas, todas filhas de Mnemósine, divindade grega da Memória, com o todo poderoso Zeus. Elas eram Calíope, Clio, Érato, Euterpe, Melpômene, Polímnia, Terpsícore, Talia e Urânia. Cada uma inspirava a arte nos homens e nas mulheres, sempre de alguma maneira direta ou indireta como é próprio nas relações do divino com nós mortais. Por conta d

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  • 27 novembro

    Como no Cinema

    De pé na frente do último cinema de rua da cidade, Seu Alírio leu mais uma vez, com vagar, o cartaz que anunciava a demolição daquele edifício. Do seu edifício, hoje mais decadente que ele próprio e tão velho quanto. Aquele lugar tinha sido sua casa por quase oitenta anos e não podia permitir que viesse abaixo sem se despedir. Triste, respirou fundo e entrou. Percorreu os corredores escuros já conhecidos de memória, abriu a cortina que dava acesso à sala d

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  • 26 novembro

    Espectro

    Laura é do tipo cismada e encabulada. Quando quer as coisas, vem logo no colo do pai pedir para que eu resolva. Desde pequenininha é assim, manhosa. No começo, eu aceitava, por ser tão pequena e não ter condições de resolver suas questões. Agora, com dez anos, isso me incomoda profundamente, porque eu mesmo fui criado para me virar por mim mesmo: desde cedo morando no interior, com parcas condições de vida, arranjava trabalho do que se pudesse imaginar. Na

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  • 25 novembro

    Quando um amigo bom tem uma playlist ruim

    Pois é: eu ali, de carona com um amigo que não via fazia um tempo, recém-chegado da Europa, que me chamou para um chope — e eu aceitei. Só que, infelizmente, não sei se tinha tomado iogurte vencido, ou algo parecido, mas a playlist do meu amigo estava horrível. No caminho, “Beija Eu”, da Marisa Monte; depois, “Já Sei Namorar”, dos Tribalistas. Até que, de uma hora para outra, me toca Ivo Pessoa, com “Quando Eu Te Vi”. — Linda, né?— É…! Ouvir Ivo Pessoa, pa

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  • 24 novembro

    Poema #46: Um Cão

    Um cão latindo na noiteé sempre um cão.Sem cor, sem nome e semsignificadopara quem o está ouvindo. No entanto este cãotraz em seu latido,sombras de milhões de outros cãessintetizadosem uníssono noite adentro. A chuva não consegue abafareste inquietante latir,profanando o sono dos homense o sectarismo estáticodas coisas e dos seres. Alguém para se ver livredo incômodo latidodesfechou tiros na escuridão,e a noite se arrastou em insônia. Da boca sangrenta daq

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