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  • jul- 2025 -
    3 julho

    Trama subjetiva nas mentes!

    O poder político mantém certas ideias para gerir uma nação, desenha caminhos fartos de opções no cotidiano do povo, que está a espera de sua colaboração e sustento.  O poder da biologia carrega em suas raízes a capacidade de escrever a data de seu velório.  O poder espiritual, sustenta a igreja com certas regras e posturas limitadas pela fé, diferenciado substancialmente com espírito e alma aos pés de sua prole.  Carrega a eternidade como sa

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  • 3 julho

    Striptease

    De longe, só se vê que há luz no quarto, mas pouco se distingue o que acontece lá dentro. Com meu binóculo, escondido atrás da cortina no apartamento do prédio em frente, tenho visão privilegiada e posso ver tudo com detalhe. Posso vê-la tirar a roupa, por exemplo. Como agora. Ela acabou de entrar. Jogou a echarpe no chão e sentou-se na borda da cama para tirar os sapatos de salto. Joga-os num canto. Começa a desabotoar a blusa. Noto que está um pouco mais

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  • 1 julho

    Deixa o mundo lá fora, vai

    À primeira vista, nenhuma graça. A turma está lá fora, jogando bola, tomando cerveja no boteco, nadando no clube. E você? Está ali, concentrado, alheio, lendo. “Que programa mais besta!”, “Quem lê demais fica doido!” — já ouvi de tudo. Mas ler é outra história. Bem diferente de ver série, filme ou novela. Quando alguém filma, quer que você compre a ideia dele. No livro, a escolha é sua. Você decide o que quer, do jeito que gosta, no seu ritmo. E qual é a g

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  • jun- 2025 -
    30 junho

    Poema #4: Rondó randômico

    A tosse que se ouviu pulsar,entranhada nas dobras do ar, ouvi que nunca houve outra igual,engasgo ou sintoma de um malque se ouvisse sem se escutar. Como prever em qual lugar,incontrolável como o mar,recairia o surto canibal que se ouviu pulsar? Nesse jogo de sorte e azar,tecido com ardil no tearda imprecisão proposital,cada lance adia o finaldo giro sem fim do pesar que se ouviu pulsar.

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  • 30 junho

    Poema #30: A Voz do Silêncio

    Estou acordadoe não sonho,mas a realidadeantecipadame envolve. A barba se medesprende do rostofio a fio num friomaior onde estoume enregelando. Tudo se dissolvena aparência de ossosde que fui formado,e que é minha formamais resistente no mundo. Mas a terra(com seus vermes)decompõe ao seu contatotodo o meu aprendizadodoloroso da vida. E uma cova me absorvendotransforma tudo o que fuinum triste resumo de póque um dia se chamou homem. E que lhe deram um nome(

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  • 29 junho

    O crítico perfeito

    Não havia estática no ambiente coabitado por seis espaços, sexta-feira inaugural de um coquetel em meio a formas geométricas suspensas; horas que se observavam tentando segurar a respiração e manter o mesmo compasso entre os minutos. Perder-se não é uma brecha no tempo, pelo contrário. São chaves que não abrem porta alguma, mas pendulam na possibilidade. Está introduzido o conceito curatorial de luz, memória e tempo. São todos os fusos horários em um coro

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  • 29 junho

    Nada de Novo no Front

    Nada de novo no front. Mais uma guerra… E as guerras não têm nada de bom… E esta crônica, infelizmente, se repete. Mais uma crônica sobre as guerras, quando não se deveria escrever crônicas sobre guerras! Contudo, mais uma vez, preciso escrever que não há nada mais estúpido do que a guerra! A guerra interrompe o canto. Paralisa o jogo. Congela sentimentos. A guerra separa amores, aniquila sonhos, pulveriza infâncias, desmaterializa as coisas e

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  • 29 junho

    Os Jardins de Áurea

    O ambiente cheirava a alfazema, misturada ao odor morno da roupa de cama recém-trocada, que aguardava no cesto para ser levada à lavanderia. Do lado de fora, um beija-flor pairava diante da janela, como se buscasse algo que havia perdido. Áurea já estava pronta para receber as visitas da tarde. Vestia o traje estampado mais elegante do guarda-roupas, embora não fosse aquele que desejava usar. Sentiu as mãos ágeis de alguém prendendo seu cabelo com um elást

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  • 28 junho

    Sobre viver em tempos bárbaros

    Acesso a internet e me deparo com o genocídio em Gaza, o ataque de Israel ao Irã, outra demonstração do exibicionismo doentio dos EUA e o descaso da Indonésia com a nossa menina brasileira. Respiro um ar rarefeito. Falta saliva para deglutir todo esse horror. Penso no sofrimento atroz pelo qual ninguém deveria passar para viver ou morrer… um misto de tristeza, temor e desesperança me atravessa. E, como se tudo isso fosse pouco, me deparo com o vídeo de um

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  • 28 junho

    O Poema da Crônica

    Neste final de semana, chega ao fim meu descanso ou férias de inverno em Salvador. Como assim, férias, se sou aposentada? Ah, mas férias não significam apenas pausa do trabalho ou dos estudos. Recesso, férias, repouso, trégua, ou algo similar pode ser o desligar-se no tempo, o ócio criativo, a desordem feliz da cronologia da vida. No meu caso, é a vadiagem da alma. E do espírito. É a vida que não é vista nem dividida com ninguém, em que você é ao mesmo tem

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  • 28 junho

    ORDEM, PROGRESSO E… AMOR

    “O amor vem por princípio, a ordem por base / O progresso é que deve vir por fim / Desprezastes esta lei de Auguste Comte / E fostes ser feliz longe de mim” (POSITIVISMO, Noel Rosa e Orestes Barbosa) Bandeiras são símbolos que remetem à identidade de uma nação. Constituem-se em autênticas obras de arte por sintetizarem os valores de um povo usando apenas tonalidades e elementos gráficos e temáticos sobre um fundo retangular. Aqueles que conceberam a bandei

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  • 27 junho

    Crepúsculo da bruxa

    A chuva forte não convidava a sair. Em outros tempos era o momento de dar uma ajeitadinha no visual, montar na vassoura e voar pelo mundo. Agora não. A vassoura está ali mas a confiança em subir nela desapareceu. Ou melhor, está adormecida. Não é de hoje que ela duvida se ainda sabe mexer com os poderes que a tornaram notória. No fundo ela acha que ainda conseguiria dar umas voltinhas sentindo o vento nos cabelos. Mas na dúvida prefere não arriscar. E no e

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  • 27 junho

    O verso e seu inverso

    Frequentemente, uma leitura puxa a outra e acabamos em um fim diverso do que planejamos. Foi assim que caí em Massaud Moisés. Melhor, na sua obra A criação literária, que, há um bom tempo, aguardava na estante o meu retorno. Procurando ser uma introdução ao estudo da literatura, o livro nos traz uma abordagem sobre os gêneros literários, onde, em certa passagem, aparece a discussão sobre a adequação deles no trabalho do escritor. O ex-professor da USP fala

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  • 26 junho

    Ao final de tanto!

    No teatro Pantomima presenciamos uma apresentação onde metade do sentido da obra surge através dos gestos dos atores. A outra metade, você mesmo cria a seu bel-prazer.  Em sua mente pode aparecer uma cena de horror quando seus dias estão carregados, ou uma paisagem deslumbrante, sinônimo de como você está de bem com a vida. Sua metade imaginada ao vivo, tem o mesmo gosto do prazer exclusivo de sua escolha, porque somos egoístas no quesito, felicidade,

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  • 26 junho

    Uma nova quadrilha

    Carlos gostava dos dias frios. Laura, dos ensolarados e quentes. João, dos chuvosos. Laura assistia a todas as telenovelas. Carlos, às partidas de futebol. João preferia os livros. Laura falava muito, sempre. Carlos, um pouco menos. João, só o necessário. Laura acreditava em Deus sobre todas as coisas. Carlos era ateu. João, agnóstico. Carlos adorava dançar e era ótimo nos bailes. Laura gostava mais dos concertos; ficava louca com Debussy. João era cinéfil

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  • 25 junho

    Temístocles, a filosofia e o ônibus

    Por muitos anos Temístocles esperou o ônibus na mesma parada, bem perto da sua casa. O ônibus passava pontualmente, às 7h17, e o levava para a escola. Aos amigos ele contava qual curso faria na Universidade. Tinha planos, como todo jovem sonhador, um tanto bobo, claro. Pouco ciente de suas prováveis desventuras. Por dois anos Temístocles esperou o ônibus na mesma parada, bem perto da sua casa. O ônibus passava pontualmente, às 13h01, e o levava para o curs

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  • 24 junho

    O porteiro que era dono de uma ilha de livros

    No trabalho, ele anotava placas e nomes de pessoas. Na hora do almoço, abria livros. Porteiro da Praia do Forte, na Bahia, dono de uma ilha de livros, guardião de entradas e saídas. E, sem que ninguém desconfiasse, dono também de uma ilha de livros. Começou quando foi fazer o primeiro ano do fundamental. Analfabeto funcional até os 13 anos, vendedor de geladinho, picolés, ambulante para sobreviver. A professora, comovida, deu para ele a chave da biblioteca

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  • 23 junho

    Poema #03: Oferenda

    Da onda ao pé da praia,recolho as relíquias do mar:sigilodeslumbrante encantopronúncia sincera de uma fé sem dogmas. Preservo meus amuletos.Quisera crer somente na forçadas águas que os trouxeram,banhados em luz e sal,sutil religação do corpo ao mistério. Algo estranho, porém, cortaminhas mãos, meus pés.Fio afiado de facacravado nas costas da mansidão.Em vão vasculho a areia:misericórdia amor tolerânciaestão enterrados tão fundoque sequer a mais teimosa es

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  • 23 junho

    Poema #29: Novas Lendas Urbanas Inventadas do Nada

    Eu estava de tocaia na praça em frente à sua casaaí ela chegou de bicicleta e quando foi abrir a portaeu ataquei, agarrando-a por trás e já sentindo o delíriodaquelas carnes macias que me foram negadas em vida. Havia crianças por perto e então eu achei melhorinterromper o procedimento e levá-la para um lugarescuro e deserto e então fomos a um velho cemitériocom ela protestando que preferia estar com uma amiga. Mas eu havia morrido por causa dela e não era

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  • 22 junho

    Dois cafés e um canto de bar

    Engraçado perceber como, com o passar do tempo, o ser humano perde alguns centímetros de altura; não é somente pela coluna que enverga para aqueles que não se exercitam. Mas há um efeito mais profundo da pressão da gravidade no tamanho dos idosos. Há um bom tempo escutei que, se nos medíssemos ao levantarmos pela manhã, após horas na posição horizontal, e depois, no meio do dia, quando já estamos na ativa da vida social, teremos duas alturas distintas. Nun

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  • 22 junho

    Crônica para Cronistas

    Você que faz crônicas, que olha para a rua, para os rostos, sente o vento e insinua um parágrafo… Você que, no banco de uma praça ou em uma calçada, vê o movimento da vida e escreve… Você sabe o peso de uma crônica? Escrever crônicas é traduzir o complexo jogo da vida. É colocar em palavras o gesto, o beijo, a conversa, a fila e a briga, o trânsito, o nada e a terrível falta de assunto… Entretanto, antes de qualquer coisa, é preciso rever

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  • 22 junho

    Bandeira branca

    Chega um momento na vida em que é melhor hastear a bandeira branca e desistir de certas lutas. Insistir em batalhas perdidas só serve para agigantar o inimigo que vive dentro de nós. É tempo de revisitar as bases que um dia abandonamos por medo ou fraqueza — e reconhecer que, mesmo tendo hoje mais forças, tentar retomá-las só nos faria ver que talvez nunca tenham sido, de fato, nossas. É preciso aceitar as baixas no exército de projeções otimistas e evitar

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  • 21 junho

    Modo Economia de Energia

    Vamos falar de bateria social? Para mim, está cada vez mais difícil não prestar atenção, calibrar, recarregar ou mesmo optar se devo usar essa tal ferramenta. Todos os dias eu percebo o quanto ela está se tornando indispensável e necessária em nossas vidas. Em muitas situações parece existir um desgaste nas relações sociais, talvez pelo cansaço de se expor ao outro, ao julgamento, às interações forçadas. Quando mais jovem, eu ouvia contarem que a pessoa es

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  • 21 junho

    Paratatá

    A experiência de não ser entendido, tampouco entender o que o outro diz, é de uma angústia visceral. Isso acontece, mais rotineiramente, nas desavenças, nos mal-entendidos, no ciúme, mas refiro-me, aqui, à vivência de estar num país de outra língua que não arranha o inglês ou o espanhol.  É curioso constatar que duas pessoas podem não conseguir se comunicar, ainda que queiram ou precisem. Ambos podem ter vocabulário farto, palavras na boca para usar,

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  • 21 junho

    Algoz Ritmo

    Esqueça o tempo em que você era explorado pelos patrões e tinha de brigar por seus direitos. Precisava se filiar a anacrônicos sindicatos, contar com um Estado falido e ineficiente e políticos corruptos para que suas condições de vida pudessem ser melhoradas. No mundo de hoje, somos nós, os algoritmos que determinamos o que é bom para você. Colocamos à sua disposição robôs que sabem exatamente o que você pensa, sente e do que você precisa. Foi-se a época e

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  • 19 junho

    Bilhete Premiado!

    Ficamos mais próximos de nós mesmos nesses últimos anos, foi inevitável o isolamento e descuido em relação aos outros, porém, crescemos sobre maneira evitando por vezes um desespero sem volta.  Os melhores estão aqui, os mais fortes e preparados se safaram da peste, e agora revivemos nosso passado na busca de respostas diferentes porque todas as questões mudaram, algumas de tamanho, outras de conteúdo.  A forma de revisar a vida, travada pelos ar

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  • 19 junho

    Os esquecidos

    Existe esse bairro do qual pouco se ouve falar, encravado na periferia extrema de uma grande cidade. Um lugar miserável feito de papelão, barro e lata velha, com cadeiras coxas nas portas e arremedo de jardim sem flores debaixo das janelas. Nesse ermo, sempre deixado de lado, vivem os esquecidos, uma gente feia à qual a gente da cidade entende por bem dar as costas. É um aglomerado de mortos-vivos que perambulam, comem quando conseguem o que comer, transfo

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  • 17 junho

    Com quantos anos ainda se pode dançar?

    Depende. Depende das juntas, da artrite, da saúde em geral, depende de tanta coisa. Naquele sábado, na pista da Pink Flamingo, os garotos com preguiça do flerte – dançavam, riam, bebiam. Ninguém se olhava. Ninguém se deixava gostar. Foi quando ele – camisa branca, jeans comum e tênis – foi para a pista com jeito de quem ainda sabe como se faz certas coisas. Primeiro ele olhou. Depois sorriu. Depois gostou. O outro olhou de volta. Depois s

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  • 16 junho

    Poema #02: Último andar

    Inunda o céu a invasãodesse voo vadio sem asasde volteios fora do tempoa trapacear a vertigem. Fora de ordem e selvagenssão as aves que sequeras mais hábeis artimanhasmantiveram na gaiola. Em silêncio, em liberdadefuram a fila das nuvense enganam sombras e luzesno movimento sem freios. Ao redor do último andarvê o caminhar derradeiroque prescinde de convitepra lançar-se ao recomeço. Faminto de novos aresvoa pra abocanhar o céupássaro infenso à censuratecid

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  • 16 junho

    Poema #28: ANÍMICA

    quando eu tinha todos os movimentoseu era sol entre nuvensaves de arribaçãoqualquer coisa de menos sólidapor haver.eu via cachoeiras em meus sonhosremanso de riospedra grande de sentar meninoflorestas a esculpir. Da Essencialidade da Água

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