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jul- 2025 -29 julho
Preta foi para o céu
Preta Gil foi para o céu. O Brasil ficou órfão de sua alegria escandalosa. Preta perdeu sua última batalha contra o câncer. Perdemos a cantora, a empresária, a apresentadora, o exemplo de mãe, a mulher inspiradora que ela foi. Preta foi embora no último domingo, dia 20, nos Estados Unidos. Preta descobriu cedo sua força porque, na escola, apesar de ser filha de pai famoso, soube que isso não a blindava do racismo do colégio onde estudava: a mãe de uma cole
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29 julho
Fazendo a roda girar
Saía de casa faceira após chamar o Uber. A vizinha vê, para. Me elogia. Pavaneio. Vou dar entrevista. Oferece carona. Recuso. Uber já chegou. Penso na taxa de cancelamento. Pago não. Não sei mesmo fazer conta. Vou de Uber. Vizinha se vai. Começa a tradicional conversa sobre o tempo, o frio, o perigo do banho quente e sair na friagem. O motorista parece cansado, fala da mulher que teima em sair do banho e colocar a toalha para secar do lado de fora. Pode ad
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28 julho
Poema #01: A Viagem
A gente corre e esqueceO tempo aquece, escorreSe a vida dança, eu rioSe a vida flui, eu sambo De lá eu vejo, sintoDe longe eu peço, e ficoDa rua, a terra, o transeA moita, espreita, um tanto Eu tive sede e sonhoVivi a luz, a sombraTimbrei um brado, um tintoUm feixe aceso, o sangueDa lua negra, um gritoAfresco a palo secoMemória, o vulto, o vícioEsqueço, vejo;Me desencontro Tolice a velha sinaO ter não quer ser tidoO lado oposto, o tempo Se rompe o véu, um
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28 julho
Poema #32: Versos Lastimosos
a gentesempre se ressentecontra quemsupostamentese diz muitofeliz Da Essencialidade da Água
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27 julho
Órfã
Somos inseparáveis. Sabe aquela dupla que passa a maior parte do tempo colada? Pois é, somos assim – tipo queijo com goiabada –, um não pode viver sem o outro. Fazemos tudo juntinhos, uma mão lavando a outra, parceria que já vem de longa data. Seja de dia, seja de noite, você é meu companheiro, está ali firme sem reclamar, topando qualquer parada. Às vezes penso que sou dependente demais de você. Mas, depois, penso um pouco e vejo que você também não tem v
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26 julho
O poder que ela tem
Estava num salão de beleza, fazendo a unha e papeando com minha amiga e manicure, quando fui fisgada pela conversa que se desenrolava ao lado. Uma senhora de 76 anos relatava que um rapaz de 38 estava lhe assediando na academia. Segundo ela, o bonitão de cavanhaque fazia questão de abraçá-la sempre que a encontrava. Além disso, ela também notava que o marombado a acompanhava com o olhar aonde quer que ela fosse. A cliente em questão se dizia indigna
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26 julho
Vira-lata procura homem de raça
Vira-lata de estirpe procura ser humano de raça. Pode ser branco, negro, amarelo, vermelho, azul, não importa. A “raça” que realmente conta para um autêntico vira-lata como eu é a fibra, o caráter e o afeto que me garantem perfeita harmonia para os próximos 15 anos. Aviso que sei muito pouco de meus ancestrais. Posso ter sido gerado de um cruzamento de pastor alemão com rottweiler, de labrador com boxer ou de beagle com yorkshire. Ou, mais provavelmente,
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26 julho
Calendário
E lá vamos nós para mais um dos dias “disso” ou “daquilo”, que não conhecíamos, mas que brotam do calendário com a maior certeza. É dia do beijo, dia do abraço, dia do irmão, dia nacional do homem (15 de julho). Há dias que eu aplaudo. Sem trocadilhos. Entendo que são mesmos necessários, que devem estar marcados nos calendários, como uma forma de lembrar a importância do que se comemora. Dou como exemplo o dia 13 de novembro. Adivinhem de
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24 julho
ESCOLHAS
Pode-se não dizer nada (e isso talvez não seja tão difícil). Pode-se guardar as palavras, esquecer os substantivos, calar os adjetivos, ignorar os verbos. Pode-se não pensar no toque de peles mornas nem em anoiteceres compartilhados, muito menos em entardeceres com cheiro de comida. Pode-se não intuir nem imaginar. Pode-se tirar tudo da frente dos olhos: os relógios, os mapas, as geografias, as histórias, as memórias, o passado e o futuro. Pode-se não ler
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22 julho
Poema #31: CACTOS
No meio da tardeNo meio do mundoNo meio da salaestamos plantadoscomo uns cactos. No meio da vidaNo meio do sonhoNo meio do amorestamos atadoscomo uns escravos. No meio do caminhoNo meio da raivaNo meio do medoestamos presoscomo uns condenados. No meio de tudoNo meio de nadaNo meio sem meiosestamos perdidoscomo uns abortados. No meio da ruaNo meio da noiteNo meio da merdaestamos sozinhoscomo uns deserdados. No meio de nósestamos morrendocomo os antepassados
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22 julho
Aprendizado à beira-mar
A primeira vez que vi o mar foi um acontecimento. Foram horas — acho que oito, talvez dez — de Belo Horizonte até Marataízes, com aquelas paradas que hoje soariam enfadonhas, mas que na infância tinham gosto de festa: milho cozido na beira da estrada, mingau de milho fumegante, almoço simples com farofa crocante. Eu achava tudo aquilo uma delícia. Mas o verdadeiro banquete foi quando o mar apareceu. Imenso, azul, impossível. E justo no instante em que meus
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20 julho
O dia em que não havia mais nada pra sonhar
Olhou para o lado e não havia mais árvores… Olhou para cima e, o céu cinza, cheio de fumaça, impedia qualquer ser vivente de ver o sol! Olhou para o outro lado e… não havia mais água! Resolveu caminhar entre pedras e destroços, cascalhos, plásticos, objetos já sem valor algum. E havia no chão coisas que nunca foram usadas, sacolas e mais sacolas de todas as cores e espessuras. Sacolas cinzas, sacolas verdes, sacolas transparentes… Caminho
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19 julho
Minha Carlota Joaquina
Quando eu cruzei a linha dos cinquenta, a estranha do espelho começou a me visitar com frequência. Lembro do nosso primeiro encontro, parecia o desafio dos sete erros: lábios finos, vincos na testa, derretimento das bochechas, bigode chinês, código de barras no pescoço, cabelo branco, manchas na pele. Um olhar rápido foi suficiente para encontrar as diferenças. Mesmo com a convivência forçada, não nos tornamos íntimas, tampou
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17 julho
Agora não é hora
Agora não é hora, e peço que não me perguntem quando e como aconteceu. Se fazia frio ou calor, se a lua estava cheia girando no céu ou, ao contrário, se havia nuvens se juntando para a conspiração da chuva, se a cidade estava tranquila ou era o formigueiro habitual de cotovelos se chocando, se os pássaros gloriosos de Harold e Maude singravam a amplidão ou se havia quietude no firmamento, se os carros tiravam faíscas do chão ou se o asfalto dormia seu silê
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17 julho
Tempo da mudança de atitude!
Possuo muitas bibliotecas perdidas em sonhos, que descrevem experiências vividas. Não lembro de alguns detalhes saborosos de minha infância, mas recordo que meus pais me deram muito amor e carinho, que eu gostaria de rever em meus olhos, tocar novamente aquela risada longa e espontânea, recheada de sorriso e abraço. Quando fui a escola pela primeira vez, senti muita vontade de ficar mais tempo com os amigos, porque aquela era a melhor parte da aula, encont
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15 julho
A VINGANÇA DO LAPTOP**
*— Quando a tecnologia resolve mostrar quem manda (e vira protagonista da reunião) O relógio marcava 14h30 e ele estava numa reunião remota de marketing da Agência Pixel & Café*, com o chefe, as meninas do RH, as estagiárias… e até o Padre Marcelo, convidado para “abençoar” o projeto. O computador, num surto de rebeldia, começou a travar: reiniciava sozinho no auge da reunião, desligava sem aviso e exibia um “fantasma” na tela, como aqueles velhos tele
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13 julho
“Felicidade se acha em horinhas de descuido”
Foi o Guimarães quem disse. O Rosa, que não é flor, tampouco cor. Ele disse, eu refleti. Me perdi nas horas, horas longas e não pequeninas, que atravessaram meu corpo, minhas ideias e minhas versões, desde o nascimento. Me descuidei, por um fio, horas a fio, fios de cabelos que ainda não embranqueceram. E foi neste descuido, chamado felicidade, que os fios de meus cabelos foram abraçados, silenciosa, vigorosa e funcionalmente por uma piranha cor-de-rosa. N
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13 julho
Aroma, meu guia
Em outra vida, tenho certeza, fui um Bloodhound — aquele cão de faro imbatível, dono de 300 milhões de receptores olfativos. Os humanos comuns (não me incluo) mal chegam a 5 milhões. Sinto odores há quilômetros de distância, tanto os que me encantam como aqueles que me nocauteiam. Devo confessar que esse super olfato me leva a escolher locais pelo cheiro – sim! Lojas com cheiro de marca me seduzem: entro, respiro fundo, e saio com algo que nem queria, só p
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13 julho
A pedra do caminho pode ser um trampolim
Hoje minha intenção era escrever sobre as mil vestes do amor. O interesse pelo tema surgiu a partir de uma conversa entre amigas. Falávamos sobre as possibilidades e particularidades das relações amorosas na fluidez da modernidade: amor livre, relações abertas, trisal, entre outros. Acontece que, como já nos alertava Drummond, no meio do caminho tinha uma pedra. De minha parte, acrescento que a pedra é estadunidense. Ao chutá-la, perdi o foco, o intento e
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13 julho
Semente, Flor e Fruto
Nossos pais são os nossos educadores natos e a escola nos ensina a ler, ter cultura, cidadania, socializar. Esse é o pequeno mundo das crianças. Já a literatura distrai, ensina e forma a pessoa que nos tornamos. Ler amplia o horizonte; sem sair de casa interagimos com pessoas diversas, conhecemos países e outros continentes, somos colocados frente a frente com dilemas, vivências e exemplos de vida. Ao elaborar questões existenciais, vivenciar a
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10 julho
Deuses, sábios e poetas!
Você consegue imaginar o momento onde nossa raça planetária está a minutos do apocalipse, e que um relógio marca esse tempo em detalhes sórdidos para te enlouquecer? Pois esse cuco marcador de nossos últimos dias existe, se chama Relógio do Juízo Final, ou Relógio do Apocalipse, em inglês Doomsday Clock, que nada mais é do que um marcador simbólico, mantido desde 1947 pelo comitê da organização, Boletim dos Cientistas Atômicos, da Universidade de Chicago,
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10 julho
O velho piano
Com as costas curvadas e as mãos apoiadas nos joelhos, o velho Amadeu contabilizou o produto de sua semeadura: recolheu duas cenouras que tinham brotado no meio das alfaces e das couves. Gostou da surpresa. Analisou e viu que as cenouras eram boas. Preparou e comeu uma salada fresca no almoço. No mesmo dia, resolveu experimentar algo novo: plantou no meio das abobrinhas uma flauta, um violino, duas partituras de Bach e um Dó Maior. Cobriu tudo com muito cu
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9 julho
De quando quase encontrei Givanildo Carmelino de Abreu Vasques
Quando acabou a aula de química industrial, fui ao food truck mais frequentado dos arredores da faculdade. O cachorro-quente daquele lugar era tão conhecido quanto o seu Jacinto e a dona Cesárea, seu Jajá e dona Cesinha, para os íntimos. Nunca houve um food truck tão falado na cidade. Se não me engano, o seu Jajá foi até candidato a vereador uma vez, mas não se elegeu. Uma lástima, no fim das contas, pois se na câmara ele trabalhasse com a mesma destreza c
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8 julho
Postei que me amo, mas o Wi-Fi não curtiu
Sabe aquele dia que a gente acorda meio piegas, sentimental demais, como se tivesse engolido um coach motivacional junto com o café? Se nunca acordou assim, por favor, me indique o remédio, porque eu sou refém dessas crises. Pois foi numa segunda-feira dessas que eu acordei cafona demais, abri o Facebook e vi a clássica pergunta: “O que você está pensando?” Sem pensar muito, mandei logo: “Eu ando me escolhendo todos os dias, mesmo quando pareço a pior opçã
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7 julho
Poema #05: Procura dos sentidos
Terminantemente cego pelo brilho da sua voz,custei a compreender que o farol era oco.Lançam-se às ondas os que não veem.Os olhos,mal acostumados à claridade nua,não distinguem o contorno do timbre que os feriu.Perfil de muitos rostosou nenhum. Vem de lá o jogral que arranha os ouvidos.As letras,maiúsculas e resolutas,marcham e cantamcantam e marchamem fileiras que se entrelaçam e colidem até se emaranhar em mil espinhosaptos a ensurdecer o toque.O ruído da
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7 julho
Poema #30: Porém, Nada Dizia
Gosto do silêncio.Prefiro ficar em silêncio.Vejo as pessoas conversandoe a imagem que me fica é ado cuspe trocado entre elas.
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6 julho
Na extrema curva do caminho extremo
Eu não deveria escrever sobre se a terra é de fato esférica… Eu não deveria dizer o óbvio! Eu não deveria repetir tantas coisas… Eu não deveria escrever e me esforçar para que as pessoas saibam e entendam que o nazismo foi um movimento de extrema direita. Eu não deveria escrever e me fazer entender que QUALQUER regime de exceção, que tira direitos e persegue pessoas é chamado de ditadura… Eu não deveria escrever sobre a desgraça que é o r
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6 julho
Onde Está Você?
Cabelos desalinhados, Débora esfrega os olhos fundos, sonolentos. Busca o roupão na cadeira ao lado da cama e se debruça de novo sobre o travesseiro vazio que repousa ao seu lado. Sente o perfume de lavanda ainda presente na fronha — o que lhe restou. No silêncio da manhã, seu olhar se detém no fio de luz que atravessa a fresta da janela. Como uma adaga, ele penetra o recôndito dos pensamentos noturnos. Débora se envolve nos lençóis, à procura de um abrigo
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5 julho
Direção Defensiva
Uma pesquisa realizada na Universidade de Viena, com sapos comuns (Bufo-bufo), conseguiu registrar um comportamento curioso e inusitado. As sapos-fêmeas, diante da aproximação e assédio de machos indesejáveis e insistentes, se fingem de mortas. A estratégia chamada tanatose é uma reação extrema a situações de estresse ou perigo. Que danadas…não julgo. Sabemos muito bem o quão estressante pode ser um homem querendo transar na hora do sono, da novela ou da
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5 julho
Frio com Memórias
Mãos enregeladas, dedinhos roxos de frio, boca seca e gretada, olhos lacrimejando… Que frio! O assovio do vento, misturado ao fungar dos narizes, soma-se ao barulho das vozes tagarelas dos valentes meninos e meninas que dobram a esquina correndo, apressados para terminar o percurso ao avistar a grande escola. Entram aos atropelos! No inverno, a fila do pátio é dispensada. Cada um segue direto para sua sala e acomoda-se em seu lugar. Acalmado o burburinho,
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