Era só uma bicicleta

  • Era só uma bicicleta

    Era só uma bicicleta!

    E Cláudio Rafael não havia roubado nada! Apenas saiu com a bicicleta de sua irmã!

    Ainda que tivesse acontecido um roubo, nada justifica a cena de selvageria que ocorreu em Copacabana.

    Pior, a cena de espancamento e linchamento de Cláudio Rafael escancara o quão estamos doentes! Que sociedade é essa que mata?

    Que sociedade é esta que banaliza a morte?

    Na fúria do dia a dia, vamos perdendo um pouco de nós mesmos.

    Na fúria do dia a dia, vamos nos afastando daquilo a que ainda chamamos humanidade!

    Na fúria do dia a dia, banalizamos a própria vida…

    A sociedade do espetáculo entrega a todo momento cenas grotescas de descomposturas gratuitas, violência verbal, agressão física, feminicídio… um sem-fim de comportamentos gravados e visualizados por milhões.

    Um dos agressores de Cláudio fez questão de filmar a horrenda ação, como se fosse paladino da justiça resolvendo as misérias históricas do país.

    Era só uma bicicleta!

    E uma vida foi tirada pela ignorância, pela barbárie, pela total falta de noção!

    Cláudio Rafael saiu com a bicicleta da irmã. Sentiria o vento na orla da praia? Não se sabe… Olharia para as ruas e cenários aos quais estava acostumado e seguiria para um encontro, uma conversa?

    Não se sabe… Olharia para as singularidades de Copacabana mais uma vez e teria um bom pensamento? Não se sabe…

    O que se sabe é que a brutalidade, mais uma vez, prevaleceu sobre o bom senso.

    A bicicleta?

    O Objeto da discussão e da morte de um inocente ficou jogada na calçada, alheia à fúria dos homens…

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