Campista Cabral

Campista Cabral, leitor assíduo dos portugueses Camões e Pessoa, do poetinha Vinícius, herdou deles o gosto pelo soneto. A condensação dos temas do cotidiano, assim como a reflexão sobre o fazer poético, parece procurar a sua existência empírica ou, nas palavras do poeta, um rosto perfeito, na estrutura do soneto. Admirador e também leitor obsessivo de Umberto Eco, Ítalo Calvino, José Cardoso Pires, Lobo Antunes, do mestre Machado de Assis e do moçambicano Mia Couto, retira dessas leituras o gosto pela metalinguagem, o prazer em trabalhar um espaço de discussão da criação literária em sua prosa. A palavra, a todo instante, é objeto base dos contos e das crônicas. A memória, o dia-a-dia, o amor, as sensações do mundo e os sentidos e significados da vida estão presos nos mistérios e assombros da palavra.
  • Crônicas

    O BICHO LIXO

    As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco. Assim termina A revolução dos bichos, brilhante livro de George Orwell. Animais que se rebelam contra a opressão humana, conquistam a

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  • Crônicas

    Crônicas, Filmes e Fotos

    Em Crônicas sobre uma foto falei sobre o tempo, falei um pouco do passado, falei de memória. Tomei emprestado um verso do grande Manuel Bandeira, “…tempos de eu-menino…” E, também, tomei por empréstimo Pasárgada. Mas o poeta há de entender. Retirei algumas fotos de caixas de papelão (quem hoje ainda faz iss

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  • Crônicas

    Admirável mundo novo

    Admirável mundo novo: prédios que desafiam a gravidade, veículos que se movimentam cada vez mais rápidos, produtos e aparelhos eletrônicos que prometem revolucionar a vida de todos nós… E compramos e acreditamos e nos iludimos. Admirável mundo novo! Problemas sempre os mesmos. A fome sempre a mesma. A violência s

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  • Poesias de 1 a 99

    #08 – Ofício

    E todo verso que façoUm pedaço de mim está e fica e se vêUm outro ninguém sabe, um laçoque não se sabe onde fica e nenhuma vista lê E toda estrofe que nasceMeus sonhos e verdades lá estãoNum outro canto, outras verdadesNo esquecimento ficarão Quando o poema, inteiro, surge diante de mimÉ meu o rosto e é meu o nomeMas é

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  • Crônicas

    Somos coisa

    De cabeça baixa andamos. Com as mãos nas teclas, dirigimos. Com um dispositivo móvel, atravessamos a rua. E não vemos, não sentimos, não percebemos a própria vida… tão imersos estamos no mundo digital! E consumimos imagens e vídeos e textos os mais variados. E rimos e choramos com tudo o que nos é mostrado na tel

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  • Crônicas

    UMA CRÔNICA PARA ANNE FRANK

    Olá Anne! Bem, eu imaginei diversas formas para começar esta crônica e, na verdade, creio que o melhor começo seja agradecer a sua resistência!   E eu começo com uma pergunta que você mesma faz: “…por que as pessoas não podem viver juntas em paz? Por que toda essa destruição?” O seu diário fez toda a d

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  • Crônicas

    O BALÃO E O MENINO

    Esta é a história de um menino. Não sei o seu nome. Entre tantos meninos que vivem nas ruas, embrulhados pela fumaça dos carros, continuam caminhando. Um menino, um sonho e algumas palavras. Esse menino sonhava com um balão, mas não um balão qualquer, um balão comum. Um balão que revelasse o tamanho do mundo, que mostr

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  • Contos

    O NEVOEIRO

    Metáfora. Figura de Linguagem que consiste em comparar dois ou mais elementos de forma indireta. Conforme o dicionário, a metáfora nos presta este favor. Aliás, um grande favor! Sem a metáfora, a imagem do que falamos ou escrevemos não teria a mesma expressividade! Aqui, nestes rascunhos e esboços de um tempo, a metáfo

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  • Crônicas

    CRÔNICA CAMONIANA

    Quando dois olhos se olham de uma maneira inesperada e se encontram e se sabem tão íntimos e tão inteiros, sente-se o fogo que arde sem se ver. Quando dois seres se veem próximos o bastante para dizer e celebrar o momento, vive-se o não contentar-se de contente. Quando duas bocas esperam, ansiosas, o suave toque ou o r

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  • Poesias de 1 a 99

    6 poemas de Campista Cabral

    #06 – FAZER POÉTICO O primeiro verso é um pouco como o arPalavras soltas, palavras para cá e para láMas mãos cuidadosas vão caçando no brincarE o céu poético se ordena e tudo lá está. O quinto verso, já encorpado, é como a terraPalavras fortes e consistentes que criam raizE mãos habilidosas escolhem no tempo de esperaE

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  • Ensaios

    O NARRADOR

    Nós, humanas criaturas, contamos, desde sempre, histórias. Histórias para ninar, histórias para assustar, histórias de amor e outras sem fim, histórias de nós mesmos e histórias para divertir… O fato é que não importa a finalidade, contamos histórias. E elas, as histórias, têm um dono! Não falo dos autores, não f

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  • Crônicas

    A primeira crônica do ano

    Esta é a primeira crônica do ano. Um ano novinho cheio de sonhos e projetos para o futuro! Esta é uma crônica de início. Uma crônica que cheira o novo, como presente recém-aberto, esperando ser tocado, usado, experimentado pela primeira vez… O que imaginamos de um ano que se inicia? Que sejamos felizes e tenhamos

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  • Crônicas

    Então é natal! 

    ♫ Então é natal!E o vendedor na esquina oferece milhares de produtos aos que passam. E vende-se isso e aquilo! E vende-se com muito brilho! ♫ Então é natal!E as filas dobram, triplicam, numa algazarra somente vista nesta época. Ninguém tem paciência para nada! ♫ Então é natal!E as vitrines anunciam roupas e calçados e

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  • Ensaios

    Um Exercício de Escrita – O Rio e o Pescador

    Como contar um conto? Uma pergunta instigante para mim, sempre viva e colorida no ato de escrever. Contar um conto é construir uma armadilha; pegar um pássaro raro e ouvi-lo cantar; por fim, alegrar-se pelo feito e comemorar. Um conto é um mundo, um mundo repleto de vozes, gestos, sombras, folhas e musgo; um trabalho i

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  • Crônicas

    A minha pátria

    Quando escrevo sobre a minha pátria, eu fico confuso. Penso em tudo que amo e, ao mesmo tempo, penso em tudo que odeio. Quando escrevo sobre a minha pátria, sinto calor, arrepio, felicidade, dor, enjoo, sinto frio… Quando escrevo sobre a minha pátria, a palavra evidente é contradição! A minha pátria é o paraíso,

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  • Crônicas

    Crônica Burocrática

    A crônica começaria agora, mas é preciso antes que o leitor e o cronista paguem a taxa necessária ao andamento das crônicas. A TADC. Parágrafos são caros. Quando saem do mundo real então! Cada palavra tem seu preço tabelado. Cada figura de linguagem uma alíquota a mais. Por isso, cuidado com as vias! Uma para o leitor,

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  • Crônicas

    A crônica de todos nós

    A crônica tem todos os rostos: brancos, pretos, asiáticos e mais! A crônica tem todas as cores, odores e sabores que podemos imaginar! A crônica é, como diria o poeta, uma janela para o mar! A crônica tem todas as linguagens e gestos e sinais! A crônica é simplesmente a crônica. Assim leve como um sorriso, quente como

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  • Crônicas

    A nossa vida dos outros

    Queremos mais que uma vida. Queremos viver várias vidas. Desejamos ser piratas, mouros, cantores famosos, astros do cinema, reis e cavaleiros. Desejamos ser o outro e nunca nós mesmos. Não reparamos no espelho o nosso rosto… Em que espelho ficou perdida a minha face? Deixamos o tempo passar. Deixamos nossas coisa

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  • Crônicas

    Não existem mais heróis

    Não Existem mais heróis… Estes, ficaram em fotos, figuras coloridas ou desbotadas, ficaram nas páginas de um livro velho, ou então, são relembrados de maneira torpe e fragmentada por aqueles que contam histórias antigas, mas têm já uma memória vaga das coisas. Hoje, o tempo é de homens perversos. Tempos de perversidade

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  • Crônicas

    Equilibristas!

    Somos equilibristas! E fazemos isso com muita eficiência e profissionalismo! Não sabemos o tamanho da nossa força até que somos forçados, por circunstâncias várias, a viver a vida nas suas complexas contradições! Como não falar da vida e dos seus altos e baixos!? Na verdade, vivemos entre o riso e as lágrimas, o sol e

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  • Crônicas

    A vida pela janela

    Ver a vida pela janela! A janela de casa, com a rua e as pessoas que pintam o cenário de cada dia. Com suas cores e sons! Com seus dramas e tons! A janela do carro ou do ônibus e a velocidade de tudo o que se vê na cidade: placas, cartazes, rostos, histórias… Ver a vida pela janela! E ver, com a pressa dos urbanoides d

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  • Crônicas

    A razão da crônica

    Escrevo esta crônica pensando na razão de escrevê-la! Por que escrever uma crônica? De que me serve a crônica? Mas qual seria a razão de todas as crônicas? Dizem que a crônica é metida a besta porque ora é prosa, ora é poesia, ora é ensaio, ora não é nada… Dizem os estudiosos que a crônica é o testemunho de um tempo, o

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  • Crônicas

    Os Marçais e os tais

    Eles invadiram o Brasil! Na malandragem, na picaretagem, com suas falas instantâneas e posturas messiânicas, são virais! Destroem debates e cérebros e querem muito mais! Dividem o país já dividido, Entopem o sistema já entupido com suas porcarias e quinquilharias digitais!Eles são os Marçais!Têm, todos eles, algumas di

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  • Crônicas
    Mostrar a beleza do Rio de Janeiro através do portal Crônicas Cariocas

    Crônicas Cariocas: Voltamos

    Crônicas cariocas das ondas do mar. Rio, calçadão, agitação… Isso me faz pensar! Crônica capixaba, mineira, baiana.Crônica pernambucana, gaúcha, paraibana!Crônicas de todo lugar!Crônicas de vento,Crônicas de ar!Crônicas das montanhasE crônicas para confabular!E assim, desde 2006, o Crônicas Cariocas mostrou um Br

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