-
Falou e Disse
Sobre a retórica do humor
O humor se distingue da comicidade por estar na linguagem. Como tal, possui uma retórica, que orienta alguns dos procedimentos capazes de levar ao riso. Na comicidade, rimos da situação ou da figura física; um palhaço, com seu narigão e suas calças largas, é basicamente um cômico. Já no humor rimos do efeito surpreende
Leia mais » -
Falou e Disse
A ambiguidade é inimiga da clareza
Ambiguidade é a duplicidade de sentido. Ela pode se constituir num bom recurso expressivo, mas deve ser evitada quando compromete a clareza do texto. São ambíguos enunciados do tipo: — “Vivemos numa sociedade cuja aparência é mais importante do que a essência.” (o uso de “cujo” no lugar de “em que” dá a entender que a
Leia mais » -
Falou e Disse
A presença do óbvio
Ao escrever, deve-se em princípio fugir do óbvio. Nada irrita mais o leitor do que se deparar com informações que ele já conhece ou pode facilmente deduzir. Elas parece que estão no texto para “encher linguiça” e completar o número de linhas. O óbvio está para o conteúdo assim como o clichê está para a forma. É um luga
Leia mais » -
Falou e Disse
As cartas
Ela estranhou quando o carro parou em frente à sua casa tão cedo. Não costumava receber clientes naquela hora do dia. O homem que desceu do veículo tinha o semblante assustado e, ao vê-la no alpendre, lhe fez um aceno. Ela foi até o portão; antes de abrir, notou as olheiras de quem parecia não ter dormido. – Entre, mo
Leia mais » -
Falou e Disse
Pressupostos e subentendidos
Boa parte do que o texto significa não se mostra explicitamente. Quando escrevemos deixamos implícitas algumas informações, e cabe ao leitor completar as lacunas. Os implícitos são basicamente de dois tipos: pressupostos e subentendidos. Os pressupostos estão inscritos na língua; não há como fugir ao sentido que eles d
Leia mais » -
Falou e Disse
Conteste ideias, não pessoas
Muitas vezes, ao argumentar, o redator deve contestar um ponto de vista diferente do seu. É preciso cuidado ao fazer isso. Quando a opinião a ser contestada vai de encontro a valores ou crenças, ele corre o risco de deixar de lado as ideias e investir contra as pessoas. Um exemplo: numa redação
Leia mais » -
Falou e Disse
Evite o abuso do verbo “fazer”
— O que o músico faz em comum com o sapateiro? — Sola. No diálogo acima há um jogo de palavras que se apoia na homonímia da palavra “sola”. Ela é verbo e substantivo. Significa, no primeiro caso, o ato de “executar um canto ou solo”. E no segundo, a “sola do sapato”. O jogo de palavras só fo
Leia mais » -
Falou e Disse
Escrever é sobretudo comunicar
— Pai, o professor baixou a nota da minha redação porque usei “mormente” em vez de “sobretudo”. — Bem feito! Eu lhe disse para não sair desprotegido nesse tempo frio! Levei esse diálogo para a classe porque um aluno tinha usado “mormente” numa redação. Foi nesta passagem: “As manifestações que tomaram conta do Brasil d
Leia mais » -
Falou e Disse
A precisão dos clichês
Os manuais de redação dizem que escrever bem é evitar lugares-comuns. Nada compromete mais o estilo do que o uso de expressões batidas, do feijão com arroz linguístico, que nada acrescenta à expressão. Mas não é fácil fugir ao clichê (acabei de usar um no período anterior: “feijão com arroz”). Por que é tão difícil esc
Leia mais » -
Falou e Disse
Amor canino
A expressão “vida de cachorro” precisa ser atualizada. Antigamente, era sinônimo de desprezo e abandono. Viver como um cão era dormir ao relento, comer sobras de refeições, levar vez por outra uns pontapés. Hoje, traduz um cuidado e uma abastança que muitos humanos não têm. O excesso de zelo com esses bichos tem chegad
Leia mais »









