Autores
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set- 2024 -23 setembro
Crônicas Cariocas 18 anos
Depois de um ano sabático, o Crônicas Cariocas retorna, rejuvenescido, para comemorar com seus colaboradores, colunistas e seguidores dezoito anos de existência voltados à divulgação da cultura e dos autores nacionais. Vamos, juntos, para torná-lo cada vez mais um ponto de encontro de talentos da literatura.
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23 setembro
Fazer a coisa
Assim que entrou em casa de volta do trabalho, encontrou seu marido pendurado pelo pescoço na viga do teto, bem no meio da sala. Analisou a cena por dois minutos, tentando entender o que acontecia. Viu quando ele, arrependido do gesto impensado e louco, apontou para a corda que o sustentava, querendo dizer algo sem conseguir, a garganta fechada pelo nó. Esperou mais três minutos antes de ir à cozinha, calçar um par de luvas e voltar com uma faca na mão. Se
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out- 2022 -16 outubro
Labuta de um quase concurseiro
Joguei meus cadernos no lixo três semanas antes de saber que o concurso ia sair. Foram dois anos estudando, minguando as horas de sono e deixando o lazer para depois. Fumava uma carteira de cigarros por dia e isso era toda a minha diversão. O restante do tempo, ou trabalhava na loja ou estudava. Alguns amigos com quem saía me abandonaram, parece que desertei da vida ou virei um alienígena. Se pensar bem, no nosso país, quase todo mundo que estuda a sério é
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jan- 2022 -4 janeiro
O vaticínio
Um pouco de tradição e nostalgia guarda o que há tempos foi um clássico do futebol carioca: Flamengo x Bangu. Lembrando que craques como Zizinho, Domingos da Guia e Zózimo já vestiram a camisa dos dois clubes. O primeiro título do Flamengo no Maracanã foi em cima do Bangu, o Torneio Início (aquele do jogo em 15 minutos e no final a disputa por pênaltis) de 1950. Embora na estreia do Flamengo no estádio, o Bangu tenha vencido por inacreditáveis 6×0
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mar- 2007 -24 março
A Quarta Dimensão
Levantei da cama. Pela janela do quarto do hotel antigo vejo a madrugada nas luzes insones da cidade. Sei onde estou, mas isto não tem nome. Estou que não mais sei. Entre lençóis ela, a mulher de bruços, adormecida de mim e sou seu silêncio. As palavras que trocamos nos toques de nossos gestos sexuais ainda ressoam seu cheiro íntimo. É o som do desejo, você conhece? O lobo já se precipita nos meus pés crescidos. Lembro, antes que ele me domine todo o corpo
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ago- 2006 -5 agosto
Um pouco de felicidade
Particularmente, eu gosto da Praça Mauá. Passo por ela quase todos os dias, indo ou voltando do trabalho. O trânsito é estressante, as pessoas se esquivam sem se olhar, e ainda assim me agrada. De manhã, o corre-corre assusta: passos apressados, buzinas impacientes, motoristas malcriados. Afinal, ali começa a Avenida Rio Branco, a mais movimentada do centro do Rio de Janeiro. Mas eu gosto. Gosto de saber que, no meio do caos, ainda sobrevive um restinho de
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fev- 2006 -25 fevereiro
Sal ou doce? — Biscoito Globo, quem vai?
Foi esse o chavão que aprendi a escutar nos sinais de trânsito e nos pontos de ônibus cariocas desde que cheguei ao Rio, lá nos anos de 1990. Mas a verdade é que o Globo já caminhava pelas ruas muito antes de mim. Mais de quarenta anos de história, embalagens imutáveis, sabor cristalizado no tempo — como se fosse um pacto silencioso com a cidade. As rosquinhas de polvilho, crocantes e viciantes, custavam quase nada: um ou dois reais. Mas quem come uma nunc
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