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fev- 2025 -21 fevereiro
Errata celeste
Os que acreditam na influência dos astros em suas vidas devem ter ficado chateados com Parke Kunkle, professor de uma instituição americana. Segundo ele, “está errada a interpretação dos movimentos celestes usada pela astrologia para determinar os signos de acordo com a data do nascimento das pessoas”. Isso porque os mapas astrológicos, produzidos 3.000 anos atrás, estariam há muito defasados. Com a mudança no posicionamento do eixo da Terra, uma pessoa qu
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20 fevereiro
Porque a escola não é só a classe!
O neurocientista Miguel Nicolelis publicou o livro “O verdadeiro criador de tudo”, onde tratou sobre aquilo que são as criações do cérebro humano (dinheiro, religião, ideologia, entre outras). Esse órgão que deveria ser o centro do universo, desenhou nossa existência e se mantém evoluindo num caminho adverso e sem volta. Como não somos máquinas ou sistemas digitais, nosso sistema nervoso opera em um estado analógico muito oposto ao digit
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20 fevereiro
Carmen, a faxineira prática
Os familiares da morta explicam que querem a casa limpa o mais breve possível, já há um comprador interessado. O imóvel precisa virar dinheiro logo e ser dividido entre eles. Perguntam a Carmen se não tem medo de entrar sozinha na residência de uma defunta. Ela responde que deixou o medo lá na terra dela, depois da chacina que matou seu pai e seus irmãos. Que necessita trabalhar, que trabalha desde criança e que não escolhe serviço. Que gente morta não faz
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19 fevereiro
Sobre quando os negócios vão bem (ou nem tanto)
Não é novidade para ninguém: a Burrice está em alta. Tão em alta como nunca antes. Embora existam os alienados que afirmem o contrário, nenhum argumento contorna a verdade, mesmo sendo complexo e recheado de palavras bonitas, técnicas e pomposas. E a verdade é que a Burrice cresce rápido. E é moda. Correndo sério risco de extinção, a Inteligência tem se escondido nas vielas pouco movimentadas e andado, quando necessário, camuflada na multidão, de cabeça co
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17 fevereiro
#011 – Quando acordei do coma parece que entrei num pesadelo
Quando acordei do comaeu já não tinha maisa mobilidade de antes.Olhei para as paredesde vidro do isolamentoe já não tinha a mesma visãode antesa mesma audiçãode antes. O mundo parecia ser outro. Perna e braço direitosestavam paralisados,dormentes e um sonode letargia na noitefria com pedras de gelono peito, do ladoesquerdo, assim penso. O mundo já não era o mesmo. Dois dedos do pé esquerdohaviam sido afetadose minhas afeições epercepções já não eramas mesm
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16 fevereiro
Chapéu revelador
Gosto muito de usar chapéus, tanto no verão como no inverno, mas nunca me preocupei em destrinchar o significado dessa minha predileção. Depois do evento em que Melania Trump apareceu com um chapéu cobrindo os olhos e gerou uma série de interpretações sobre o significado dessa escolha, passei a pensar um pouco mais sobre o assunto. Se for analisar esse meu gosto por cobrir a cabeça sob um ponto de vista racional, os chapéus de feltro que adoto no inverno p
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16 fevereiro
A magia nos persegue (Ou será o contrário?)
Alguns de nossos antepassados adoravam o sol, outros atribuíam almas a objetos inanimados. Se você acha que está muito acima disso, é melhor pensar duas vezes: o pensamento mágico nunca saiu de moda. A tecnologia muda cada vez mais depressa, mas a natureza humana muda lentamente – se é que muda. Afirmamos que o verdadeiro poder está na fé, no entanto insistimos em dialogar com símbolos. Conversamos com medalhinhas e imagens mesmo sabendo não passam de arte
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16 fevereiro
O BALÃO E O MENINO
Esta é a história de um menino. Não sei o seu nome. Entre tantos meninos que vivem nas ruas, embrulhados pela fumaça dos carros, continuam caminhando. Um menino, um sonho e algumas palavras. Esse menino sonhava com um balão, mas não um balão qualquer, um balão comum. Um balão que revelasse o tamanho do mundo, que mostrasse, do alto das nuvens, a paisagem perfeita. E tudo poderia ver e sentir e imaginar. Um balão que levasse toda a tristeza embora. Balão no
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15 fevereiro
MARCHINHA
“O teu cabelo não nega, mulata, porque és mulata na cor. Mas como a cor não pega, mulata, mulata, eu quero o teu amor” (Lamartine Babo, Irmãos Valença) A marchinha de Carnaval faz parte da história da música brasileira e, por mais surpreendente que pareça, é mais antiga que o samba. Quando Donga registrou sua composição “Pelo Telefone”, oficialmente considerado o primeiro samba da história, a marchinha “Ô Abre Alas” (de 1899), de autoria da maestrina Chiqu
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15 fevereiro
A Pauta
A pauta está em alta. E, por favor, caros leitores, puxem bem o L para não parecer que estou fazendo uma rima… Hoje, a frase da moda é: “Essa é a pauta” ou “Não é essa a pauta?” Os adjetivos, substantivos e tudo o mais que aprendemos nas aulas gramaticais estão praticamente reduzidos a frases e expressões prontas. As conversas estão fora de moda? Longas e gostosas conversas, em que há respeito aos pontos de vista divergentes; em que seja possível
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15 fevereiro
Sobre não saber
Chegou a hora de escolher o esmalte a ser usado amanhã para o ensaio técnico da minha escola de samba, a verde e branco, Imperatriz Leopoldinense. Parece uma questão tosca, sem relevância social, mas para mim não é. Imagino, inclusive, que para vocês, leitores, seja uma situação desprezível, o que não diminui o poder de impacto da maldita dúvida no meu dia: verde-claro com glitter ou verde-bandeira? Postei a questão no grupo de amigas do zapp. “Escolha qua
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14 fevereiro
Notas para um jovem professor
Meu prezado aprendiz. Deixo esses apontamentos na esperança de tornar sua jornada pelo magistério mais suave. Você sabe e eu sei que isso é impossível. Mas enganar a si mesmo é um dos passatempos dos viventes e eu, eventualmente, o pratico sem pudor quando a causa me interessa. Portanto, preste atenção que seu sucesso na carreira acadêmica pode depender de seguir ou não meus venerandos conselhos. Quando 50 pares de olhos apontarem na sua direção não faça m
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14 fevereiro
Andarilho urbano
Já fui um adepto da corrida. Comprei o livro de Kenneth Cooper e o li com aplicação, procurando seguir seus conselhos para melhorar a capacidade cardiorrespiratória e ganhar mais anos de vida. Costumava acordar cedo para trotar cinco ou mais quilômetros na calçadinha da praia. Quando cursava pós-graduação no Rio participei da corrida Leblon-Leme e não fiz feio, embora terminasse o percurso esbofado como um touro de arena antes do golpe fatal. A corrida se
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13 fevereiro
Nosso espelho franco e claro!
A desesperança dói e prejudica nossos rumos quase sempre que escolhemos sozinhos um caminho tortuoso, que torna-se um entrave para novos planos e projetos, passíveis de execução entre o antes e o depois do infinito. O ser humano descobre sua própria diversão quando essa lhe é retirada, por isso o desmame de uma colaboração mental ou financeira, a busca de solução para nossos problemas, traz uma oportunidade no pensar em si com mais esforço e dedicação, na
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13 fevereiro
Silenciosa
Toda noite uma mulher atravessa minha casa por dentro. Passa pela sala, alcança o corredor e sai pelo terraço dos fundos. Pede desculpas assim que me vê, diz que este é o seu caminho até o trabalho e que não conhece nenhum outro. Com o tempo me acostumei com sua presença. Ela é linda, e nem em sonho vi mulher igual. Espero-a todas as noites, e todas as noites ela vem. Algumas vezes cheguei a pedir que fizesse uma pausa e gastasse uns minutos comigo. Poderí
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10 fevereiro
#10 – TECNO-POEMA
. – Fala o poeta de vanguarda: A estrutura do verso está invertida em meu caleidoscópio. Preciso de uma máquina rápida e perfeita para fazer uma circuncisão mental: “Quero que a estrofe gravada ao jeito do vídeo cassete saia nítida, sem um defeito”. – Fala a crítica especializada: A infraestrutura do verso está evoluída em meu laboratório. Preciso de um computador rarefeito e sem defeito para efeito de análise poética: “O crítico é um digitador, digita tão
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9 fevereiro
Chuvas de verão: esquetes de improviso urbanos
Chove. Uma menina corre em meio aos paralelepípedos e às gotas jovens, excitadas e insistentes. Usa um vestido branco curto, melissas azuis nos pés e cabelos longos e soltos. Corre sorrindo e dizendo “chuva, Pascal, chuva! Casa! Chuva, Pascal, vamos!”, e um chow-chow com sua intrépida lingua roxa reúne todas as forças – de onde, não se sabe; talvez do instinto, talvez da ligação afetiva com a sua humana; mais provável a associação do coma
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9 fevereiro
Anônimo
A cena do interrogatório de Eunice Paiva no filme Ainda Estou Aqui provocou um clarão em minha memória, como se estivesse ainda sob efeito do medo das denúncias que ocorriam no período, entre amigos, colegas e mesmo parentes. Qualquer comentário que fugisse ao discurso aceito pela ditadura poderia ser motivo para delação. Ato contínuo, o encarceramento para averiguação, que resultaria no desaparecimento e morte de alguém cujo crime fora somente o de se opo
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8 fevereiro
Folga
Uma empresa chinesa criou, recentemente, a licença infelicidade. Cada funcionário, ao longo do ano, tem direito de faltar ao serviço, por um período de até dez dias, caso se sinta triste, irritado, angustiado ou infeliz. De primeira, questionei a ingenuidade da proposta. Como eles não desconfiam das artimanhas da procrastinação? Eu, sem dúvida, anualmente, seria acometida por uma certa tristeza, às segundas e sextas. Naqueles dias de sol em que os infelize
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8 fevereiro
O teatrólogo e o apresentador de tv
Qual elo poderia unir duas figuras tão distintas quanto o teatrólogo Zé Celso (1937 – 2023) e o apresentador Sílvio Santos (1930 – 2024)? Agitador cultural, artista libertário, inovador, ousado, Zé Celso Martinez Corrêa dedicou sua vida às artes cênicas e a difundir cultura para esse país tão carente, um sujeito transgressor e revolucionário que jamais se submeteu aos padrões estabelecidos, tendo batido de frente com a ditadura. Faleceu bestame
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7 fevereiro
Videomakers ou a arte de surpreender seu pai (mais uma vez)
Minha competente editora me manda um recado por escrito: tu precisas fazer um vídeo promocional do teu livro para jogarmos no Tik Tok. Ela é gaúcha, do Alegrete, e com gente da fronteira não se brinca. Se ela disse “tu precisas” é porque nem quero pensar o que pode me acontecer se não o fizer. Me aprumei decidido a cumprir a tarefa. Peguei o celular, olhei para ele e ele para mim. E nada. Fiz uma careta pensativa imaginando como fazer o vídeo. Ante o vasto
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7 fevereiro
A cinta
Trinta anos de casamento, Nicanor pensou em fazer uma surpresa à mulher: – Que tal a gente voltar ao motel em que dormimos juntos pela primeira vez? – Motel?! Que ideia! – Por que não? Vai ser gostoso relembrar a sensação daquele encontro. Tanto insistiu, que Matilde terminou concordando. Meio a contragosto, é certo, mas não custava satisfazer esse capricho do marido, que ainda veio com outro: – Você podia vestir aquela cinta vermelha… Lembra? A mulh
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6 fevereiro
Obra aberta a ser reeditada!
A experiência de Nietzsche com seus aforismos em relação à utilização da linguagem como produtora de verdades, esclarece que os benefícios de um banho de banheira com água fria não deve ser evitado, e que devemos entrar e sair rapidamente, porque saímos modificados com o choque da temperatura, sem necessidade de se aprofundar. Os inimigos da água fria não recomendam essa experiência, porém, o frio pode tornar veloz seu pensamento. Por vezes o desejo
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6 fevereiro
Os dedos de fogo de Angústias
Angústias é uma menina com dedos de fogo e por isso é uma menina triste. Tudo o que toca arde. Vive longe do mar, num lugar parecido a um deserto, mas muito frio, com terra avermelhada como tingida de sangue. Pouco chove ali e, quando isso acontece, a terra se transforma num espelho e lança brilhos que chegam às nuvens. Só em ocasiões assim Angústias fica feliz, chora de alegria e passa horas admirando as poças d’água, tocando-as com a ponta dos dedos que,
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5 fevereiro
Alegoria do pitaco
Diria o maluco que cada um tem sua loucura. Uma das minhas é ler crítica literária. Mesmo quando espremido num cotidiano atribulado, um artigo de quatro ou cinco páginas sempre encontra uma brechinha entre canecas de café. E desde muito tenho essa mania. Outra louquice é inventar desafios relacionados à leitura. O último é ler os treze (ou quatorze?) volumes do compêndio intitulado Pontos de Vista, contendo cinquenta anos de críticas literárias do Wilson M
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4 fevereiro
Rosa, verde e rosa
Rosa. Apenas Rosa. Nascida e criada na Estação Primeira de Mangueira. Primeira estação do trem e do seu coração. Rosa ganhou esse nome por duas paixões do seu pai. O samba de Cartola e a Mangueira. Rosa nasceu em 1980, ano em que Cartola morreu e seu pai resolveu lhe prestar essa homenagem. Ele assobiava “As rosas não falam”, quando se lembrava da mulher, que havia lhe abandonado alguns anos após Rosa ter nascido. Dizem que sua mãe era uma mulher linda, so
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3 fevereiro
#09 – EXPURGO
hoje eu mordium chumaço depapel higiênicopara estancar(ou tentar conter)o sangramentoda língua dilacerada:como um cadáverantecipado que devorao seu próprio sudário. Um Andarilho Dentro de Casa
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2 fevereiro
Nada será como antes
Olhei para o bolo de chocolate com aquela cobertura de brigadeiro escorrendo pelos cantos. Peguei um prato e já ia me servindo, quando fui assaltada por um pensamento aterrorizante — esse é o último pedaço. Uma sensação de finitude me invadiu; como liquidar essa fatia que ainda pode durar até amanhã? Não, não posso fazer isso, vou dividir para ela durar mais. E, assim, fui me satisfazendo com uma terça-parte da delícia, até que não restasse nada além de mi
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2 fevereiro
Anotações sobre rotina e/ou fim do mundo
Existe um filme premiado em Cannes que conta, de forma incrivelmente poética, o fim do mundo. Sob a perspectiva de choque entre dois corpos celestes, sendo um, a Terra e ‘Melancolia’, o nome do outro, o evento é uma dança de aproximação e afastamento, de medos e alívios, de insanidade e lucidez, tudo acontecendo a uma velocidade intangível, em que nós mesmos nos aproximamos e nos afastamos internamente. Detemo-nos nas consequências, ao passo qu
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2 fevereiro
O NEVOEIRO
Metáfora. Figura de Linguagem que consiste em comparar dois ou mais elementos de forma indireta. Conforme o dicionário, a metáfora nos presta este favor. Aliás, um grande favor! Sem a metáfora, a imagem do que falamos ou escrevemos não teria a mesma expressividade! Aqui, nestes rascunhos e esboços de um tempo, a metáfora nos serve como uma imagem de alerta, de reflexão e, por que não, de perplexidade! Como podemos ignorar o óbvio? Outro ponto importante a
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