Crônicas

  • out- 2024 -
    31 outubro

    Mês da História da Mulher!

    Lutar por causas importantes tornam pessoas desenvolvidas e preocupadas com o futuro de todos. Pensamentos racistas, homofóbicos, xenofóbicos, sexistas, misóginos, mantém mentes e comportamentos presos ao Renascimento. Por isso movimentos como o racismo e a misoginia seguem seu próprio código civil descrito na idade média, ou seja, sem sentido em nosso tempo que tem sede de respeito, que deseja se manter moderno e intelectualizado, desenvolvido para o

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  • 30 outubro

    Os signos da crítica

    Costumo ler em voz alta quando estou em casa. Peguei esse hábito da minha mãe, que todo sábado à tarde distribuía na mesa da sala uma penca de cadernos e livros para corrigir trabalhos, ler e reler textos, planejar as aulas da semana seguinte, tudo em alto e bom tom. Uma resma de folhas em branco e o mimeógrafo aguardavam na estante, ali ao lado. Eu podia destruir a casa desde que não relasse naquela mesa. Trinta anos depois, não temos um mimeógrafo e nem

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  • 27 outubro

    Nunca iguais, revisitadas

    Assim como as folhas altas nas copas das árvores balançam com o prenúncio de intensas chuvas… tal qual o som de passos ligeiros em direção a um compromisso que estar por iniciar… ou ainda a terceira badalada de uma campainha teatral que, após outras duas de igual duração, alerta os desavisados de que o espetáculo se iniciará, assim é a vida dos recomeços. Nunca iguais, revisitados. E entre tantos reinícios em minha vida ao longo deste último an

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  • 27 outubro

    A vida pela janela

    Ver a vida pela janela! A janela de casa, com a rua e as pessoas que pintam o cenário de cada dia. Com suas cores e sons! Com seus dramas e tons! A janela do carro ou do ônibus e a velocidade de tudo o que se vê na cidade: placas, cartazes, rostos, histórias… Ver a vida pela janela! E ver, com a pressa dos urbanoides de plantão, num frenesi e caos que não dão a certeza de nada. Ou ver, com a calma do poeta, com a atenção para todos os lados e lugares, sabo

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  • 27 outubro

    O lixo que não é lixo

    Se você fosse responsável pela limpeza de um local e encontrasse duas latas de cerveja amassadas no chão, decerto as recolheria para jogar no lixo. De agora em diante pense duas vezes: isso aconteceu com um funcionário zeloso em um museu de Amsterdã, porém as tais latas eram uma obra de arte propositalmente deixada no chão de um elevador já que o museu acredita que a arte deve ocupar todos os espaços, inclusive os mais inesperados. O erro foi descoberto a

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  • 26 outubro

    Recado ao senhor 903, 1003 e 2024

    A aula teve início com a seguinte frase: o texto que vamos trabalhar hoje é muito conhecido. Com certeza, todos vocês já leram. Antes mesmo de descobrir que eu estava na contramão das certezas, jamais tinha lido tal texto. Me indaguei a respeito do propósito dessa afirmativa. Ela não tem nenhuma utilidade para quem endossa a fila dos aplicados (a não ser que ofereçam uma estrelinha dourada) e, ao mesmo tempo, causa grande desconforto/culpa em quem não acom

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  • 24 outubro

    K-Pop apresenta Tom Jobim

    Respeito muito a ideia de que cada geração tem sua música. Nem sempre concordo com o que é tocado, já vou avisando. Mas respeito. Em outro momento, volto a falar sobre música geracional, mas confesso que meu respeito é movido menos por qualquer elevação espiritual e mais pelo medo de ser apedrejado em praça pública. A execração na ágora me arrepia; ser apontado nas ruas é meu pior pesadelo. Mas, voltando ao que interessa: a música, e não as minhas fobias.

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  • 24 outubro

    Mesmo instante fugaz!

    Especialistas e pensadores debatem quais são os dilemas acerca da passagem dos anos. O documentário “Quantos dias. Quantas noites” abraça a conexão humana com a idade e o tempo desde o aumento da expectativa de vida até as desigualdades que envolvem esse tema.  O longa de Maria Farinha Filmes, dirigido por Cacau Rhoden, realiza um profundo mergulho nos propósitos de nossa existência no planeta, e lhe faz refletir o que realmente tem v

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  • 22 outubro

    À Criança

    Não deixei de brincar pelo medo de cair, nem de sorrir depois de receber um “carão”. Não deixei de assistir a desenhos por perceber que estava perdendo tempo em frente à TV. Não deixei de falar com meus pais sobre como foi meu dia, mesmo que para eles fosse apenas um dia qualquer. Não deixei de me enturmar, mesmo percebendo que não era bem-vinda. Criança não tem filtro. Por vezes, ouvimos que as crianças são páginas em branco que precisam ser p

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  • 22 outubro

    Voltemos

    Em 2023, o Crônicas Cariocas tirou um período sabático. No mesmo ano, praticamente no mesmo período, foi a minha vez, o momento de – mergulhado (ou afogado mesmo) em outras páginas da vida – me distanciar um pouco dos periódicos. Como um legítimo casal, demos uma pausa e saímos juntos para o recesso. Porém, o tempo passa e é necessário calçar a botina outra vez. Em nova situação, retorno à cronicidade que estava de férias e da qual sentia falta. E, tenho c

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  • 19 outubro

    Nós que aqui estamos…

    Está se aproximando o Halloween e, com ele, o momento de brincar com algo que nos assusta. Mesmo que não se leve nada a sério, entrar na brincadeira, se fantasiar, é ter contato com figuras fantasmagóricas, com o objetivo de causar medo. Assumir a identidade dessas criaturas é uma forma lúdica de extravasar a face maligna que, de certa forma, está presente em todos nós. Aquele território obscuro do mal que nos habita. Me chama a atenção que as representaçõ

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  • 19 outubro

    A inveja é um sentimento que brota

    Alguns acontecimentos recentes me despertaram para algo que suspeito faz tempo: a sorte tem seus escolhidos. Por mais que não haja um processo claro e justo para esse favoritismo, ele acontece ali diante dos nossos olhos. É como assistir seu irmão ganhar de presente de Natal um carro elétrico e você um lindo pijama florido de flanela. A diferença é gritante, a revolta é muda, a raiva, efervescente; e uma pergunta que sobe pelas paredes: por quê? Por quê? A

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  • 17 outubro

    Lasanha

    E a lasanha deu certo. Sim, confesso que por um momento eu duvidei que o resultado final ficaria bom. Minha filha decidiu fazer sua receita a partir de outra receita. Explico. Começou com o pedido dela para fazer lasanha. Cantei de felicidade. Concordei que ela deveria fazer diferente da que a avó faz, claro. E fui em busca da receita. Ela leu e disse que queria fazer do jeito dela. Engoli em seco e perguntei do que se tratava. Não queria presunto. Tudo be

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  • 16 outubro

    O hambúrguer e o pós-estruturalismo publicitário

    Lavava o banheiro num sábado à tarde ouvindo um quilométrico solo do Zakk Wylde quando uma propaganda em volume absurdo atravessou a música anunciando a inauguração da mais nova hamburgueria da cidade, naquela noite, com diversas atrações e um precinho supimpa. Toda vez que isso acontece me culpo por não pagar uns míseros reais para matarem os anúncios do aplicativo. O susto faz qualquer pessoa prestar atenção naquela porcaria por alguns segundos, malditos

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  • 14 outubro

    Como vejo o mundo!

    Quem gosta de viver com a sombra dos outros é o cacau, cultivado em regiões com temperaturas superiores a 21ºC. O clima frio ainda prejudica a qualidade das sementes, por isso o plantio é recomendado em regiões mais úmidas e quentes. Como o cacaueiro necessita de arborização para ficar protegido dos raios solares, seu brilho e sua vida dependem muito da sombra que o protege. Viver dessa forma ou por vezes no escuro, não deveria ser motivo de desistência, a

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  • 13 outubro

    Deixe as quinas livres!

    Não é notório o peremptório pacto sobre formas de estrutura de quina nos guarda-corpos (popularmente ditos corrimãos). Deixemos que a liberdade flua por entre as forças físicas que o mantêm firme: deitemos por terra a quina, uma reta majestosamente anacrônica, que se vangloriza da sua sina – e importância ‘inforjável’(1). Estruturas… abalemo-nas! Libertemos os ângulos, para que sejam mais agudos ou obtusos aos olhos de um passante com tempo livre – cada ve

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  • 13 outubro

    Caminhos da Jordânia

    A Jordânia é quase toda um deserto de areia e pedras, mas definitivamente vale a pena visitá-la, em especial Petra. Por enquanto, coloque o país na sua lista de destinos a fundo perdido, já que as coisas por lá andam complicadas. Os conflitos da região são milenares e periódicos, assim como as tréguas. Espere uma oportunidade e acredite: é possível. No entanto, se você tiver que esperar até ficar velho demais, desista de Petra. Uma visita básica, sem explo

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  • 12 outubro

    Ao mestre com carinho

    Dia 15 de outubro sempre foi uma data importante para as crianças, momento de demonstrar o carinho por seus mestres. Para alguns a escolha é simples, pois com pouca imaginação podem comprar um presente convencional que certamente agradará. Não foi o caso de Lucas, não. Naquele ano, queria muito homenagear seu professor preferido, o de biologia. Um homem apaixonado pela profissão e que tinha uma vida bastante solitária depois da morte da esposa. Por esse mo

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  • 10 outubro
    10-10-2024 Panques por Fernando Neves by Crônicas Cariocas

    Panqueca

    Pai vamos fazer panqueca? A pergunta-convite me acendeu os olhos de alegria! Chequei se tinha tudo que ela precisava. Sim, nada faltava. Peguei um avental para cada um e fomos à cozinha. Estava radiante, afinal cozinharia com uma de minhas filhas. Prometi ser seu assistente. Abri o livro com a receita, ela se inclinou sobre a página, concentrada. Separou os ingredientes, testou os ovos (Não sabe como faz? Põe na água, se boiar joga fora). Se enrolou um pou

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  • 9 outubro

    A razão da crônica

    Escrevo esta crônica pensando na razão de escrevê-la! Por que escrever uma crônica? De que me serve a crônica? Mas qual seria a razão de todas as crônicas? Dizem que a crônica é metida a besta porque ora é prosa, ora é poesia, ora é ensaio, ora não é nada… Dizem os estudiosos que a crônica é o testemunho de um tempo, o registro dos homens e seus conflitos. Dizem ainda que a crônica é o texto do dia, da linguagem do dia, das questões do dia… Muitos concorda

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  • 8 outubro

    O tamanho de seu ressentimento!

    O ressentimento nasce dentro da culpa que o indivíduo criou, em detrimento de algo que alguém pretensiosamente provocou para chegar em sua condição atual inaceitável. O mais difícil é entender porque isso não passa. A versão provável desse drama é a de que essa queixa se mantém porque ele terá que assumir que foi ele quem fracassou em algum momento, e não os outros que provocaram o problema. A pintora Maud Lewis, foi retratada no filme ̶

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  • 5 outubro

    Relações fluidas

    Situationships, termo que entrou na moda por volta de 2017, vem ganhando cada vez mais espaço nos últimos anos. Ele se refere a relações que se baseiam em uma conexão emocional sem compromissos ou planos, sem rótulos. O termo se tornou popular a partir do crescimento dos aplicativos de relacionamento, que introduziram o conceito de match. No entanto, esse tipo de conexão vai além de uma simples “ficada” ou encontro casual, pois existe uma ligaç

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  • 3 outubro

    Sem grilhões

    Li agora a pouco, cinco minutos dentro do dia 1º de outubro, que ninguém pode ser preso no Brasil. Calma, não foi instituído nenhum perdão antecipado para crimes e criminosos e muito menos entramos no estado do “vale-tudo”. É só efeito da legislação eleitoral, cujos detalhes não sei nem conferi e se você que me lê estiver muito curioso vai lá e pesquisa, combinado? Porque o assunto aqui é outro. Bom seria se pudéssemos nos livrar dos grilhões antecipadamen

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  • 2 outubro

    Baixo retrato

    Sou Cassionei Niches Petry, 45 anos (com corpinho de 44 e meio), trabalho como professor, pois nenhuma outra profissão me aceitou. Cabelos: ainda tenho, começando a rarear e clarear. Altura: alguma coisa entre 1,60m e 1,69m. Peso: entre 1kg e 105kg. Uso óculos de lentes grossas (que aumentam consideravelmente os números da balança), tenho miopia e um pouco de astigmatismo, os graus eu não lembro e não encontro a receita do oftalmologista, que ainda por cim

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  • 2 outubro

    Empolgação mata

    Os primeiros duzentos metros foram tranquilos, com exceção do tênis apertado e da provável gestação de uma bolha no calcanhar. Também apareceu a taquicardia, a omissão do fôlego e o arranhar dos joelhos, mas estava tudo bem. Só depois, talvez na casa dos trezentos, brotou-me a desconfortável memória muscular de uma distensão na virilha. A caminhada até lá foi uma tentação. Afinal, por qual motivo haveria tantas barraquinhas de cachorro-quente, sorveterias

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  • set- 2024 -
    30 setembro

    A falta da falta!

    Qual é o tamanho de seu universo, onde se encontram os que você se relaciona e mantém a memória de seus antepassados. Ele cabe em sua gaiola mental que demonstra a frágil tentação em imaginar uma possibilidade de liberdade. Por vezes, nos faz ter medo em avançar para novos rumos, mas que durante o caminho em verdade voz digo, a única coisa que devemos temer é o próprio medo. Assim surgem expressões no rosto como símbolo de uma trajetória, e como o tempo é

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  • 25 setembro

    Os Marçais e os tais

    Eles invadiram o Brasil! Na malandragem, na picaretagem, com suas falas instantâneas e posturas messiânicas, são virais! Destroem debates e cérebros e querem muito mais! Dividem o país já dividido, Entopem o sistema já entupido com suas porcarias e quinquilharias digitais!Eles são os Marçais!Têm, todos eles, algumas diferenças, mas, no fundo, são iguais:Egoístas, egolatras, estúpidos e fenomenais!Fenômenos nas bizarrices, nas idiotices, nas fanfarronices e

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  • 24 setembro

    Acordei…

    Felícia se achegou ronronando, olhei o visor do celular e apenas passei a mão nela, a minha gata amiga e companheira.  Nem a olhei, não era hora de comer e, se ela tem os truques dela, eu também desenvolvi os meus. A convivência, a rotina faz dessas coisas. Eu e ela não brigamos, nem criamos traumas.  O que não é comum entre pessoas, ah não! Como assim? Ora, se não há conflitos, os experts em palestras, cursos, imersões e demais produtos para des

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  • 24 setembro

    Montanha pedregosa!

    Estamos passando como o tempo, deslizando semelhante à água em recantos brumados, serenos e constantes. Nossos corpos não são mais como há alguns anos, porque se esgotou a textura, a firmeza e os sonhos. Muitos deles se apagaram com o chegar de noites duras e críticas, nem sempre fáceis de encontrar soluções e que frequentemente batem em nossas portas. Que caminho você escolheu para hoje onde aparece um novo dia, apesar da amargura de ontem, apesar da nova

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  • 23 setembro

    Encontro de ponteiros

    Desde pequena ouço dizer que tudo na vida tem seu tempo. Não que eu duvide dessa afirmativa, mas me causa profunda irritação o fato de que nós (eu e o tempo) temos ritmos, velocidades, cadências e interesses distintos. Pelo menos, no que diz respeito às minhas expectativas, o mocinho sempre se mostra desatento, desorganizado e procrastinador. Não importa se tenho pressa de saber o resultado de uma prova ou entrevista, de receber uma ligação importante ou o

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