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  • jul- 2025 -
    17 julho

    Tempo da mudança de atitude!

    Possuo muitas bibliotecas perdidas em sonhos, que descrevem experiências vividas. Não lembro de alguns detalhes saborosos de minha infância, mas recordo que meus pais me deram muito amor e carinho, que eu gostaria de rever em meus olhos, tocar novamente aquela risada longa e espontânea, recheada de sorriso e abraço. Quando fui a escola pela primeira vez, senti muita vontade de ficar mais tempo com os amigos, porque aquela era a melhor parte da aula, encont

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  • 17 julho

    Agora não é hora

    Agora não é hora, e peço que não me perguntem quando e como aconteceu. Se fazia frio ou calor, se a lua estava cheia girando no céu ou, ao contrário, se havia nuvens se juntando para a conspiração da chuva, se a cidade estava tranquila ou era o formigueiro habitual de cotovelos se chocando, se os pássaros gloriosos de Harold e Maude singravam a amplidão ou se havia quietude no firmamento, se os carros tiravam faíscas do chão ou se o asfalto dormia seu silê

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  • 15 julho

    A VINGANÇA DO LAPTOP**

    *— Quando a tecnologia resolve mostrar quem manda (e vira protagonista da reunião) O relógio marcava 14h30 e ele estava numa reunião remota de marketing da Agência Pixel & Café*, com o chefe, as meninas do RH, as estagiárias… e até o Padre Marcelo, convidado para “abençoar” o projeto. O computador, num surto de rebeldia, começou a travar: reiniciava sozinho no auge da reunião, desligava sem aviso e exibia um “fantasma” na tela, como aqueles velhos tele

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  • 13 julho

    “Felicidade se acha em horinhas de descuido”

    Foi o Guimarães quem disse. O Rosa, que não é flor, tampouco cor. Ele disse, eu refleti. Me perdi nas horas, horas longas e não pequeninas, que atravessaram meu corpo, minhas ideias e minhas versões, desde o nascimento. Me descuidei, por um fio, horas a fio, fios de cabelos que ainda não embranqueceram. E foi neste descuido, chamado felicidade, que os fios de meus cabelos foram abraçados, silenciosa, vigorosa e funcionalmente por uma piranha cor-de-rosa. N

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  • 13 julho

    Aroma, meu guia

    Em outra vida, tenho certeza, fui um Bloodhound — aquele cão de faro imbatível, dono de 300 milhões de receptores olfativos. Os humanos comuns (não me incluo) mal chegam a 5 milhões. Sinto odores há quilômetros de distância, tanto os que me encantam como aqueles que me nocauteiam. Devo confessar que esse super olfato me leva a escolher locais pelo cheiro – sim! Lojas com cheiro de marca me seduzem: entro, respiro fundo, e saio com algo que nem queria, só p

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  • 13 julho

    A pedra do caminho pode ser um trampolim

    Hoje minha intenção era escrever sobre as mil vestes do amor. O interesse pelo tema surgiu a partir de uma conversa entre amigas. Falávamos sobre as possibilidades e particularidades das relações amorosas na fluidez da modernidade: amor livre, relações abertas, trisal, entre outros. Acontece que, como já nos alertava Drummond, no meio do caminho tinha uma pedra. De minha parte, acrescento que a pedra é estadunidense. Ao chutá-la, perdi o foco, o intento e

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  • 13 julho

    Semente, Flor e Fruto

    Nossos pais são os nossos educadores natos e a escola nos ensina a ler, ter cultura, cidadania, socializar. Esse é o pequeno mundo das crianças.  Já a literatura distrai, ensina e forma a pessoa que nos tornamos. Ler amplia o horizonte; sem sair de casa interagimos com pessoas diversas, conhecemos países e outros continentes, somos colocados frente a frente com dilemas, vivências e exemplos de vida.  Ao elaborar questões existenciais, vivenciar a

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  • 10 julho

    O velho piano

    Com as costas curvadas e as mãos apoiadas nos joelhos, o velho Amadeu contabilizou o produto de sua semeadura: recolheu duas cenouras que tinham brotado no meio das alfaces e das couves. Gostou da surpresa. Analisou e viu que as cenouras eram boas. Preparou e comeu uma salada fresca no almoço. No mesmo dia, resolveu experimentar algo novo: plantou no meio das abobrinhas uma flauta, um violino, duas partituras de Bach e um Dó Maior. Cobriu tudo com muito cu

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  • 10 julho

    Deuses, sábios e poetas!

    Você consegue imaginar o momento onde nossa raça planetária está a minutos do apocalipse, e que um relógio marca esse tempo em detalhes sórdidos para te enlouquecer? Pois esse cuco marcador de nossos últimos dias existe, se chama Relógio do Juízo Final, ou Relógio do Apocalipse, em inglês Doomsday Clock, que nada mais é do que um marcador simbólico, mantido desde 1947 pelo comitê da organização, Boletim dos Cientistas Atômicos, da Universidade de Chicago,

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  • 9 julho

    De quando quase encontrei Givanildo Carmelino de Abreu Vasques

    Quando acabou a aula de química industrial, fui ao food truck mais frequentado dos arredores da faculdade. O cachorro-quente daquele lugar era tão conhecido quanto o seu Jacinto e a dona Cesárea, seu Jajá e dona Cesinha, para os íntimos. Nunca houve um food truck tão falado na cidade. Se não me engano, o seu Jajá foi até candidato a vereador uma vez, mas não se elegeu. Uma lástima, no fim das contas, pois se na câmara ele trabalhasse com a mesma destreza c

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  • 8 julho

    Postei que me amo, mas o Wi-Fi não curtiu

    Sabe aquele dia que a gente acorda meio piegas, sentimental demais, como se tivesse engolido um coach motivacional junto com o café? Se nunca acordou assim, por favor, me indique o remédio, porque eu sou refém dessas crises. Pois foi numa segunda-feira dessas que eu acordei cafona demais, abri o Facebook e vi a clássica pergunta: “O que você está pensando?” Sem pensar muito, mandei logo: “Eu ando me escolhendo todos os dias, mesmo quando pareço a pior opçã

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  • 7 julho

    Poema #05: Procura dos sentidos

    Terminantemente cego pelo brilho da sua voz,custei a compreender que o farol era oco.Lançam-se às ondas os que não veem.Os olhos,mal acostumados à claridade nua,não distinguem o contorno do timbre que os feriu.Perfil de muitos rostosou nenhum. Vem de lá o jogral que arranha os ouvidos.As letras,maiúsculas e resolutas,marcham e cantamcantam e marchamem fileiras que se entrelaçam e colidem até se emaranhar em mil espinhosaptos a ensurdecer o toque.O ruído da

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  • 7 julho

    Poema #30: Porém, Nada Dizia

    Gosto do silêncio.Prefiro ficar em silêncio.Vejo as pessoas conversandoe a imagem que me fica é ado cuspe trocado entre elas.

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  • 6 julho

    Na extrema curva do caminho extremo

    Eu não deveria escrever sobre se a terra é de fato esférica… Eu não deveria dizer o óbvio! Eu não deveria repetir tantas coisas… Eu não deveria escrever e me esforçar para que as pessoas saibam e entendam que o nazismo foi um movimento de extrema direita. Eu não deveria escrever e me fazer entender que QUALQUER regime de exceção, que tira direitos e persegue pessoas é chamado de ditadura… Eu não deveria escrever sobre a desgraça que é o r

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  • 6 julho

    Onde Está Você?

    Cabelos desalinhados, Débora esfrega os olhos fundos, sonolentos. Busca o roupão na cadeira ao lado da cama e se debruça de novo sobre o travesseiro vazio que repousa ao seu lado. Sente o perfume de lavanda ainda presente na fronha — o que lhe restou. No silêncio da manhã, seu olhar se detém no fio de luz que atravessa a fresta da janela. Como uma adaga, ele penetra o recôndito dos pensamentos noturnos. Débora se envolve nos lençóis, à procura de um abrigo

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  • 5 julho

    Direção Defensiva

    Uma pesquisa realizada na Universidade de Viena, com sapos comuns (Bufo-bufo), conseguiu registrar um comportamento curioso e inusitado. As sapos-fêmeas, diante da aproximação e assédio de machos indesejáveis e insistentes, se fingem de mortas.  A estratégia chamada tanatose é uma reação extrema a situações de estresse ou perigo. Que danadas…não julgo. Sabemos muito bem o quão estressante pode ser um homem querendo transar na hora do sono, da novela ou da

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  • 5 julho

    Frio com Memórias

    Mãos enregeladas, dedinhos roxos de frio, boca seca e gretada, olhos lacrimejando… Que frio! O assovio do vento, misturado ao fungar dos narizes, soma-se ao barulho das vozes tagarelas dos valentes meninos e meninas que dobram a esquina correndo, apressados para terminar o percurso ao avistar a grande escola. Entram aos atropelos! No inverno, a fila do pátio é dispensada. Cada um segue direto para sua sala e acomoda-se em seu lugar. Acalmado o burburinho,

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  • 3 julho

    Striptease

    De longe, só se vê que há luz no quarto, mas pouco se distingue o que acontece lá dentro. Com meu binóculo, escondido atrás da cortina no apartamento do prédio em frente, tenho visão privilegiada e posso ver tudo com detalhe. Posso vê-la tirar a roupa, por exemplo. Como agora. Ela acabou de entrar. Jogou a echarpe no chão e sentou-se na borda da cama para tirar os sapatos de salto. Joga-os num canto. Começa a desabotoar a blusa. Noto que está um pouco mais

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  • 3 julho

    Trama subjetiva nas mentes!

    O poder político mantém certas ideias para gerir uma nação, desenha caminhos fartos de opções no cotidiano do povo, que está a espera de sua colaboração e sustento.  O poder da biologia carrega em suas raízes a capacidade de escrever a data de seu velório.  O poder espiritual, sustenta a igreja com certas regras e posturas limitadas pela fé, diferenciado substancialmente com espírito e alma aos pés de sua prole.  Carrega a eternidade como sa

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  • 1 julho

    Deixa o mundo lá fora, vai

    À primeira vista, nenhuma graça. A turma está lá fora, jogando bola, tomando cerveja no boteco, nadando no clube. E você? Está ali, concentrado, alheio, lendo. “Que programa mais besta!”, “Quem lê demais fica doido!” — já ouvi de tudo. Mas ler é outra história. Bem diferente de ver série, filme ou novela. Quando alguém filma, quer que você compre a ideia dele. No livro, a escolha é sua. Você decide o que quer, do jeito que gosta, no seu ritmo. E qual é a g

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  • jun- 2025 -
    30 junho

    Poema #4: Rondó randômico

    A tosse que se ouviu pulsar,entranhada nas dobras do ar, ouvi que nunca houve outra igual,engasgo ou sintoma de um malque se ouvisse sem se escutar. Como prever em qual lugar,incontrolável como o mar,recairia o surto canibal que se ouviu pulsar? Nesse jogo de sorte e azar,tecido com ardil no tearda imprecisão proposital,cada lance adia o finaldo giro sem fim do pesar que se ouviu pulsar.

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  • 30 junho

    Poema #30: A Voz do Silêncio

    Estou acordadoe não sonho,mas a realidadeantecipadame envolve. A barba se medesprende do rostofio a fio num friomaior onde estoume enregelando. Tudo se dissolvena aparência de ossosde que fui formado,e que é minha formamais resistente no mundo. Mas a terra(com seus vermes)decompõe ao seu contatotodo o meu aprendizadodoloroso da vida. E uma cova me absorvendotransforma tudo o que fuinum triste resumo de póque um dia se chamou homem. E que lhe deram um nome(

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  • 29 junho

    O crítico perfeito

    Não havia estática no ambiente coabitado por seis espaços, sexta-feira inaugural de um coquetel em meio a formas geométricas suspensas; horas que se observavam tentando segurar a respiração e manter o mesmo compasso entre os minutos. Perder-se não é uma brecha no tempo, pelo contrário. São chaves que não abrem porta alguma, mas pendulam na possibilidade. Está introduzido o conceito curatorial de luz, memória e tempo. São todos os fusos horários em um coro

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  • 29 junho

    Os Jardins de Áurea

    O ambiente cheirava a alfazema, misturada ao odor morno da roupa de cama recém-trocada, que aguardava no cesto para ser levada à lavanderia. Do lado de fora, um beija-flor pairava diante da janela, como se buscasse algo que havia perdido. Áurea já estava pronta para receber as visitas da tarde. Vestia o traje estampado mais elegante do guarda-roupas, embora não fosse aquele que desejava usar. Sentiu as mãos ágeis de alguém prendendo seu cabelo com um elást

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  • 29 junho

    Nada de Novo no Front

    Nada de novo no front. Mais uma guerra… E as guerras não têm nada de bom… E esta crônica, infelizmente, se repete. Mais uma crônica sobre as guerras, quando não se deveria escrever crônicas sobre guerras! Contudo, mais uma vez, preciso escrever que não há nada mais estúpido do que a guerra! A guerra interrompe o canto. Paralisa o jogo. Congela sentimentos. A guerra separa amores, aniquila sonhos, pulveriza infâncias, desmaterializa as coisas e

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  • 28 junho

    Sobre viver em tempos bárbaros

    Acesso a internet e me deparo com o genocídio em Gaza, o ataque de Israel ao Irã, outra demonstração do exibicionismo doentio dos EUA e o descaso da Indonésia com a nossa menina brasileira. Respiro um ar rarefeito. Falta saliva para deglutir todo esse horror. Penso no sofrimento atroz pelo qual ninguém deveria passar para viver ou morrer… um misto de tristeza, temor e desesperança me atravessa. E, como se tudo isso fosse pouco, me deparo com o vídeo de um

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  • 28 junho

    O Poema da Crônica

    Neste final de semana, chega ao fim meu descanso ou férias de inverno em Salvador. Como assim, férias, se sou aposentada? Ah, mas férias não significam apenas pausa do trabalho ou dos estudos. Recesso, férias, repouso, trégua, ou algo similar pode ser o desligar-se no tempo, o ócio criativo, a desordem feliz da cronologia da vida. No meu caso, é a vadiagem da alma. E do espírito. É a vida que não é vista nem dividida com ninguém, em que você é ao mesmo tem

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  • 28 junho

    ORDEM, PROGRESSO E… AMOR

    “O amor vem por princípio, a ordem por base / O progresso é que deve vir por fim / Desprezastes esta lei de Auguste Comte / E fostes ser feliz longe de mim” (POSITIVISMO, Noel Rosa e Orestes Barbosa) Bandeiras são símbolos que remetem à identidade de uma nação. Constituem-se em autênticas obras de arte por sintetizarem os valores de um povo usando apenas tonalidades e elementos gráficos e temáticos sobre um fundo retangular. Aqueles que conceberam a bandei

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  • 27 junho

    Crepúsculo da bruxa

    A chuva forte não convidava a sair. Em outros tempos era o momento de dar uma ajeitadinha no visual, montar na vassoura e voar pelo mundo. Agora não. A vassoura está ali mas a confiança em subir nela desapareceu. Ou melhor, está adormecida. Não é de hoje que ela duvida se ainda sabe mexer com os poderes que a tornaram notória. No fundo ela acha que ainda conseguiria dar umas voltinhas sentindo o vento nos cabelos. Mas na dúvida prefere não arriscar. E no e

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  • 27 junho

    O verso e seu inverso

    Frequentemente, uma leitura puxa a outra e acabamos em um fim diverso do que planejamos. Foi assim que caí em Massaud Moisés. Melhor, na sua obra A criação literária, que, há um bom tempo, aguardava na estante o meu retorno. Procurando ser uma introdução ao estudo da literatura, o livro nos traz uma abordagem sobre os gêneros literários, onde, em certa passagem, aparece a discussão sobre a adequação deles no trabalho do escritor. O ex-professor da USP fala

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