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  • out- 2025 -
    14 outubro

    Quase Real

    A internet é a cama desarrumada do mundo. Ou melhor: o quarto desarrumado do mundo. Dá na mesma, mas eu precisava começar minha crônica de hoje com alguma bobagem. Sinceramente, abrir um site hoje é como entrar na casa de um adolescente: panela suja, meia em cima do roteador e um cheiro indefinido de pizza com desespero. Cada link é uma gaveta aberta; cada anúncio, uma roupa esquecida da ex. E o pior: a gente fica à vontade nesse caos, como se fosse nosso.

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  • 13 outubro

    No limbo

    Zími entregou a Mila Cox uma sacola para discos com um LP dentro. Ele não a havia presenteado em seu aniversário, dois dias antes.   Conhecem-se desde o nascimento de Mila Cox, e trocavam presentes eventualmente, mas sempre com alguma zoeira sutil envolvida. O LP era uma edição nacional e comum de uma coletânea da Siouxsie and the Banshees, em bom estado de conservação. A contracapa, no entanto, trazia uma dedicatória escrita com esferográfica, que de

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  • 13 outubro

    Poema #41: Disritmia

    acredito que hajadentro em mimuma separação entrecorpo e espírito,espírito e mente.a cabeça pensa de uma formae o corpo age de maneira diversa,nunca se coadunam em alma de ser.sou o intervalo exato, inexpressivo,entre o talvez e o se e o quando serásendo que sou este ser, de si ausente,defeituoso e desengonçado. Da Essencialidade da Água

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  • 13 outubro

    Poema #06: De tudo o que não sei dizer

    Se te olhasse de novo, te perceberiaSe eu soubesse enxergar, ah, se soubesse…Quão terrivelmente felizesSeriam meus dias Temo não saber o depois.Pois quem nunca se perguntou…“E agora, o que vem”? Deixo vir.Mas temo…Não saber receber. Temo a teima de não saberSer para saber.Temo ter de temer, e temer…E não viver outra coisa,Não ver a beleza,Fazer do outro jeito,Viver ao contrário, Não acertar nunca,Estar sempre ocupadoDe erros e não saber fazerOutra coisa se

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  • 12 outubro

    um outro sentido humano, não apenas sentimento

    O vazio é um lugar insuportável: fede à ausência. O vazio, cujo endereço é nômade (na pressa), é também essência humana — carrega-se como um caramujo. O vazio como morada, cuja forma é o fazer nada. O desespero da entrega que não afeta a vida do consumidor final. Tanto se fazer por nada. O suor total por um gesto que o mundo faz corriqueiramente: levar à boca e engolir, sem mastigar. O vazio é o que se encontra quando já se leu demais. Já fez demais. Já de

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  • 12 outubro

    Pergunte ao Jacobina

    O reflexo da imagem sempre despertou curiosidade e encantou o ser humano. Ele é a metáfora perfeita para dizer a forma como nos vemos, qual a nossa autoimagem. Estima-se que ele tenha surgido, ainda que de forma rudimentar, há cerca de cinco mil anos, na antiga Suméria. De lá para cá, vem assombrando principalmente as mulheres, inconformadas com seu reflexo no Espelho de Cleópatra, símbolo da beleza e dos cuidados femininos, desde a antiguidade. Em O

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  • 12 outubro

    Poema #13: As Naus e o Sonho

    Entre as naus e os sonhos de antesAnterior à memória, objeto estranho…o mar era só… sem os seus navegantes.Calmo, vário e tamanho, As águas, um mistério, um senãoporém, quando teima a criatura humanao desejo insistente instiga a mãoa alcançar tudo, com toda a gana… brota na alma um querermais que tudo e muito mais!Indo sem ir e vendo sem verdo precipício à beira do cais. Da imagem fez-se o nobre cantodo canto nobre fez-se a triste sinada

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  • 11 outubro

    Todo mundo conhece uma Odete

    Na última aula de Pilates, o assunto que movimentou os ânimos foi: quem matou Odete Roitman? Quando Beth trouxe a questão à baila, imediatamente, Tatiana revirou os olhos, fechou o sorriso e lançou: — Acho essa novela um lixo. Nem de longe se parece com a original. Não assisto. Me recuso. O clima pesou mais do que os halteres. Deu para perceber o mal-estar de Beth ao se dar conta de que puxou uma conversa que não despertou interesse, ou pior, causou nítido

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  • 9 outubro

    A Melhor Estação

    Ela sabe que já é outono pelo barulho crocante das folhas secas rachando sob seus passos. Ainda que não possa distinguir as cores nem os galhos secos, ela sabe. Não percebe a diferença entre os ocres, os marrons ou os amarelos-avermelhados que forram o chão, mas sente a mudança do ar, que é mais fresco na sua estação preferida. Suspira. Já não sente tanto calor quando passeia pelo parque e ainda não faz um frio que a impeça de se deitar na grama e deixar o

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  • 8 outubro

    Um trupicão blindado, é pênalti?

    No fim do ano passado eu havia decidido parar de palpitar sobre política. Não faltam assuntos mais aconchegantes, como o bafo dos Dragões de Komodo após o lanchinho da tarde. Aviso de antemão, não quero usar da ironia nem do sarcasmo, ainda que um comentário ou outro possa ser interpretado dessa forma. E, digo logo, se isso acontecer, a culpa é sua, leitor, não minha. Então, a verdade é que fiquei desanimado ao ver os nossos nobres vereadores correrem para

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  • 8 outubro

    Um dia na vida

    Era quinta-feira e Mila Cox marcou dois shows para os Crop Circles no fim de semana.   Duas festas juninas, uma delas raiz, na periferia de São Paulo, e a outra era mais gourmetizada.   Sexta na Casa Verde e sábado em São Caetano.   Na sexta seria sossegado, show deles com abertura do uruguaio Silvano.   No sábado foram quatro shows. Dessa vez deram sorte, porque a organização do evento os colocou para fazer o segundo show, logo depois que S

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  • 7 outubro

    Tem gente que é poeta e não sabe

    Estou no ônibus, indo para o centro, um compromisso banal que não vem ao caso agora. O ônibus está vazio. Não é horário de pico. Homens e mulheres, cada um no seu banco. Tarde tranquila. O ônibus cheira a café velho e plástico. Bancos azuis, gastos, alguns pichados. Todo mundo, de certa forma, parece querer escrever uma frase no ônibus, quer ser lido pelo próximo passageiro. Tem gente que cola chiclete no banco. Aí vejo duas meninas, bem no banco da frente

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  • 7 outubro

    Poema #01: Chiclete com Banana

    Eu só boto bip-bop no meu samba quando o tio Sam pegar o tamborim Somos povoSomos pluralidadeSomos originaisSomos naturezaSomos belezaSomos muitoColônia, de novo?Nunca!Sobre tudoSomos… tudoSomos … CUL-TU-RA!Por issoEu só boto o bip-bopNo meu sambaQuando o tio SamPegar no tamborim!

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  • 6 outubro

    Poema #40: Interstícios da Vida

    Deixar de ser cúmplice da vidade outros que em mim personificama parcela da culpa que subtraiodo erro coletivo e meu, individualizado. Obscurecer o reflexo do sofrimentode homens que não vejo em presença,mas que em espécie me julgam dignode vê-los (como testemunha da mortesem remissão de si) em que se abrigam. A desvisão do homem como forma de sedesviar do mundo, numa covardia anônimade se cegar para o que há de recíprocono duplo ato de existir e ser respo

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  • 6 outubro

    Por que os bons morrem cedo?

    Não sei por onde começar. Dói muito falar, lembrar de tudo isso. Gislane me contou de supetão, mulher sem coração: “Vá visitar logo, antes que ele morra!”. Disse assim, na bucha, que Renato estava doente, em fase terminal, nível quatro de cancro no cérebro. Renato é meu amigo de infância, estudamos juntos no Vinícius de Moraes. Um cara de coração imenso, me abrigou, com a sua humildade família, quando tive de sair de casa por conta das bebedeiras do meu pa

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  • 5 outubro

    Dias quase perfeitos

    Recentemente assisti Perfect Days, uma coprodução entre Japão e Alemanha lançada em 2023. O filme é estrelado por Kōji Yakusho, no papel de um limpador de banheiros. Confesso que, no início, precisei de algum esforço para entrar no ritmo. A narrativa é lenta. O dia a dia do personagem, Hirayama, se repete quase como um ritual. Mas, aos poucos, essa repetição revela algo essencial: a beleza da simplicidade. Uma vida aparentemente pequena, quase claustrofóbi

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  • 4 outubro

    Incomodada ficava a sua avó

    Há pouco tempo assisti a uma entrevista do ator Wagner Moura onde ele dizia que vivemos uma crise da verdade. Não há mais certeza ou garantia de que aquilo que se vê, lê, ouve ou se experiencia é real. Tudo pode não ser o que parece ou se afirma. Até o que constatamos com os nossos próprios olhos pode ser falso. A inteligência artificial, com sua produção de imagens e realidades, ao gosto do freguês, atende prontamente à nossa ânsia de completude e tampona

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  • 4 outubro

    Festa ao Entardecer

    Daqui a poucos dias faço aniversário… O que vou pedir de presente? Alguma lembrancinha, mais para atender aos filhos e netos que me olham atentamente, tentando adivinhar meus sentimentos, ou meu estado de espírito, nesse dia que me leva cada vez mais ao entardecer da vida. Eu os conheço bem: cada um, à sua maneira, vai me sondar, tentar “me ler” nas entrelinhas. Não os condeno, pois por longos anos também passei pelo estranho papel de me sentir mãe, em vez

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  • 3 outubro

    Ultimo café

    Contemplou em silêncio o burburinho alegre à sua frente. Da mesa de canto no terraço onde estava sentado espiava as demais espalhadas. A maioria com casais, fora uma grande com seis pessoas. Na sua, permanecia só. O sol da tarde era ameno e com luz leve. Escondido atrás do telhado da cafeteria, fazia sombra em sua mesa. Enquanto todos tricotavam alegremente sob o sol gentil, ele permanecia silencioso na penumbra. Uma variedade de sucos, doces, chás e cafés

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  • 2 outubro

    ARREBATADO

    Quase morto de sede, o homem implorou ao céu por chuva, mas não caiu uma gota. Olhou pra cima e não viu uma só nuvem, só luz e azul. Rogou uma praga. Perambulou pela estrada poeirenta, o sol na cabeça. Viu algo no meio do caminho: uma escultura de madeira que alguém jogou fora. Era um rosto, uma cabeça. Uma cabeça completa. O homem a pegou nas mãos e a acariciou. Limpou a poeira e viu surgirem uns olhos, um nariz, uma boca. Um rosto. O rosto de um santo? E

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  • 2 outubro

    Febre de sentir!

    Algumas pessoas têm habilidade em se doar, sentir que em sua condição humana há mais espaço para atender aos interesses dos outros ao invés de suas próprias dores cotidianas. São indivíduos que emocionam em manter uma relação mais frequente com o outro trocando ideias, pensamentos, conversas, sem pedras nos bolsos, que são raras e caras para muitos. Já, as pessoas pesadas, pessimistas e invejosas, tornam as relações diárias um prato azedo e temperado com s

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  • 1 outubro

    A tarde e a crase

    Quando Carlos Emilio Faraco disse: “Se você me desse a tarde, eu alegremente a trocaria por uma crase”, não falava apenas de gramática. Ele nos oferecia um jogo perigoso, desses em que uma vírgula é um abismo e um acento decide o destino de uma frase. Um duplo sentido que escancara a língua como ela é: erótica, sedutora, quase obscena. Sem a crase, “a tarde” é um corpo inteiro: pedaço de vida, presente concreto, quase palpável. Algo que se pode dar: como s

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  • 1 outubro

    Nosso mundo

    Enquanto meu filho brincava, eu atestava a sua inteligência e engenhosidade, emocionado. Como ele crescera rápido? Ao mesmo tempo em que me surpreendi, me assustei, como se um portal se abrisse em minha frente. A verdade é que não acompanhei bem seus últimos dois anos. Claro, ocupado com o trabalho e as infinitas obrigações do dia a dia, perdi um pouquinho do seu desenvolvimento. Não, perdi muito, e o tempo não volta atrás. Na hora me apercebi disso e me d

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  • set- 2025 -
    30 setembro

    Não basta ser leitor, é preciso parecer também

    De uns tempos pra cá, virou moda fingir-se leitor ou leitora. De fachada, claro. Nas fotos do Instagram, o rapaz ou a moça é visto ou vista lendo clássicos, carregando ecobags com estampas de livros e autores. Querem posar de inteligentes, eruditos, atraentes. Vejo um rapaz, na academia, com corpo escultural e músculos definidos, lendo No Caminho de Swann, de Proust. As memórias de um escritor francês que ele nem sabe quem foi. No metrô, uma moça carr

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  • 29 setembro

    Avarias

    Na sala do apartamento que dividia com Mila Cox, Zími cantava e tocava no teclado dela uma versão de ‘Always the sun’, dos Stranglers. Usando apenas acordes rudimentares, executou a canção de maneira belíssima. A rouquidão de sua voz, a falta de técnica vocal e a embriaguez tiveram efeito favorável para o resultado apresentado. Mila Cox e Silvano observavam. A visceralidade mostrada ali, do nada, com Zími alcoolizado, improvisando, era algo tão

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  • 29 setembro

    Poema #39: House Of Dying

    FebreSudoreseIncontinênciasVômitosSitofobiaExcesso de salivaFalta de arPalidezConvulsõesFeridasGritosRoncosFedorEspumas na bocaExcesso de gáscatinguentoDor no calcanhare cansaço no mesmo. Uma pequena listado que somos eainda tem genteque se jacta. O Jardim Simultâneo

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  • 28 setembro

    Metacrítica

    Como uma sugestão literária pode desencadear reflexões íntimas A taça agora reflete um leve nuance púrpuro, apenas; eu, nesta fria estadia serrana, pretendia perder-me entre os dois novos volumes machadianos, ou, quem sabe, afogar-me nos sentimentos mais belos e tristes que só um romance épico da literatura infanto-juvenil de Budapeste apresenta-nos. Mas é fim de setembro, principia o inverno e a neve não virá, como sempre. Minhas mãos voltam-se para as te

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  • 28 setembro

    Poema: #12: UM LAÇO E UM NÓ

    Um laço e um nóe o engasgo e o silêncioa palavra muda amordaçada e nadado que fizera antes apagao fluxo do poema e da prosae as mãos frágeis do poeta-cronistatentam a todo custo segurar o textoo desejoa insensatez e a loucura e o rio de letrassílabas palavras-peixe e amores brutosum laço e um nó e o engasgo e o silêncioa palavra matae cala e se calaafrouxa e apertaafrouxa e apertae joga e rolae deita e colaafrouxa e aperta e águae mais água inundam o ser e

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  • 28 setembro

    O botox da Monalisa. Quando a estética paralisa também os sentimentos

    O sorriso é universal e uma das únicas expressões que já nascemos sabendo fazer e reconhecer, não importa o lugar do mundo onde estejamos.  Segundo o dicionário, é uma expressão em que os lábios se curvam nos cantos, e é essa curvatura que acaba dando o tom do sorriso. Normalmente, com os cantos voltados para cima expressam alegria, contentamento, felicidade. Ao contrário, se fizerem uma curvatura ligeiramente para baixo ou de forma assimétrica podem expre

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  • 27 setembro

    As voltas que o mundo dá

    Cada dia mais me convenço de que o universo se comunica com a humanidade por sinais sutis e precisos. Essa linguagem delicada costuma ser nomeada, por muitos de nós, como coincidência ou intuição. Eu, de minha parte, acredito tratar-se de um idioma ancestral, com o qual perdemos o contato, há muito tempo, mas permanece cifrado no nosso íntimo. Vez por outra, algo reconecta a sintonia perdida e decodifica a mensagem. Exemplo disso aconteceu hoje: estava me

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