
Sócio-paradoxo
Hoje em dia, parece que as pessoas se tornaram apáticas, frias e calculistas. Para elas, pouco importa se estamos bem ou mal, felizes ou tristes; limitam-se ao próprio mundo, à rotina e ao trabalho diário.
Por vezes, estamos destruídos por dentro, disfarçando para transparecer plenitude e força — tudo para não demonstrar vulnerabilidade ou sensibilidade, evitando que outros se aproveitem de nós. Vivemos uma época em que o certo passa por errado e o errado, por certo. Em tudo, as pessoas tentam ser as melhores e ter razão constantemente, sem se importar com o próximo nem com as feridas que suas atitudes podem causar.
— “É problema seu!”, dizem.
Não estão nem aí com a sua saúde mental, se você está trabalhando muito, cansado, fraco ou desanimado. Querem apenas sugar até a última gota. Almejam um objetivo e passam por cima de quem for preciso para alcançá-lo; a essa altura, amizade ou consideração já não importam mais.
Será que vale a pena? Machucar e ferir o outro para sair por cima, para não demonstrar fraqueza…
— “É problema seu!”, é assim.
Para alguns, é tão fácil dizer “não”; para outros, é quase impossível e dolorosa, como se essa palavra fosse capaz de causar as maiores atrocidades. Diante disso, surge o questionamento: por que alguns se doam tanto, oferecem o seu melhor e não recebem reciprocidade? Amar o próximo tornou-se sinônimo de fraqueza. Demonstrar afeto, sinônimo de puxa-saquismo. É um paradoxo incompreensível. Busca-se ser o melhor, estar no topo, ser elogiado, desejado, ter dinheiro e aprovação social. Mas a que custo? A paz é um estado de espírito almejado por todos, concorda? Pena que existem indivíduos empenhados em tirá-la.
— “É problema seu!”, é assim.
Desgaste emocional, fardo pesado, culpa por desagradar aos outros…
Enquanto uns se doam demais, outros entregam de menos. Enquanto alguns calculam até as vírgulas ditas ao longo do dia, outros ferem com palavras e dormem sem sequer lembrar o nome de quem ofenderam. Enquanto uns acumulam mágoas, outros apagam tudo da memória. E fingem que nada aconteceu e que está tudo bem.
— “É problema seu!”, é assim.
Não entendo, mas ainda bem que há um Deus que cuida de mim e compreende o que sou incapaz de expressar plenamente em palavras.























