Poesias de 1 a 99

É um espaço destinado para poemas de novos e autores consagrados.

  • . Nossos filhos nascem cegospela poeira do nosso tempo.Nós ainda enxergamosporque já entendemos o mundoa partir da poeira que há nele,e que não nos incomoda muito.Areia (À Fragmentação da Pedra)

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  • Quando acordei do comaeu já não tinha maisa mobilidade de antes.Olhei para as paredesde vidro do isolamentoe já não tinha a mesma visãode antesa mesma audiçãode antes. O mundo parecia ser outro. Perna e braço direitosestavam paralisados,dormentes e um sonode letargia na noitefria com pedras de gelono peito, do ladoesquerdo, assim penso. O mundo já não era o mesmo. Dois dedos do pé esquerdohaviam sido afetadose minhas afeições epercepções já não eramas mesm

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  • . – Fala o poeta de vanguarda: A estrutura do verso está invertida em meu caleidoscópio. Preciso de uma máquina rápida e perfeita para fazer uma circuncisão mental: “Quero que a estrofe gravada ao jeito do vídeo cassete saia nítida, sem um defeito”. – Fala a crítica especializada: A infraestrutura do verso está evoluída em meu laboratório. Preciso de um computador rarefeito e sem defeito para efeito de análise poética: “O crítico é um digitador, digita tão

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  • hoje eu mordium chumaço depapel higiênicopara estancar(ou tentar conter)o sangramentoda língua dilacerada:como um cadáverantecipado que devorao seu próprio sudário. Um Andarilho Dentro de Casa

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  • . A ilha com seu silênciome comunica a mortedos seres espectraisque nela vivem ou já viveram. A ilha cercada por manguesé um poço de lama e óleo. Os pescadores da ilhame comunicam o fimdos pescadores da ilha. Os pescadores da ilhame apresentam a pesca de um dia,nada. A ilha com sua morteme comunica o silênciodos seres superioresque a mataram e matam. A ilha abandonada pelos banhistasé um deserto de espuma e água. Os frequentadores da ilhame comunicam o des

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  • . cheguei cansado para deitarsobre a cama de papelão no chãoe debaixo da marquise gotejante. uma poça de água da pingadeirasobre o passeio do mercado desativadoonde dormiam indigentes à espera do fim. dormir é dócil como o bebê embriagadodesapercebido dos planos de Deus. Um Andarilho Dentro de Casa

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  • #06 – FAZER POÉTICO O primeiro verso é um pouco como o arPalavras soltas, palavras para cá e para láMas mãos cuidadosas vão caçando no brincarE o céu poético se ordena e tudo lá está. O quinto verso, já encorpado, é como a terraPalavras fortes e consistentes que criam raizE mãos habilidosas escolhem no tempo de esperaE o chão poético é desejoso e tudo diz.O nono verso movimenta-se ágil como a águaVeloz como as corredeiras e quieto como lagoPercorre a vida

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  • . “sob a luz de neon, o silêncio cresce como um câncer.as pessoas se curvaram e rezarampara o deus de neon que elas criaram.as palavras dos profetas estão escritas nas paredes do metrôe nos corredores do cortiço”Simon & Garfunkel era a noite fria e chuvosaentão eu saí como um zumbipara criaturas que, como eu,vivem nas sombras. sob a luz de neono câncer se espalhae as pessoas se curvamao som de Simon & Garfunkel. rezas, aspersões de águabenta e nada

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  • . “entre os anos de 1764 e 1767 os habitantes da pequena província francesa de Gevaudan, atualmente parte de Lazere, próximo das montanhas Margueride foram aterrorizados por uma criatura lupina que passou a ser conhecida como La Bête Du Gevaudan ou “A Besta de Gevaudan” eu já fui quase do tamanho de um touro ou de um urso, meu braço e dedos direitos, em função de sequelas, pareciam garras afiadas e o conjunto todo era de uma aparência medonha. a primeira m

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  • Noite fria, sombria, quieta.Ele, calado, encolhido, matutando.Eu, na espreita, alerta, sentinela.Nós, famintos, sedentos, enjeitados.Olhos remelentos, húmidos, arregalados.Corpos esquálidos, caquéticos, patéticos.Dentes que bambeiam, rareiam, vadios.Garrafa vazia, gamela vazada.Burburinho no beco, grupinho do boteco.Garotada excitada, bebida exagerada.Sanduba na mão, churrasco no pão.Passo apressado, casaco amarrado.Rota traçada, calçada apertada.Molecada

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  • #04 – O Piso da Minha Alma . ressoam em meu cérebroecos de canções que eununca escreverei jamais. mas existem em mimcomo acordes tangíveisdo que se aspira a ser. à sombra do músico adormecidoeu vivi a minha vida inteira assimdisfarçado de poeta como se fosse um andarilho dentro de casa. O Jardim Simultâneo

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  • #01 – ímpetos de reformulação e atitude . Acendi uma vela, e me veioDe outro planoque não eu, mas era eu, tambémAcender 8o 8, deitado, é o infinito8, em pé, conforme as coloqueitornou-se fogueira O fogo ardeu, ardeu eenquanto eu vivia o momento presenteAs duas coisas ligaram-seDançado ardentementePavios como mãos dadasFogo fátuo, feito, farto De repenteminha atenção recor-tou-se em du-asduase eu estavaum olho em algo,outro na labareda,e quandoas para

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  • 04# – RÉQUIEM I Estou hoje caladocomo se houvesseroubado o silênciodos mortos. Estou hoje tranquilocomo se a calmafosse um atributodos homens enfermos. Estou hoje festivocomo se estivessenuma festa, e lúcido,como se a lucidezfosse a própria festa. Estou hoje vencidocomo se soubesse a verdadee sozinho vou indo mesmoa uma festa, atendendo aoconvite dos mortos. 05# – RÉQUIEM II cérebro inchadoem recônditas gavetas,minha cabeça não deixade doer. fu

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  • #01 – METAMORPHOTHRILLER Liberdade ilusãoVontade reprimidaPrisão de si mesmoEncaixe em moldesDECEPÇÃO…Nunca foi o que realmente era, considerava o seu próprio ser repugnante aos grandes olhos dos filtros sociais. Lamentava, vestia a máscara e… FIN-GI-A…DECEPÇÃO…Continuava a Tentar…Encaixar…Nos moldes | Nos padrõesEram pequenos, causavam desconfortoO Desconforto… DESconfortavaDECEPCIONAVA…Necessidade de…FUGAMedo/co…co…co…co…CORAGEM!Coragem/necessidade

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  • #03: Paredes Estou cercado de objetossem expressão ou significados(utensílios para o desempenhode um trabalho sem utilidade).Tenho as mãos ocupadasna tarefa de preenchero vazio com papéisde números impressos.A cabeça gira à procurade lembranças que possamdesviá-la do tédiode ver gentes.Arquiteto planossem propósito algumalém de preencheras horas de um expediente.Estou cercado pelosquatro lados de um cômodoonde recebo clientesde um banco de dados.Tudo é mui

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  • 002# – AGUACEIRO A chuva cessou de chovere já agora eu possotirar as mãos dos bolsose atravessar a rua. Mas já não tenho mãose nem tampouco possoatravessar esta rua, poisa água levou-me as pernas. E a rua, embora chovida, está seca.Eu fui a chuva que choveu e ninguém viu. Milton Rezende in “O Acaso das Manhãs”

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  • #01: Instante de Pura Poesia eu ontem, passando na calçada,deparei-me com uma visãoaterradora de um pássaroque, ao defender seu espaçode um intruso invasor, levoua pior na batalha sangrenta e,roto e estropiado, na arvorezinhamirrada, olhando de soslaio,entre sangues, o espaço míticoque habitara e cuidara durantelongos anos, agora perdidopara sempre. solidariedade ao pássaroferido de morte. Da Essencialidade da Água.

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