
Detalhes
Entra na confeitaria pensando em tomar um espresso para aquecer a tarde chuvosa. Pede um salgado e um refrigerante pequeno. Não sabe por que mudou de ideia. Senta-se de frente para a rua. Gosta de admirar as pessoas que passam e ouvir os pequenos fragmentos do dia a dia de cada uma delas.
Na confeitaria, um homem emocionado conta ao balconista histórias de sua juventude ligadas ao lugar. Levou sua primeira namorada para comer um doce com morangos. Demora-se contando e repetindo trechos da mesma história.
Uma senhora entra reclamando do mau tempo e informando que, desde 1942, não chove por tantos dias seguidos. Fala sobre a influência da internet no comércio local. Faz prognósticos nada otimistas para as grandes lojas de eletrodomésticos. Come e sai, despedindo-se de todos com a intimidade de quem frequenta o lugar há muito tempo.
A confeitaria silencia por alguns minutos.
Lá fora, chuva fina e neblina trazem ao dia um quê melancólico.
Observa.
Guarda-chuvas, sombrinhas e casacos circulam pela calçada. Apressam-se para resolver questões de um dia comum de inverno.
Levanta-se, paga a conta e sai.
A praça vazia. Os carros que passam. Os olhos que contemplam.
Lembra-se da frase dita pela mulher na confeitaria:
Nunca choveu tanto!
Não confere a informação, mas tem certeza de que as pessoas continuarão escrevendo suas histórias.
Em dias de chuva ou de sol.
A vida não para, ainda que o mau humor tome conta do nosso dia.
























Que tal “nostalgia” em lugar de “mau humor”? Isso porque os dias chuvosos levam ao recolhimento, à busca de calor, de aconchego e de lar.
Lindo texto, mas o leitor gosta de chuva e quer um fim mais ameno. Perdoai. Rs.
Senti o cheiro da chuva nesse dia cinzento. Um texto, uma imagem, um sentimento. Muito bom o texto.