Crônicas

Passatempo

— Vai onde mesmo? Pensei que íamos conversar…

— Desculpe, mas hoje não estou disposta.

— Devia ter me dito, assim não teria descido.

— Não! Fiquei feliz em te ver, só não quero “trocar ideia”.

— Ok! Volto pro apartamento. Quando você melhorar, me chama. Tchauzinho!

Minha vizinha se foi. Tão bacana ela!

O fato de eu ser mais velha a faz ter cuidado comigo. Ora um pedaço de bolo, ora uma fofoca, ou apenas uma visita para jogar conversa fora.

Gosto dela.

Mas, por esses dias, estou cultivando o silêncio.

“Sobre aquilo de que não se pode falar, deve-se calar.” Alguém falou isso.

Penso um pouco e logo refuto essa ideia. Não se trata de poder ou dever. Mas uma questão de coerência.

Não acabei de dispensar a Vera?

Se resolvi que não quero discutir, isso vale para todos, inclusive para um “monólogo silencioso” de minha mente.

Uma hora depois, minhas plantas regadas, minhas gatas alimentadas e acarinhadas, a bela manhã transcorrendo em calmaria, e lá estou eu, pensando no silêncio.

Nas tragédias que ele esconde, na serenidade que proporciona, nas palavras que dispensa e nas discussões que evita. Ou provoca.

Como?

Jogando “conversa fora”?

Não mesmo!

Coloco uma música suave, acomodo-me em minha poltrona e exerço o meu direito: joguinhos de passatempo.

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Maria Elza G. Gonçalves

Aposentadoria e entrada na Terceira Idade. Duas mudanças importantes que ocorrem na vida das pessoas e que merecem nossa reflexão.

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