
A Nora, o cachorro da Nora, os namorados da Nora e o adestrador
A Nora tinha um cachorro. A Nora também tinha um namorado. O cachorro não gostava do namorado da Nora. A Nora contratou um adestrador pra fazer o cachorro acostumar-se com o namorado. Já que ainda não existe adestrador de namorado.
Pouco tempo depois, quando o cachorro já estava amiguinho do namorado, o namorado caiu fora.
A Nora tinha dotes físicos e intelectuais exuberantes e logo trouxe outro namorado.
Pro outro namorado também foi preciso o adestrador, pra estreitar laços de amizade dele, o namorado, com o cachorro que o estranhava.
A nova paixão também não durou. Foi, como disse um dia o Geraldo Vandré, breve como a perdida flor. E ele, o namorado, se foi.
Logo a Nora se deixou cair por outro, um carioca que morava na Rua Vasco da Gama, 507, no Brás, e que se disse louco por cachorros só pra seduzí-la.
Mas como o cachorro não era louco por namorados da Nora, a história se repetiu. E toca o adestrador entrar em cena de novo e aproximar os dois.
Só não foi o bastante, a aproximação, pra mantê-los, ela e o namorado, aproximados por muito tempo. O caso foi breve também, dessa vez breve como banho num dia frio de 7 graus.
Assim se sucedeu 3, 4, 5, 6 vezes: entra namorado, cachorro estranha, entra adestrador, sela acordo de paz, sai namorado.
Maldito cachorro, malditos namorados.
Belo dia, quando o último namorado vazou, a Nora teve um lampejo perfeito pra um final feliz.
Em vez de procurar outro namorado, sabem o que ela fez? Deu jeito de namorar o adestrador.























