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  • abr- 2026 -
    5 abril

    Reintegração das águas em si: páscoa

    — Onde estamos?— Não muito longe do seu destino.— Parece faltar muito… Essa viagem é infinita,mamãe…— Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, em relação ao universo, ainda não tenho certeza absoluta.— Você é muito filosófica, mãe.— Eu

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  • 5 abril

    AUGÚRIO

    Durante grande parte de sua vida, Suely dava expediente lendo as linhas das mãos, jogando búzios e ainda posando como astróloga. Madame Suely. Sua especialidade era o tarô. Manejava as cartas e seus arcanos por instinto e fazia suas reflexões livremente, orien

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  • 5 abril

    Poema #04: Flor no Asfalto

    Chamam de resiliênciaessa palavra polida,de palco e de LinkedIn,que ensina a atravessar ruínascom a coluna ereta. Resiliência:dizem ser força,dizem ser método,dizem ser quase virtude corporativa. Mas outro diaela me apareceu diferente —não em gráficos,nem em d

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  • 4 abril

    Digníssimo canalha

    Pelo presente instrumento, venho desrespeitosamente dirigir-me a vossa excelência, em minúsculas, na dimensão da pequenez moral que encarnas. Refiro-me a ti, nobre calhorda, investido que estás da augusta prerrogativa, intransferível e vitalícia, de decidir o

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  • 4 abril

    Simulações

    Ninguém sabe de quem foi a ideia, que ganhou força quando chegou aos ouvidos do meu avô Nélson. Ele logo organizou as coisas e dividiu as tarefas. Os responsáveis pela criação do primeiro episódio seriam meu pai e meu tio Mário. Estavam todos lá na segunda reu

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  • 3 abril

    O aniversário

    Cinquenta anos de idade. Meu presente mais-que-perfeito. O presente que estou me dando. Meio século de vida. Por que comemorar meu aniversário? Estou um século mais velho. O que é que eu tenho para comemorar? Cinquenta anos ou apenas um ano? Faz menos de um an

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  • 2 abril

    Trama subjetiva nas mentes!

    O poder político mantém certas ideias para gerir uma nação, desenha caminhos fartos de opções no cotidiano do povo, que está à espera de sua colaboração e sustento.  O poder da biologia carrega em suas raízes a capacidade de escrever a data de seu velório.&nbs

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  • 2 abril

    A alternativa

    É uma cena que há tempos se repete, desde o dia em que meu pai anunciou que tinha perdido o emprego e minha mãe o abraçou dizendo: “Nós havemos de encontrar uma alternativa” — toda sexta-feira, no meio da tarde, o homem de chapéu, terno e gravata toca a campai

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  • 1 abril

    A fuga

    Um caminhão passou por cima de mim, depois da notícia dada por Flávia, minha filha. Ela veio bem cedo à minha casa, enquanto preparava o café, e disse que Murilinho tinha desaparecido. Minhas pernas tremeram, mal pude ficar em pé – fui colocada na cadeira, seg

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  • mar- 2026 -
    31 março

    Afinal, quem serve quem?

    Ninguém está aqui para nos servir. As empresas de ônibus, os garçons de restaurantes, o moço do guichê do metrô, o barman — todos parecem estampar nos olhos a mensagem: “você trabalha para mim”. Por esses dias, um grande amigo veio a BH passar uns dias. Depois

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  • 30 março

    Crop Circles

    Tinham show às dezessete horas em Hortolândia.  Chegaram cedo na cidade, apesar do trânsito caótico dentro do Complexo Metropolitano expandido.   Era uma festa particular, uma espécie de quermesse organizada por jovens locais, amigos de Mila Cox. O l

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  • 30 março

    Poema #62: Pra encerrar e recomeçando

    mandei uma mensagemacabando com tudoque não havia. tranqueio portão de entrada paraque nada entrasse além daminha covardia. jogueia toalha como quem sedespede da vida e talveznão devesse ainda: era cedo etarde demais ao mesmo tempo.fiquei com o meu corpo deita

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  • 29 março

    Anamnese

    Tenho muito respeito pela palavra anamnese que une de forma inusitada duas consoantes, o que lhe confere um ar imponente de cultura e refinamento. Por vaidade literária fútil sempre desejei usá-la, mas por não ser da área de saúde nunca consegui. Agora resolvi

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  • 29 março

    curvas, exclamações tesas e duplos olhos castanhos

    Pela primeira vez percebo as curvas orgânicas da fechadura que sustenta a chave da porta mais usada do meu armário, enquanto uma música conhecida reverbera pela caixa de som. A cortina de linho, fina, balança em câmera lenta, descortinando aos vizinhos — imers

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  • 29 março

    Nelson a conhece

    No ônibus lotado ela vai enfiando o corpo nos menores espaços, dá licença, fala baixinho, não olha nos olhos, vai passando por uma senhora gorda com várias sacolas, por um garoto voltando mais cedo da escola, por moças, por rapazes, por velhos; troca a mão de

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  • 29 março

    Poema #16: Poema ao vento

    Poema ao ventoCesto vazio em pouso certoCascalho de ilusõesSem tempo. Poema ao ventoE nenhuma certeza das coisasNenhuma certeza. De repente uma linha intrometida atrapalha o poema, como um rio conquista com ajuda das águas a terra branca, areia, alguma coisa s

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  • 29 março

    Devota

    O espaço era pequeno e fechado por uma porta metálica, com paredes de pintura descascada. A roupa e os poucos objetos pessoais pendurados em sacolas ou em pequenas prateleiras. O local era compartilhado com outras detentas. Quando podia ficar sozinha, Juliana

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  • 29 março

    O que fica fora da foto

    Já repararam como a gente anda vivendo tudo… com o braço esticado? O pôr do sol acontece — e lá estamos nós, tentando enquadrá-lo. Uma risada explode — e alguém já procura o celular. O momento chega inteiro, mas a gente o recebe pela metade. Não é que faltem s

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  • 28 março

    O que eles dizem

    Eles dizem que tudo vai às mil maravilhas, que nunca estivemos tão bem e que a tecnologia chegou para melhorar nossas vidas. “O que seria de nós – perguntam eles – sem a internet”? Nem dá para imaginar… Como poderíamos nos munir de fake news

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  • 28 março

    Os brincos

    1.Adriana recebeu um forte golpe na cabeça. O sangue escorreu, e, em alguns minutos, o piso da cozinha se transformou num tapete escarlate. Rastejando pelo chão, conseguiu deixar o local. No corredor, ouviu uma porta bem lá no fundo ser batida com violência. E

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  • 27 março

    Os livros e seu mundo

    Não raro, deparamo-nos com textos literários que discorrem sobre livros. Entretanto, não me refiro à crítica, que os tem como objeto de investigação e análise. Falo, por exemplo, daquelas crônicas em que obras aparecem na forma de tema, como o cotidiano e o am

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  • 27 março

    Abençoado quem?

    Quem convive comigo há pouco tempo nem imagina quão atacado das ideias eu já fui. Sim, o tempo amorteceu minha irritabilidade e ando menos propenso a erupções. Mas as vezes o passado aflora. Uma das ocasiões em que sou mais propenso a erupções é com o uso inco

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  • 27 março

    O retorno

    No outro lado não havia nada. O outro lado era apenas o outro lado. Voltei branco para casa. Como se já não fosse. Eu estava branco como se nunca tivesse sido. Naveguei pelo Lete como num passeio de domingo. Atravessei o Lete e era como se não tivesse ido a lu

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  • 26 março

    Ao final de tanto!

    No teatro Pantomima presenciamos uma apresentação onde metade do sentido da obra surge através dos gestos dos atores. A outra metade, você mesmo cria a seu prazer.  Em nossas mentes pode aparecer uma cena de horror quando os dias estão carregados, ou uma

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  • 26 março

    Memória para último uso

    No dia de seu aniversário de oitenta e cinco anos, ele saiu de casa pela primeira vez depois do longo período em que seus passos só conheceram o caminho entre o quarto, o banheiro e a cozinha. Era outono e fazia frio, e sua garganta rascava. Com esforço, chego

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  • 25 março

    Não sei se isso faz sentido

    Cheguei ao fim da linha. Não basta seguir por seguir, sem propósito. A vida me impôs barreiras e superei quase todas. Agora, depois dos sessenta, estou endividado, falido e exausto. Tudo por causa da minha consciência franca, para acreditar nas pessoas. “Celso

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  • 24 março

    O que não pode esperar

    A cena é a seguinte: um homem está numa fila de uma clínica médica — mas poderia ser do Detran, de um laboratório, de um cartório, já que o que vai acontecer é muito comum —. Ele, mesmo podendo fazer tudo pelo celular, coloca uma pasta em cima do balcão, apoia

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  • 23 março

    A escova de dente que não era de ninguém

    Os atritos começaram quando ela, aos dezesseis anos, se recusou a tirar o título de eleitora. Vestia uma camiseta desbotada dos Bad Brains e disse que teria o título apenas quando fosse obrigada, aos dezoito anos. Dizia sempre que jamais votaria, em quem quer

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  • 23 março

    Poema #61: Portal da Dor

    Cap. I – Da Doença Compressas frias, banhos mornos, cataplasmas sinapizadas, injeções intravenosas de electrargol, injeções hipodérmicas de óleo canforado, de cafeína, de esparteína, lavagens intestinais, laxativos e grande quantidade de poções e outros remédi

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  • 22 março

    Esquisito Íntimo – parte II: origem x vertigem

    Eu também tinha visto aqueles lábios torcidos em uma expressão de humor irônico. Parecia quase desnecessário, mas a presença do “quase” – termozinho safado! – faz toda a diferença. Traja o tipo de humor que eu gosto, do tipo que não se

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