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  • mar- 2026 -
    12 março

    Avidez e honra no tempo!

    Em épocas muito passadas, os abastados entediados, não aproveitavam suas vidas ocas, por que não existiam ofertas de lazer e compras atraentes aos olhos exigentes dessas criaturas bem nutridas. A massa de gente, seguia rumos cotidianos sem graça no viver e rot

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  • 12 março

    Os labirintos da noite

    Com o tempo, minha mulher se acostumou com meu sonambulismo. A convivência tem dessas coisas, entre elas o dom de converter nossos atos mais estranhos em aborrecida rotina e agora, quando me levanto no meio da madrugada, ela não mais se incomoda e continua dor

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  • 11 março

    Só se é de parar quando morrer

    Com dona Raimundinha não tem brincadeira. Mulher trabalhadora, venceu na vida a custo de muito suor, com o seu restaurante lá no centro. Tenho orgulho de minha mãe. Além de tudo, me ensinou a ler e a escrever, porque eu tinha certa dificuldade de decorar as le

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  • 10 março

    Oi, Mazzilli

    Certas coisas na vida não vêm de graça. Se você, por exemplo, tem o hábito de ir ao cinema toda semana, de se alimentar de filmes velhos e novos, tenho certeza de que alguém o levou ao cinema pela primeira vez. Um tio, um pai apaixonado por filmes, uma mãe, um

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  • 9 março

    Antes da escalada nuclear

    Tuco se suicidou. Era vizinho de Zími. Encontravam-se eventualmente nu elevador do prédio em que moravam e raramente as conversas passaram do “bom dia, boa tarde, boa noite”.   Zími, no entanto, podia compará-lo a um repolho cheio de rancor.  Ou a uma bal

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  • 9 março

    Poema #59: Perdas e Danos

    parece que perdio dom de sonhardepois de tantasdecepções. depois de tantasperdasparece que sonheique já não tinha o dom. acordei e era tudoverdade ou pesadelodepois eu achoque dormi de novo. O Jardim Simultâneo

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  • 8 março

    Vênus sob cerco

    Diz-se, desde muito tempo, que somos de Vênus — a deusa romana do amor, da beleza, da fertilidade, da paixão. Talvez por isso tenhamos sido educadas, durante séculos, para preservar o vínculo a qualquer custo. Para compreender antes de julgar. Para acolher ant

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  • 8 março

    Ai, minhas orelhas!

    Ando com muita pena das minhas orelhas porque as pobres estão ficando de abano. Daqui a pouco vou precisar de uma plástica. Eu já havia detectado o problema por causa dos óculos que as coitadas são obrigadas a suportar e dos brincos que uso desde sempre. Mesmo

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  • 8 março

    Esquisito íntimo

    Esquisito: Palavrinha sorrateira que passa pela boca aos pulinhos, estalando a língua como se estalasse cascas de noz. É um vocábulo inquieto; dito repetidas vezes e depressa, parece um chiado qualquer — dessas TVs antigas que saíam do ar e preenchiam a tela c

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  • 8 março

    Marta ainda não está morta

    Marta acordou e foi logo verificando sua respiração. Tudo em ordem, estava viva. O que fazer? Levantou-se resignada, bocejou, deu uns muxoxos e foi ao banheiro. Ultimamente esse ritual de despertar e continuar respirando se repetia. Perguntava-se por que não m

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  • 8 março

    Tempos modernos

    Eu procuro entender um pouco sobre as máquinas. Procuro mesmo. É verdade! Não sou muito simpático a elas não! Sabe qual o problema? É o apertar de botões! Aperta aqui, aperta ali! Imagino Carlitos em Tempos Modernos, enlouquecido entre as engrenagens. Aperta a

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  • 7 março

    Genival Lacerda

    Não se sabe se ‘forró’ deriva de ‘forrobodó’ (festança) como dizem alguns etimólogos ou se é uma corruptela da expressão em inglês ‘for all’ como sustenta outra ala, em que se inclui, por exemplo, Geraldo Azevedo. O que é certo, no forró, é que, como diz a can

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  • 7 março

    Conversar ou “zapear”?

    Alguém ainda tem comadres? Conheceu algumas? Elas eram parte do cotidiano das famílias. Eram respeitadas, ouvidas, esperadas. “Vamos cortar o bolo quando a comadre chegar.” Tinha também as enxeridas, aquelas que sempre sabiam mais ou fariam melhor. Com um deta

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  • 6 março

    Solidão nos olhos

    Saio de casa para me encontrar sozinho. Em meio a tantas pessoas, nenhum olhar se prende ao meu. Nenhum par de olhos me atrai. Uma nesga de rosto permitida pela máscara é insuficiente para perceber outra pessoa. Tenho dificuldade em interagir assim. Sem a másc

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  • 6 março

    O leito do hospital

    O leito do hospital era alto de muitos metros. Eu olhava o mundo de cima, com galhardia. Eu olhava o mundo como quem não olha. Eu não olhava o mundo: a vida passava. Era noite alta. O leito alto era um leito de muitos ruídos: motos, carros, ônibus, tratores, u

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  • 5 março

    Futuro do pretérito!

    As cores revelam significados marcantes e frequentes na demonstração de nossos atos, e alguns desejos mais enfáticos associam intensidade única para estruturar aquela manifestação ativa que transborda em um ato contra outro indivíduo, ou por vezes, a nós mesmo

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  • 5 março

    A loja de despedidas

    Na estação rodoviária da cidade, entre um quiosque que vende lembranças para turistas e uma lanchonete, há uma loja de despedidas. Ali, os viajantes solitários — aqueles seres que transitam de um lugar para outro sem que haja ninguém que se despeça deles — pod

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  • 4 março

    Consciência econômica

    Não tenho mais medo do futuro. Minha mulher sempre me falou para curtir o presente, que “a vida é o agora!”. Mas, filho de um pai escrupuloso, tive a tendência de seguir os seus passos seguros. Criado por ele, devia ter uma “consciência econômica” – esta frase

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  • 3 março

    Poema #58: Passagem das horas

    Fica de nós este resíduodo que ainda não fomos.Este abismo a se superare uma certa disponibilidade.Fica esta in/compreensão mútuae a dificuldade em se comunicar. Fica de nós este fragmentodo que ainda podemos ser.Este relacionamento a se elaborare uma parcela

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  • 2 março

    Beiça

    Beiça era o apelido de César Albuquerque Valladares.   Vestia-se como tivesse sido arrumado pela mãe para ir à escola, mesmo com quase cinquenta anos de idade, mas de sua boca qualquer narrativa sobre problemas do cotidiano ganhava uma dimensão épica e fa

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  • 1 março

    Beijos

    Em Belo Horizonte, foliões reclamam: beija-se muito pouco no carnaval atual. Mulheres solteiras, gays, homens desempregados no “mapa da fome do amor” – todos declaram urgência no coração. Não dá para se iludir: você pode sambar na ponta do pé no Ba

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  • 1 março

    Poema #03: Em branco

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  • 1 março

    De quando não havia internet

    Você sabia que já existiu uma vida completamente diferente da que temos hoje sem internet? Sim, conseguíamos viver sem internet! O telefone servia simplesmente para que pudéssemos falar com alguém! Falar de fato! Falar diretamente com alguém! Estranho falar co

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  • 1 março

    Pé ante [o sisal e a sombra do outro] pé

    Um vulto de cerca um metro e vinte e cinco se esquiva por trás da cadeira de balanço. Gabriel move um pé depois do outro, tentando elevar seu peso acima dos ombros. Primeiro, o indicador do pé esquerdo toca o assoalho de madeira, um marrom rosado escurecido pe

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  • fev- 2026 -
    28 fevereiro

    Agora eu era herói

    Quando eu era criança, deixava-me levar pela fantasia de ser um super herói que tudo podia. Mas, ao contrário do Batman, não agia apenas no combate aos folclóricos criminosos de Gotham City. Minha área de atuação era mais abrangente. Ocupava o cargo de preside

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  • 27 fevereiro

    10 para 14

    Se você é um dos seis leitores que caridosamente escolhem ler o que eu escrevo às sextas-feiras aqui nesse nobre espaço saiba que, hoje, 27 de fevereiro de 2026, faltam 10 para 14. 10 dias para minhas filhas completarem 14 anos. (Suspiro, sorrio e continuo.) 1

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  • 27 fevereiro

    Somos filhos da rua e da noite

    O Zé Preto se acomodou, ajeitando o cobertor. O Espanhol deu um puxão: — Esse cobertor é meu. O Zé Preto empurrou o outro com a bunda. Riram. — Vai tomar no “cu” — um disse para o outro. E riram. Passou um carro numa poça e jogou água nos dois. — Vai se

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  • 26 fevereiro

    O magro, o gordo e o miúdo

    Os três dividiam a cela. Um era alto, magro de olhos pequenos e negros, outro era gordo e de corpo nervoso, o terceiro era miúdo e de pouco espírito. Foram condenados à morte por um tribunal improvisado. Isso era tudo o que sabiam a respeito de seu destino. Ne

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  • 26 fevereiro

    Mais lúdicos e sutis!

    Na história do Reino Unido, a era vitoriana foi o período do reinado da Rainha Vitória, de Junho de 1837 até sua morte em Janeiro de 1901.  Aqueles foram árduos anos para o povo famélico que andava pelas ruas difíceis e vazias.  Muitos homens não tinham c

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  • 25 fevereiro

    Tempo não é dinheiro

    Mãe: “Meu filho, você está indo pra onde?” Filho: “Estou indo pra minha nova casa.” Mãe: “Você não tem outra casa! Largue de ser ridículo!” Filho: “Eu não tinha, mas agora eu tenho dezoito anos e terei. Vou morar com a minha tia.” Mãe: “Com que dinheiro você v

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