
Expectativa: decepção ou esperança?
A expectativa é a mãe da decepção. Dizem. Mas a expectativa também é a irmã da esperança. Sugerem.
Mãe, irmã. Árvore genealógica à parte, ninguém sente expectativa impunemente. Nem consegue evitá-la totalmente.
Evitar para que, afinal?
Expectativa é o desejo intenso por algo ou alguém.
Assim, não ter expectativa é não sofrer com o desejo não realizado, advertem uns. Se não deseja, não sofre, dizem. Assim evita-se o amargo da decepção.
Mas por outro lado não criar expectativa alguma é realmente bom? Está escrito que a gente cresce se enfrenta a adversidade. Portanto, se proteger é não crescer. Vale mesmo? E aí?
Nutrir expectativa é imaginar situações futuras com algo ou alguém, como resultado de nosso desejo. E em alguns casos até se antecipam experiências, diálogos e gestos em um turbilhão de abstrações.
Nada mais natural e humano. E quase incontrolável.
É quase incontrolável porque é desejo. Até para quem jura de pés juntos que não tem expectativas. Nem esses estão imunes a sua força natural.
Advertência antes de prosseguir: Não confunda ações com desejos. Ações são controláveis, desejos nem sempre.
Diante disso, a saída dos que tentam inutilmente não tecer expectativas é a solução bizarra de se ter só um pouco de expectativa, sem exagerar. Para não alimentar um desejo que não vai se realizar. O que leva imediatamente a pergunta:
Como se mede expectativa?
Pausa de 100 anos, no mínimo, para a resposta.
Retomando antes do prazo expirar.
Sem ter como honestamente quantificar a expectativa só nos resta deixar o comportamento infantil de lado e aceita-la como algo natural.
Privar-se da emoção da expectativa é como ter medo do desconhecido. Como se a garantia fosse a decepção e não a esperança. Honestamente, nada é certo. Ter expectativa não é ter poderes premonitórios.
Somos nós quem criamos nossas expectativas, mesmo sem percebermos. Nos deixamos levar por elas porque queremos, porque desejamos, porque necessitamos.
No entanto, experiências acumuladas de seguidas decepções com expectativas não alcançadas criam a motivação ideal para evita-la. Como se algum deus sonso e brincalhão conhecesse nossos desejos e fizesse tudo ao contrário só para nos trazer infelicidade. Melhor evitá-lo.
Mas afinal, então é desejável viver sem expectativa?
O pior dos mundos é quando se está encurralado, sem ter para onde ir nem em pensamento. A expectativa é a pequena janelinha de nossa esperança mais íntima.
Imaginar a possibilidade boa, nutrir a expectativa que tudo pode mudar é saudável. Desejos não realizados não matam, não engordam e nem são proibidos. São só desejos.
E se não der? Não deu, crie outra expectativa e siga em frente. Sem medo. Sem covardia de viver.
De minha parte, vivo minhas expectativas sem medo.
Mesmo que eventualmente não deem em nada ou me causem dor. Muita dor, até.
O joelho ralado da vida adulta é a expectativa não alcançada.























