
Retrato
De Pipa para Pernambuco, pela estreita estrada, seguimos. Nada no peito, a não ser a batida do novo. Um beat surdo que ecoa, único, em cada ouvido. Seguimos. Somos expectativa e viagem.
Os olhos decifram a paisagem: o pequeno cemitério cheio de árvores floridas e um homem só, que olha o túmulo de alguém que, pela primeira vez, está só.
O caminho não é este, mas termina no encontro do rio com o mar. Beleza pura. Voltamos à estrada desejada, à experiência planejada, ao rumo escolhido.
Entre os coqueiros, aceleramos e assistimos ao vento. Uma torre de telefonia informa que o aparente isolamento não existe.
O gado branco e magro descansa. Longos espaços sem ninguém. Mal sabemos em que dia da semana estamos.
O peixe rosado é escamado, as senhoras conversam, a varanda é gradeada, a casa é verde e rosa, a lavoura é de camarão.
Uma Assembleia de Deus, um jardim de mandioca, uma conversa animada no botequim.
O vento dança nos coqueiros. Os pensamentos vão devagar… Devagar, a vida passa nos olhos de ressaca do homem que olha a segunda-feira.
























Uma paisagem viva em cores e nomes. Adorei!
Muito obrigada!