
Taciturna
A escuridão a excitava. Gostava das sombras e de imaginar monstros sob a silhueta da lua.
Não tinha medo. Nunca teve. Conversava por horas com figuras imaginárias, criadas pelo jogo de luzes e sombras no jardim.
Se havia névoa, melhor! Tudo parecia mais misterioso. Seu coração, então, disparava.
Era tanto para imaginar!
Cresceu assim: apegada à solidão. Amiga das fases lunares. Brincando de esconde-esconde com a neblina. Contando segredos às formas sombrias.
Um ser estranho, canhoto, enigmático.
Mudou-se. Na cidade, perdeu o luar. As sombras eram traiçoeiras. Como imaginar agora? Onde se esconder?
Virou poetisa. Submergiu no mundo das palavras. Oculta-se em metáforas, joga com antíteses, cria raras rimas.
O coração, de novo, dispara: ritmadamente!
Um ser estranho, canhoto, enigmático…























