Crônicas

Taciturna

A escuridão a excitava. Gostava das sombras e de imaginar monstros sob a silhueta da lua.

Não tinha medo. Nunca teve. Conversava por horas com figuras imaginárias, criadas pelo jogo de luzes e sombras no jardim.

Se havia névoa, melhor! Tudo parecia mais misterioso. Seu coração, então, disparava.

Era tanto para imaginar!

Cresceu assim: apegada à solidão. Amiga das fases lunares. Brincando de esconde-esconde com a neblina. Contando segredos às formas sombrias.

Um ser estranho, canhoto, enigmático.

Mudou-se. Na cidade, perdeu o luar. As sombras eram traiçoeiras. Como imaginar agora? Onde se esconder?

Virou poetisa. Submergiu no mundo das palavras. Oculta-se em metáforas, joga com antíteses, cria raras rimas.

O coração, de novo, dispara: ritmadamente!

Um ser estranho, canhoto, enigmático…

Mostrar mais

Valeria Soares

Valeria Soares é membro da Academia de Letras do Brasil -  nasceu e vive em Teresópolis- RJ. Formou-se em Letras - Língua Portuguesa e Literatura de Língua Portuguesa pela Universidade Gama Filho. Cursou MBA em gestão educacional e empreendedorismo pela Universidade Federal Fluminense. Professora desde 1986, atuou na rede privada e na rede pública municipal. Atualmente, é Diretora Geral do Colégio Estadual Euclydes da Cunha.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo

Adblock detectado

Desative para continuar