
A revolução dos livros
Os livros começaram a se infiltrar de novo. Fazem isso de madrugada, quando os sonhos se confundem com a realidade. Eram discretos antes, descarados agora. Hoje apareceram três ao lado do espelho do banheiro. Perdi a conta dos que se amontoaram sob a minha cama. Um livro velho sobre cidades fantasmas é particularmente teimoso. Achei que não gostava dos seus vizinhos de estante, então o coloquei sozinho na mesinha de cabeceira. Acordei com ele em cima do meu travesseiro, pedindo para que o abrisse. Fui com ele até a cozinha, com a intenção de procurar um espaço onde ficasse confortável. Ele pareceu se sentir bem dentro do armário, entre o pote de café e o de açúcar.
Comecei a ter medo de todos eles, principalmente dos que se atiram das estantes como laranjas maduras, implorando por atenção. Os livros já não respeitam o menor espaço de minha casa e está difícil trabalhar sem a intromissão deles. Tentei fugir, mas sempre sabem onde me encontrar. Se as coisas continuarem assim, serei engolido por um deles e acabarei como aquelas flores secas que às vezes encontro entre uma página e outra.























