Crônicas

  • ago- 2026 -
    31 agosto

    Retrato

    De Pipa para Pernambuco, pela estreita estrada, seguimos. Nada no peito, a não ser a batida do novo. Um beat surdo que ecoa, único, em cada ouvido. Seguimos. Somos expectativa e viagem. Os olhos decifram a paisagem: o pequeno cemitério cheio de árvores floridas e um homem só, que olha o túmulo de alguém que, pela primeira vez, está só. O caminho não é este, mas termina no encontro do rio com o mar. Beleza pura. Voltamos à estrada desejada, à experiência pl

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  • 30 agosto

    E Ainda é Agosto

    “É 29 de agosto. Em 48 horas, sua vida mudará para sempre.” Mais uma vez estava eu vidrada diante da tela. O dia era 29 de agosto, ontem, como foi no ano passado e no ano antes dele. A melodia inebriante preenchia os vazios que o ar-condicionado a 21ºC fazia flutuar no quarto hermético do Cachambi: O som avança em pequenos impulsos, como passos curtos e apressados que de repente… desaceleram. Expande e…. recolhe. O acordeão dá a sensação de ar

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  • 30 agosto

    A arte de pensar com as mãos ocupadas

    Desde pequena desenvolvi uma habilidade peculiar: só penso direito quando minhas mãos estão ocupadas. Dê-me um novelo de lã e duas agulhas e, pronto, minhas ideias começam a trabalhar — às vezes até antes de mim. Sempre achei que esse hábito era apenas um jeito de evitar a ociosidade manual, uma espécie de TOC artesanal. Até perceber que havia ali um mecanismo mais profundo, quase científico, embora absolutamente nada acadêmico. Foi observando uma laçada s

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  • 27 agosto

    Em algum lugar

    Passei boa parte da vida correndo atrás de muita coisa, bufando como todos aqueles que chegam numa plataforma de trem, atrasados, na busca do encontro com a felicidade. Até que um dia, parei na esquina da minha rua, para conversar com seu Almeida, o jornaleiro. Ele não é daqueles que só empurram jornal com café requentado, com um pão de queijo de ontem. Ele lê cada notícia, comenta o tempo, pergunta do cachorro da gente, e guarda um doce para as crianças d

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  • 26 agosto

    O que te mantém vivo?

    Uma ideologia política, uma crença religiosa, uma visão de mundo ou um passatempo qualquer. A ambição por riqueza, a busca de reconhecimento, a luta por poder ou a simples necessidade de sobrevivência. Muitas podem ser as razões que nos mantêm vivos. Das mais vulgares às mais sublimes; das mais egocêntricas às mais altruístas. A natureza daquilo que nos estimula a levantar todas as manhãs pode dizer muito sobre nós mesmos, nossas histórias e nossas perspec

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  • 24 agosto

    Percepção

    Ela enxerga poesia, vê histórias em todos os lugares. Se viaja, escreve mentalmente histórias que jamais tomarão forma na tela ou no papel. Quanto mais longa a viagem, mais tempo em silêncio com seus pensamentos. Entretanto, nunca precisou de uma viagem física para sair do lugar, percorrer mundos, encontrar pessoas e ouvir e falar palavras que apenas ela conhecia, que apenas a ela eram ditas. Este é o ar que ela respira: há poesia no contraste de cores ine

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  • 23 agosto

    Era só uma bicicleta

    Era só uma bicicleta! E Cláudio Rafael não havia roubado nada! Apenas saiu com a bicicleta de sua irmã! Ainda que tivesse acontecido um roubo, nada justifica a cena de selvageria que ocorreu em Copacabana. Pior, a cena de espancamento e linchamento de Cláudio Rafael escancara o quão estamos doentes! Que sociedade é essa que mata? Que sociedade é esta que banaliza a morte? Na fúria do dia a dia, vamos perdendo um pouco de nós mesmos. Na fúria do dia a dia,

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  • 23 agosto

    Bolero de Tecalitlán

    Bolero de Tecalitlán, ao pé do ouvido em pleno 2026, soa como uma serenata de amor cantada à janela de uma casa que já não existe. Ou existe? existe: passou apenas a caber na tela de um smartphone. Informes contemporâneos. A linguagem sempre como logradouro de encontros. Disseram-nos que: • …a globalização tornaria o mundo uniforme;• …a tecnologia achataria os afetos;• …algoritmos substituiriam as coincidências.(…) Descubro, porém,

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  • 23 agosto

    Token inválido

    O infarto foi fulminante. Quatro tentativas de reanimação. Nada. Resistiu bravamente até a última atualização. Merecia um fim digno. Logo ao chegar à recepção, um rapaz o atendeu, solícito. — Fique tranquilo: aqui, tudo tem solução. — O senhor deseja fazer a migração completa? Severo aceitou o pacote funerário. Os universitários iniciaram o ritual de reencarnação. Transplantada a memória. O outro, novo, reluzente, exibiu seu sorriso de maçã. Faltou a ident

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  • 23 agosto

    REINO ANIMAL

    A primeira vez que Joana trouxe um sapo para casa foi um alvoroço. A família não sabia como agir, a menina tinha só cinco anos e uma afinidade especial com os bichos. Até quis levar o sapo para dormir com ela. A muito custo, conseguiram convencê-la de que o sapo precisava voltar para casa dele a fim de se despedir dos amigos. Depois do sapo, foi um pintinho da feira, que acabou virando frango e morreu de estresse. Um jabuti habitou a banheira da casa apena

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  • 22 agosto

    Manifesto

    Confesso: eu era indiferente. Simplesmente não os notava. Não detestava, nem amava. Eles eram transparentes para mim. Daqueles de quem se diz: nem cheiram, nem fedem. Foi assim por dois terços dos meus dias. E nem queiram saber quantos foram. Centenas. Não procurei terapia, nem explicações. Até que aconteceu. Assim, sem me preparar, pensar ou conjecturar, um belo dia eu me apaixonei! Paixão de deixar boba. Olhar nos olhos, admirar as nuances, o chamego, o

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  • 22 agosto

    Seria a eternidade um mineral?

    Quem sabe a imortalidade seja um mineral formado por átomos de carbono puro dispostos em uma estrutura cristalina cúbica. Nosso inconsciente não acredita na própria morte pois não possui nenhum registro psíquico ou representação para ela, e se comporta como se fosse imortal. Não queremos papo com a finitude, ponto e basta! É ao testemunhar a morte de alguém querido que somos forçados a confrontar a realidade da perda. Mas nem isto abala a invulnerabilidade

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  • 21 agosto

    Tudo é Rio (menos Niterói e São Gonçalo)

    Quando me mudei para o Rio, achei que bastaria algum tempo para entender a geografia, os costumes e, por osmose, me tornar um carioca da gema. Vã ilusão. Aqui nada é tão simples quanto parece. A lógica que rege os lugares homônimos ou com nomes parecidos parece ter sido concebida por um sambista bêbado, como se a cidade já não fosse complicada o bastante com a sua coleção de túneis, morros, largos, viadutos, encruzilhadas, ruas estreitas e ladeiras. Pega a

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  • 21 agosto

    Vida nova mas o mesmo eu, ou não?

    Vida nova para mim mesmo teve início nesse mês de agosto. Do casulo do home office para o palco do magistério. Direto , sem escalas e muito desejado. O silêncio perdeu seu espaço privilegiado em minha rotina. Antes, era soberano, só cedia seu lugar sagrado para as eventuais intervenções de minhas filhas. Agora precisa se contentar com as horas que sobra, como as horas mortas de Garcia Marques. Ruim? Nem tanto. A tudo, ou quase, se acostuma. Em lugar do sil

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  • 20 agosto

    Nossa nave

    Há pouco mais de quarenta anos, a sonda Voyager 1, já distante mais de 6 bilhões de quilômetros de casa, recebeu uma ordem inusitada: virar-se e, com sua câmera já cansada, fotografar o ponto de onde viera. Carl Sagan chamou a imagem de “Pálido Ponto Azul”. Nessa fotografia, a Terra ocupa menos de um pixel. É um grão de poeira suspenso num raio de luz solar. Dalí Nenhum mapa, nenhuma fronteira, nenhum presidente, nenhuma guerra, nenhum amor ou

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  • 19 agosto

    A Nora, o cachorro da Nora, os namorados da Nora e o adestrador

    A Nora tinha um cachorro. A Nora também tinha um namorado. O cachorro não gostava do namorado da Nora. A Nora contratou um adestrador pra fazer o cachorro acostumar-se com o namorado. Já que ainda não existe adestrador de namorado. Pouco tempo depois, quando o cachorro já estava amiguinho do namorado, o namorado caiu fora. A Nora tinha dotes físicos e intelectuais exuberantes e logo trouxe outro namorado. Pro outro namorado também foi precis

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  • 19 agosto

    Um aniversário diferentemente especial

    Algumas pessoas não costumam dar muita importância a datas comemorativas. Conheço pessoas que parecem fazer questão de esquecer até o dia de seu aniversário. Datas que marcam o dia de uma profissão, de um santo padroeiro, de um clube de futebol, de um município e de uma batalha vencida. São tantas as datas a serem lembradas, que se torna difícil até mesmo ao mais organizado dos mortais saber o que será comemorado nesta ou na próxima semana. Mas, para mim,

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  • 16 agosto

    Mortos, vivos, morcegos e frutas | pausa (in)disponível

    Uma mesa impossível: um tampo que não é firme (minha cama); três cadeiras – eu, que me sento com as pernas esticadas e sobrepostas. Uma única taça de vidro (a que comprei no mercado, porque na minha casa de areia temporal em quase formato pirâmide não tinha nenhuma) com o vinho (o que dividi há duas semanas, hoje esvaziado com outros – é preciso beber do mesmo lugar, a cama). De maneira quase indecente, Hilda Hilst e Victor Heringer se juntam a mim nesse m

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  • 16 agosto

    As tentativas de WALDINEIDE

    A primeira vez que tentou se matar, tinha dezoito anos. Entrou no mar de São Conrado e nadou até cansar e perder as forças. Foi resgatada pelo helicóptero dos bombeiros. Aos salva-vidas, envergonhada, não revelou a tentativa malfadada de suicídio. Ironicamente, ainda agradeceu por ter sido salva. Waldineide amaldiçoava o pai pelo nome recebido. Seu Waldir era porteiro de um prédio na Barra da Tijuca. Ele, a mulher, Neide, e a filha moravam num barraco na R

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  • 16 agosto

    A Vida em Bullet Points

    Dizem que “a fila anda”. Talvez ande nos relacionamentos. Já na minha lista de tarefas, ela parece ter criado raízes. Ela nos persegue pelo celular, mandando alertas sonoros de tudo o que ainda não foi completado. Para quem prefere o caderninho, nem isso resolve: as tarefas não riscadas ficam ali, silenciosas, aguardando o momento de despertar a culpa. Tenho a impressão de que as listas de tarefas se reproduzem durante a madrugada. Vou dormir c

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  • 13 agosto

    Coisas duráveis

    Há uma pergunta que atravessa os séculos sem nunca envelhecer: se tudo passa, o que nos resta pensar, e porque valorizar o que temos e vivemos hoje? Os gregos chamavam esse fluxo ininterrupto de panta rhei (tudo flui) e Heráclito o personificou no rio onde jamais nos banhamos duas vezes na mesma água. A efemeridade não é apenas uma característica acidental da existência, ela é a própria textura. Talvez o primeiro espanto filosófico diante da brevidade das

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  • 12 agosto

    A Vida Privada e o Transporte Público

    Há bastante tempo, penso em falar sobre um hábito que se tem mostrado cada vez mais comum entre nós, brasileiros. Minhas numerosas procrastinações e desistências ocorreram menos por causa da complexidade do costume do que pela virtual controvérsia que ele carrega em si. Haja vista o uso generalizado de tal prática, suponho que poderei ferir certos egos e criar algumas animosidades. Mas assumo que quem vive de dar pitacos pretensamente sociológicos deve enc

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  • 11 agosto

    A quem você deve seu mérito

    No Brasil, o discurso da meritocracia ainda encontra solo fértil. Acredita-se, com quase cega devoção, que o topo da montanha foi conquistado a passos individuais – fruto exclusivo do talento, da disciplina e das noites mal dormidas. O discurso é sedutor, embora ignore uma pergunta que possa soar incômoda: quando você chegou lá, quem segurava a escada? ​Por trás de cada trajetória de sucesso, há uma estrutura invisível operando nos bastidores. Independente

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  • 10 agosto

    Caixinha de música

    — O que você faz aí? — Não está vendo? — Estou, mas por que aí? — Você não sabe? — Não! — O meu criador disse: “Vá e enfeite o mundo!” — Então você é um enfeite. — Sim. — Pra quem? — Pra todo mundo. — Mas não os vejo. — Quem? — Todo mundo. — Porque você me trouxe pra cá. — Então agora você é meu enfeite? — Sim. — Desça daí. — Para quê? — Vou mostrá-la a todo mundo. — Não entendi. Você não me trouxe pra você? — Eu te trouxe para ser. — Ser o quê

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  • 9 agosto

    Em Bocas de MATILDE

    Quando pequena, Matilde surpreendia a todos com sua estranha mania de engolir objetos. Chupetas, partes de brinquedos de borracha, bicos de mamadeira. Na escola impressionava colegas, engolindo canetas e lapiseiras. Era um dom. Todos diziam que no futuro ela trabalharia no circo como engolidora de espadas. A mãe culpava o pai por ter levado a menina no circo. Agora, essa novidade, engolidora de espadas… Matilde não vinha de uma família circense e nunca tev

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  • 9 agosto

    Quantos anos cabem no breve espaço das 03h17 de um amanhecer de sexta-feira?

    Quantos anos cabem no breve espaço das 03h17 de um amanhecer de sexta-feira? Há passos no eco, pisos empoeirados da semana passada, taciturnos. Há o Cachambi, que dorme, às três e dezessete da manhã, já dezoito. Há o streaming para quem, como eu, de tão cansada, não dorme. Há um filme pandêmico, dor humana, tristeza, perda do olfato. Num streaming — todo o meu amor aos streamings que nos fazem companhia junto a uma Hocus Pocus de 500ml, 8.5% de teor alcoól

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  • 9 agosto

    Essa vai para a coleção

    Meu armário abriga uma coleção curiosa: caixas vazias, sacolas elegantes e potes de vidro sem função definida. Em comum, todos carregam a mesma etiqueta imaginária: “Pode ser útil um dia.” Tenho uma verdadeira compulsão por colecionar inutilidades que considero superimportante guardar. Vai que surge um presente de última hora. Vai que resolvo organizar a papelada. Vai que abro uma loja de embalagens recicladas. Vai que descubro um talento ocult

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  • 8 agosto

    Dia dos Pais

    Um dia em que se homenageiam os meninos que se tornam homens e, um belo dia, se descobrem pais. Descobrem-se pais e não há nenhuma alteração fisiológica! Não sentem o seio intumescer segundos antes de o bebê chorar. Não têm um corpo que lhes avise, de maneira tão evidente, que chegou a hora de alimentar a cria. Não amamentam, não experimentam as mesmas transformações físicas da gestação e do nascimento. As mães contam com uma espécie de alarde da natureza.

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  • 7 agosto

    Um gato chamado Bartolomeu

    Não, eu não vou arrumar um gato. Nem em sonho. Mas uma das minhas filhas sim. Quer dizer, essa é a intenção dela. Essa semana ela me procurou com essa conversa. Veio com aquele papinho sinuoso, típico de adolescente que quer algo. Se seria possível, quando ela se tornasse mais responsável, ter um gato. Ela tem 14 anos e tem um quarto só dela onde deixa uma bagunça razoavelmente organizada. Com as coisas da escola é bem responsável, não deixa nenhuma tarefa

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  • 7 agosto

    Traídos

    Chamava-se Marisa, era casada e não desgostava dessa condição. O que lhe era mais caro na vida, porém, era o seu sentimento de liberdade. Costumava comentar com Nébia, a amiga íntima: “Sempre fiz tudo, ou quase tudo, que quis”. A amiga contestava: “Tudo, não. Ninguém pode fazer tudo. E você é uma mulher casada”. Marisa reconhecia: “Claro, claro, sempre respeitei Eustáquio”. A outra: “E não está fazendo nenhum favor. Eustáquio é um homem corretíssimo. Além

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